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| Guimarães - npa@2013 |
«Por
que te anuncias minha espera? Por que te demoras sem chegares? Por que
te suspendes sem pousares? Por que te alongas no meu tempo diluindo-o em
aguarelas? Imagino-te a partir do nada, como se escrevesse numa folha
em branco, colorindo-te em cada palavra…Quedar-me-ia nesse livro se a
tua inefável tinta adquirisse a mais ínfima substância… Frescos e
tranquilos permanecem os campos em que as tuas raízes permanecem. A
ternura cobre-se de castanho e de ouro reluzente como um desejo cadente
cruzando a Via Láctea que almeja o regresso à terra mãe. Eu, não sei um
poema para te segredar… Eu, não sei poetar. Não sou poeta. Mas a alma da
poesia passa por mim quando te leio os gestos lânguidos e tranquilos
buscando o consolo ameno de um entardecer outonal. Levas-me contigo a
festejar para junto de uma nascente em que tudo verdeja e floresce perto
do brilhar transparente de águas cintilantes. Acordas-me e adormeço.
Caio em sono profundo. Adormeço cativo da penumbra e das sombras de um
bosque e inspiro o perfume amoroso dos campos humedecidos pelas chuvas
recentes. Guardarei sempre na memória esses caminhos em que preparei um
lugar para te acolher…É por isso que o futuro tem já hoje, uma
história.»
[noético-04/10/2013]
[noético-04/10/2013]

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