quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A DOR SEM ANTRO

Egon Schiele - Merveille
Dor, por favor , não te enamores de mim
Não me desejes , nem me esperes
Que eu não tenho destino marcado
Nas horas que iludo ao ser…
Dor, por favor, não me sigas
Não te esforces tanto
Por me acorrentar ao tempo.
Por me prender a ti.
Que eu, de mim ausente
Te iludo o lugar em que tu não cabes,
Cá dentro… [Só é deserto].
E o espectro de te ver aproximar
Apenas me traz alento.
Mas é terreno incerto
Rochedo em pó
Lamento.
Dor, tu não queiras saber…
Tu não queiras entrar
Pela linha que não se abre
E que sem horizonte morre curvada
Sobre o seu próprio ventre.
Não, dor…Por favor…
Não te concedas vidas para mim!
[noético-02/10/2013]


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