sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O FUTURO TEM PASSADO

Guimarães - npa@2013
«Por que te anuncias minha espera? Por que te demoras sem chegares? Por que te suspendes sem pousares? Por que te alongas no meu tempo diluindo-o em aguarelas? Imagino-te a partir do nada, como se escrevesse numa folha em branco, colorindo-te em cada palavra…Quedar-me-ia nesse livro se a tua inefável tinta adquirisse a mais ínfima substância… Frescos e tranquilos permanecem os campos em que as tuas raízes permanecem. A ternura cobre-se de castanho e de ouro reluzente como um desejo cadente cruzando a Via Láctea que almeja o regresso à terra mãe. Eu, não sei um poema para te segredar… Eu, não sei poetar. Não sou poeta. Mas a alma da poesia passa por mim quando te leio os gestos lânguidos e tranquilos buscando o consolo ameno de um entardecer outonal. Levas-me contigo a festejar para junto de uma nascente em que tudo verdeja e floresce perto do brilhar transparente de águas cintilantes. Acordas-me e adormeço. Caio em sono profundo. Adormeço cativo da penumbra e das sombras de um bosque e inspiro o perfume amoroso dos campos humedecidos pelas chuvas recentes. Guardarei sempre na memória esses caminhos em que preparei um lugar para te acolher…É por isso que o futuro tem já hoje, uma história.»
                                                                                                                               [noético-04/10/2013]

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