«Não
ou sim...Os teus cabelos encaracolados fazem-me lembrar as pestanas que
queimei...Bem, nunca me incendiei. Talvez esse tenha sido o meu mal, mal
literário. Nunca ter sido o fogo, o abrigo a que todos fomos ensinados.
Sim, eramos nós, eu mais tu e uma caverna! Fomos ensinadinhos para
esses lapsos! Sim, lapsos temporais. Hoje falas em subsconsciência,
inconsciência e todos esses prolapsos linguísticos,
enfim!...Nem sei como...Acho que nunca ninguém soube o que era um
começo até se arriscar e a coisa resultar ou não. Fórmulas arranja-se bem
na ciência. Tens lá de tudo, menos, o resto, o que não está lá, nem nunca
estará e a ciência ficará sempre por o acusar! Por o fazer! Não! Não
estou a dizer mal da ciência, antes de se dizer mal, havia a maldicência
que nem sequer era uma ciência ou sequer uma correção a ela. Mas agora
existem muitos mais «filhos da puta», salvo seja a puta, a única não
virgem que se salva, neste diálogo, mas que se se salvará na vida por não
ser mesquinha como, literariamente alguns palhaçóides a fizeram
parecer. Eis uma diferença entre Paulo Coelho e Fiódor Mikhailovich
Dostoiévski. Mas tudo isso é datado. Tem ou teve a sua época. Tudo é
válido (coisa que os lógicos alérgicos ao tempo nem sequer equacionam –
pelo menos os mais básicos – mesmo que o tempo faça parte das suas
brilhantinas equações) no seu tempo.Mas, ia eu dizendo, algo que muitos
odiarão ler, tentar sequer perceber, achando que tudo está já explicado,
perfeitamente definido, etc...Nem adianta falar com esses intelectuais
de peluqueira (peruca) para quem saiba um pouco de espanhol. Hoje, tudo é
coisa, objecto, alvo de holofotes e se não o for, parece, mais uma vez,
que a falta de luz a torna de menor qualidade...Cuidado com este tipo
dogmático de pensamento. Muito cuidado pois ele anda muito mais bem
desfocado e disfarçado!»[noético-06/05/ 2014]

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