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| Labirinto da Catedral de Chartres |
«A
universalidade do sentimento religioso no comportamento humano não prova
nada sobre a existência de algum deus. Aliás, prova antes, que somos
demasiado propensos a crer em vez de pensar e construir razões que
justifiquem os factos e demonstrem a sua veracidade. O medo e a
ignorância são tanto bons aliados dos políticos como o são das crenças e
superstições religiosas. Quando não se conhece algo
atribui-se a deus. Quando se conhece, continua-se a atribuir a deus.
Deus serve para justificar tudo e para alimentar um séquito de
sacerdotes que se arrogam o papel de condutores da massa receosa e
esperançosa num devir que nunca vem e, por isso mesmo submissa e
controlada, suplicante e bem comportada por que existem prémios muito
maravilhosos prometidos para o final, mas que nunca chegarão a todos. Em
tempos em que as coisas correm mal recorre-se ainda mais a rezas e
mezinhas, a qualquer doutrina exótica que prometa redenção e salvação.
E, enquanto se espera por isso, os santuários enchem-se de pequenos
homenzinhos e mulherzinhas que se dizem de fé por que acreditam nas
promessas de fantasmas, os deuses, tal como acreditam nas promessas de
quem os governa. Aliás, como o prémio é ainda maior no outro mundo, na
outra vida, até acreditam ainda mais no céu do que nos governantes que
são homens. Se o líder erra é ele o responsável pelo rebanho de alminhas
de gente infantil que se perde.Critica-se nos jovens a fantasia, o
irrealismo e o vício dos jogos mas os pseudo-adultos comportam-se como
se jogassem ao destino com o céu, sempre esperando vencer este jogo de
Playstation Existencial e obter o bónus final. Religião e ideologia são
uma parelha inseparável.»
[noético-19/10/2013]
[noético-19/10/2013]

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