domingo, 27 de abril de 2014

HISTÓRIAS DO ARCO DA VELHA

«O que mudou assim tanto, 40 anos depois ? Muito! Mas ficar a olhar para os sonhos que nunca se realizaram parece quase um pesadelo real...Alguns dizem mal da democracia, como se a democracia, nascida há mais de dois mil anos, claro que não a moderna como hoje a preferem chamar, apagasse essa chama mais do que olímpica?! Democracia ? Muitos rogam-lhe pragas por ignorância, outros, louvam-na - rogar e louvar tudo termos medievos, interessante, quase grotesco - como se fosse algo de adquirido, um climax de um coito com a História, uma substância (substare = o que permanece) como Aristóteles a definia. Não é tudo isto digno de uma gargalhada de uma gárgula de catedral ? A democracia não está feita, não acabou, com qualquer Constituição, essa mentira que inventaram para nunca mais a modificar. A democracia continua descalça, não por que cada vez existam mais pobres a vaguear pela rua, mas por que ninguém quer ser a Cinderela, a princesa que um dia vai provar o sapatinho de cristal. Não, a democracia não é um conto de fadas, de princípes eméritos que salvam damas encerradas em castelos de sonho. A democracia está toda, todinha por fazer, ainda! Mas se é razoável entender que muito mudou, ainda falta compreender que são os cidadãos verdadeiramente livres que a constroem. Claro mas indistinto, meio ao contrário de Descartes, a democracia, não nasce apenas de uma liberdade fundada no Direito e no descanso sobre a Lei, seja ela civil ou divina. Deus nas alturas...Quantas vezes ouvimos repetir esta ladaínha que, hoje, para mim, já nem sequer me serve de despertador, mas pelo contrário, me adormece profundamente ?...A lei nas alturas, e viva o nosso descanso, a paz entre os homens e esses discursos que Marx entendia como suco de papoilas para os homens... Não é verdade que adormecemos sobre os louros judaicos e romanos ? Então, porque é que o mal está na democracia ? Eu, sei que não está! Não é defeito da democracia, mas sim dos homenzinhos condutores de almas, todos os pregadores que pregam o medo, que dividem para reinar e que com simples estratégias de animais caçadores separam a presa do rebanho para a poder devorar. O 25 de Abril ao pé de milhares de ensinamentos de História, parece uma simples torneira com as borrachas estragadas, que agora verte ainda alguma água, gota a gota.»[noético-27/04/2014]


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