segunda-feira, 19 de maio de 2014

O CIÚME E O AMOR

«Ainda hoje, ouço dizer que se alguém sentiu ciúmes isso é uma prova de amor. Até o famosíssimo Lobo Antunes diz que o ciúme faz parte da vida...Enfim, ele não o diz deste modo, pode ser uma adulteração minha, mas, não me fico com esta idiotia do que nos dizem que faz parte ou não da vida. Talvez da deles, faça sempre parte...Da minha, raramente o faz. O ciúme existe, isso, é indiscutível. Mas tomá-lo como sinal de amor, deixem-me dizer-lhes, é um profundo disparate! Amar nem sequer tem objectos e afinal, muitas mulheres e homens até se tentam livrar desse estigma objectual. Amar é o cimento da vida, mas, não existe uma só e única e forma de amar. Meter todas as formas e expressões do amor num mesmo saco é mais um profundo engano. Claro que a propaganda e a publicidade tentam condicionar tudo, até mesmo as formas de amar, de acordo com a agenda de quem lhes paga para publicitar. Mas alguém torcaria o amor a um filho/a por um anúncio comercial ? Estou certo, que muitos trocariam. Não! Não se trata de gôzo, trata-se de real experiência empírica! Mas, voltemos, ao que parece ser um subsedâneo menor do amor, o ciúme! Ela ama-me ou Ele amam-me. E depois, segue-se a cartilha idiota e esgotada do ciúme. Se ele ou ela saem com os amigos, tremo de medo, de insegurança, no misto egocêntrico do que sou e esquecendo-me do que o outro é, acabo por fazer uma giríssima cena de ciúmes apenas para lhe provar que sou capaz do teatro ou então, para lhe garantir que é minha única propriedade. Que estranha forma de amar, esta!...Fazer do outro nosso palco, cenário das nossas próprias histerias pessoais, pior, nossa pretensa rpropriedade. Será isto, realmente amor ou amar ? Tratar o outro como título de propriedade não seria mais próprio de algum vendedor de imobiliário ? Enfim!...Ainda assim, alguns turcu-manos, não os turcos coitados, actualmente vivendo sob o 'despeito respeitoso' da União Europeia, do tirano Erdogan, preferem que o ciúme faça parte daquilo que consideram uma forma de amar. Pois, que eu saiba, por ciúme e não por amor, Abel matou Caim, isto para os seguidistas da religiãozinha de que se dizem seguidores, pelo menos, aqui, por estas bandas cristãs, apostólicas e romanas...Ahahahah...O ciúme é apenas uma manifestação de menoridade, de estupidez socialmente aprovada. Ainda há gente que entende que o amor é urinar como os lobos fazem para demarcar um território. Pois, é! Eu comparo esse tipo de manifestação a um jacto de urina dos lobos ou dos tigres. Ai, ai, que não me compreendem...Olha que chatice! Se não entendem, deixem de se comportar como imbecis. O ciúme não leva a lado nenhum! Não passa de uma profunda imbecilidade ou de um simples atestado de menoridade intelectual. Amar, nada tem a ver com ciúme. O amor, por natureza é livre e liberto, aberto e não fechadinho a cadeado, encerrado num cantinho a que chamamos casa. O amor, não tem nada a ver com paredes, portas, janelas e recantinhos aconchegados que mais parecem caverninhas platónicas, hoje, vendidas para acampamentos designados parques....Ahahahah...Pois, é! É perfeitamente possível atravessar num só discurso milhares de anos de História de imbecilidade consentida e valorizada. Mas, por favor, não me falem de valores, senão até vomito o meu estado de auto-sobrevivência, essa casualidade que nem consta de nenhum anal, ou revista cor-de-rosa!» [noético-19/05/2014]

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