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«Estive tanto tempo ausente, confessou para os seus botões. Na realidade
tinha andado ocupado em pensar sobre coisas que nada tinham a ver
consigo. Não estava perdido e nada estava perdido. O perder é sempre um
eufemismo. Nada se perde, por que nada se ganha, apenas se vive. É a
memória que nos atraiçoa. Ela faz-nos recordar e tomar tudo isso, que já
foi, como se fosse nosso. A noção de movimento cria-nos a ilusão de
caminhar para outros lugares e de abandonar outros. Nada disso é nosso.
Nosso, meu, teu, são também eufemismos. os eufemismos fazem-me lembrar a
'pena'. Ter saudade é outra expressão dessa 'pena', desse amor próprio
mais uma vez ferido, que parte inseguro para lugar incerto. Estive
ausente, mas, hoje, estou bem presente.»[noético-22/04/2014]

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