quarta-feira, 12 de março de 2014

AMOR SUICIDÁRIO

«Amamos realmente os 'génios' artistas, os cientistas 'loucos', os filósofos 'brilhantes', os poetas e romancistas 'diferentes', os governantes 'ilustres' que mataram ou mandaram matar milhões de pessoas, ou que, dentro de uma ética utilitarista conduziram os seus a servir os interesses de uma elite 'dita informada' ?... Já agora, não será que desde sempre se mata por causa da informação ?... Amá-los-emos de facto ?...Duvido, seriamente! A maioria dos que admiramos, se soubéssemos ao pormenor o que foram, nunca os seguiríamos. Mas cultivamos a sua memória para nos protegermos dos problemas de consciência. Só isso! Para isso, existe o culto dos antepassados, dos documentos, da história, do saudosismo, do passado em suma! Eu não sou contra a História, mas, sou contra a forma como ela nos tem sido sempre contada. A maioria dos cientistas 'brilhantes' foram quase sempre bichos de mato, indíviduos que se suicidaram ou viveram à margem. O seu trabalho, é óbvio que tem valor para os que os estudam e o entendem. Para os outros servem apenas de mais um ídolo na sua caderneta, uns tipos que fizeram muito por nós sem que tenhamos que os ter considerado como gente, apesar dos títulos e epitáfios. Quase o mesmo sucede com os artistas. A maioria deles viveu na miséria e na incompreensão. Muitos deles se suicidaram. Mas, não era isso que esperávamos dos génios, que se se sacrificassem ?...E agora, já podemos falar deles e elogiá-los, ainda que continuemos sem os entender. E, já agora, todos os nossos queridos Alexandres, Cleopatras, Napoleões, Hitler's, Pol Pots, Durões Barroso, Angelas Merkel, Putin's, Obama's, foram e são, todos, uns santos, uns líderes porreiros e bestiais, variando entre as bestas e os imaculados...Enfim...Não há pior, do que habitar num jardim de infância, de uma 'humanidade' autoproclamada, que nem sequer sabe o que isso é, ou pior, que acha que já o entendeu em pleno!»[noético-12/03/2014]

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