«É um disparate, ou, antes, um argumento incompleto, dizer-se que se é o
que se faz. É a minha tese. Isso, no entanto, não implica, ainda assim,
um retirar da nossa responsabilidade. Se afirmar, agora, que 'este, não
é ainda aquele que desejaria ser', não encontro nada de errado. Mas,
desejar, não é o mesmo que acontecer, nem fazer acontecer. Ao ser não se
coloca uma trela como a um cão, levando-o a passear e, também, não se
lhe ensina a obedecer. Proprietários, usurpadores de
falsos títulos do ser, existem muitos. O ser não é nosso, embora, todos
nós sejamos seres. Um ditado popular, ilustra bem um certo platonismo
com o qual me vejo obrigado, por vezes, a concordar:'quem vê caras não
vê corações' como quem diz, as aparências iludem e são diferentes da
realidade. O ser, não tem donos alguns, nem navega ao sabor de vontades
ou marés.»[noético-14/04/2014]

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