«Medo é a palavra que nunca temi. Prefiro ser louco, sem eira nem beira,
mesmo que isso me faça cair na berma e ser enjeitado. Estar de fora é
apenas uma virtualidade de quem coloca cercas e barreiras a tudo, para
se sentir seguro (afinal incerto e inseguro e medroso) no seu caminho.
Senão para que precisaria de linhas, beiras, pontos de referência,
cercas, muros, estados classificatórios? A liberdade é o maior medo. Sem
travões ou limites, fica-se sem horizontes, metas, objectivos,
interesses, bye, bye, Kant! O que nós queremos mesmo é gaiola! Quem se
diz de fora, coloca-se como uma marca na prateleira de quem consome.
Quem se diz de dentro, acha que todo o universo lhe é estranho. Não
passamos desta retórica mínima. Somos, bichos. Bichos da
mente...Xenófobos até às alturas, onde apenas pode existir um só Deus,
por exemplo. Todos os outros, são cópias, como dizia o Platão.
Enfim...Quando se pensa assim há milhares de anos, nunca se faz mais do
que meter a pata na poça e remexer no esterco. Enlameados soa até melhor
do que Iluminados, apesar de até ter havido um século com esse nome.
Houve, e ainda hoje muitos se referem a ele, como se procurassem ainda
hoje, essa iluminação nos candeeiros que compram nos supermercados. A
escuridão não se apaga por causa de uma inovação técnica. Ela, é bem
mais radical e profunda. Radica na nossa real, ignorante e obscura,
vaidade!»[noético-07/05/2014]

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