quarta-feira, 16 de abril de 2014

OS SENHORES DO SER

«É um disparate, ou, antes, um argumento incompleto, dizer-se que se é o que se faz. É a minha tese. Isso, no entanto, não implica, ainda assim, um retirar da nossa responsabilidade. Se afirmar, agora, que 'este, não é ainda aquele que desejaria ser', não encontro nada de errado. Mas, desejar, não é o mesmo que acontecer, nem fazer acontecer. Ao ser não se coloca uma trela como a um cão, levando-o a passear e, também, não se lhe ensina a obedecer. Proprietários, usurpadores de falsos títulos do ser, existem muitos. O ser não é nosso, embora, todos nós sejamos seres. Um ditado popular, ilustra bem um certo platonismo com o qual me vejo obrigado, por vezes, a concordar:'quem vê caras não vê corações' como quem diz, as aparências iludem e são diferentes da realidade. O ser, não tem donos alguns, nem navega ao sabor de vontades ou marés.»[noético-14/04/2014]







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