quarta-feira, 7 de maio de 2014

A MESQUINHEZ DO FORA E DO DENTRO

«Medo é a palavra que nunca temi. Prefiro ser louco, sem eira nem beira, mesmo que isso me faça cair na berma e ser enjeitado. Estar de fora é apenas uma virtualidade de quem coloca cercas e barreiras a tudo, para se sentir seguro (afinal incerto e inseguro e medroso) no seu caminho. Senão para que precisaria de linhas, beiras, pontos de referência, cercas, muros, estados classificatórios? A liberdade é o maior medo. Sem travões ou limites, fica-se sem horizontes, metas, objectivos, interesses, bye, bye, Kant! O que nós queremos mesmo é gaiola! Quem se diz de fora, coloca-se como uma marca na prateleira de quem consome. Quem se diz de dentro, acha que todo o universo lhe é estranho. Não passamos desta retórica mínima. Somos, bichos. Bichos da mente...Xenófobos até às alturas, onde apenas pode existir um só Deus, por exemplo. Todos os outros, são cópias, como dizia o Platão. Enfim...Quando se pensa assim há milhares de anos, nunca se faz mais do que meter a pata na poça e remexer no esterco. Enlameados soa até melhor do que Iluminados, apesar de até ter havido um século com esse nome. Houve, e ainda hoje muitos se referem a ele, como se procurassem ainda hoje, essa iluminação nos candeeiros que compram nos supermercados. A escuridão não se apaga por causa de uma inovação técnica. Ela, é bem mais radical e profunda. Radica na nossa real, ignorante e obscura, vaidade!»[noético-07/05/2014]


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