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«Eu não te avisei, não te preveni, não te aconselhei? Não me ligaste
nenhuma. Por isso, agora, sinto-me com a superior autoridade moral de
lembrar-te, de que, quem escolheu esse caminho e errou foste tu, só tu e
mais ninguém. Por isso, também, não te queixes ou nada me peças, pois,
eu sou uma visionária...Previ o teu futuro, tal e qual e, agora,
sinto-me superior! Estou na disposição de te ajudar mas só se seguires
os meus mandamentos, a minha cartilha de sucesso...Já sei que
não gostas de moralismos, mas, adoro, quando te posso culpabilizar,
quando me posso sentir cheia de razão e, tu, completamente desprotegido e
sem nenhuma. - Cala-te bruxa! A tuas lições cheiram mal. Vai acusar
Deus e não me chateies, amiga da onça, coruja beata. Se um dia as tuas
escolhas conduzirem à tua ruína vais querer que te ajuíze? Mas...A vida
não será sempre tua? E, esse facto impede que existam mãos amigas e que
também vivas contando com elas, mesmo quando delas não necessitas e elas
te são estendidas? Cala-te! A tua piedade cheira a miséria, a tua razão
a esgoto, a tua dignidade a merda! Cala-te e desaparece. Prefiro passar
fome a pedir-te esmola. Apenas me enganei na porta. Cerra-a e se um dia
me encontrares na rua, garanto-te que não te recusarei a minha mão, por
pouco que ela te possa servir. Dispenso os teus sermões, nem sequer
tenho que os ouvir. A tua miséria moral é bem superior à minha miséria
material. Aliás, aprende...A dignidade não se compra, pois, ou se tem ou
não.»[noético-31/03/14]

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