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| Vincent van Gogh, "Un paio di scarpe" |
«Tenho a impressão que estas botas me servem. Não temo a miséria, pois, o
que é isso da miséria ?...Também não me condôo se um dia descobrir o
meu pé descalço. Sonhar com sapatos de veludo não faz parte da minha
marcha. A distinção, rico ou pobre tem provocado maior desumanidade do
que fraternidade. Van Gogh pintou um objecto comum, assim, como o é, a
vida de cada um. Pensar em miséria faz-me avançar até à morte, facto,
perante o qual, somos todos miseráveis. Chegaremos todos lá, descalços e
desnudos. Claro, que nos podem cobrir de mil e um artifícios, como a
arte e manha humanas tão bem sabem fazer, para disfarçar a solenidade do
momento... Tenho a impressão de que este é o meu calçado... Mas, tantas
vezes prefiro andar descalço que, por vezes, já nem sinto a necessidade
dele. Não preciso de botas para dormir. Não faço amor de botas. Não me
banho com botas. Até fico sem calçado nas palavras...»
[noético-04/12/2013]
[noético-04/12/2013]

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