quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Reflexões

Os meus botins, que trago calçados, fazem-me lembrar os teus sapatos de atacadores azuis, que foram os teus últimos. Pensava há pouco, ao avistar um pequeno ser de guarda-chuva, graciosamente caminhando, nas saudades  que sinto. Estou aqui, ainda, rodeado da prateada beleza do Mar, vista sublime do Oceano. Tantas horas solitárias, tantos sonhos frustrados, tantas esperanças, tantas horas sem sentir o prazer de compartilhar. Só caminhei, só caí, só me  ergui mas, só, nunca foi a minha natureza. Mar, ventos, sol, nuvens, tempestades... Fui salvo pela agrura dos elementos que sempre me despertaram ou tornaram sonâmbulo caminhante por entre os vivos.

Mudança de Paradigma

Não sabia se iria viver ou morrer. Fiz o meu balanço. Nada a arrepender.  Preparei-me para partir. Não morri. Que medo, agora, de viver!?

Sem livre arbítrio não há ciência

Eu, fui aquilo que pude ser, enquanto fui alguma coisa. Claro, que não fui fantasma. Até, depois de morto, alguém se lembra de me ter visto, de me ter falado, de me ter aturado, de me ter amado. Faço da testemunha de outros, a prova de que existi, mesmo que, essa prova, se apague, pois, a memória, não é eterna, aliás, como tudo o que sabemos. Dirão os deterministas que estava tudo determinado, ainda que, mudando as múltiplas disposições, determinantes a cada instante, e que, portanto, apenas cumpri a minha natureza. Falso, nem sei qual a minha natureza foi, ou era. Não sei, mas, se assim estava determinado, deveria em vida ter chegado a saber. Nunca soube. Era ela que me controlava ? Claro que não. Uma coisa é estar com fome, outra, decidir fazer jejum. Claro, esta decisão não se pode perpetuar sob risco de vida mas, podemos, sempre, dentro das possibilidades que conhecemos ou, que consideramos disponíveis, escolher. Podemos perfeitamente jejuar uma refeição. O limite, foi a natureza determinística que impôs. A decisão foi o momentum do livre arbítrio. Se isto é traduzível em ondas cerebrais prévias, por favor, identifiquem os triliões de sinapses que dão origem a estas ações?... Ah, e até estava acompanhado com alguém com fome que se alimentou. Duas configurações, dois mundos, o mais razoável seria comer e, no entanto, eu preferi, apesar do sacrifício, não o fazer. Motivos ? Testar o meu autocontrolo. Belas ondas cerebrais. Agora, imaginemos o mesmo no cérebro de um muçulmano durante o ramadão. Pensemos que, o que lhe vai na alma é o cumprimento, devido à sua crença num voto de jejum. Devem ser outras ondas cerebrais com um desfecho semelhante. Tudo, determinado. Eu, por que decidi, ou alguma determinação desconhecida decidiu por mim, testar a minha própria natureza e, o muçulmano por que as suas crenças, também, todas determinadas, o conduziram à obediência ao código do jejum próprio da sua religião. Chega a ser ridícula, a opinião dos deterministas. Mais, ainda, dos deterministas ateus. Parece que defendem uma posição próxima da pescadinha com rabo na boca. Se não são livres, de escolher, conscientemente, então, são tão predestinados como qualquer crente quando acredita sobre o que diz a sua religião. Sucede, que, até nem mesmo a maioria dos crentes religiosos acreditam nesse modo ou disposição do universo, pré determinado. Por isso, ainda mais ridículo parece, haver cientista a defender estas posições. Escudam-se, claro, em Espinosa. Deus ou a Natureza. E, então, tudo passa a ser Deus. A Natureza é Deus e, a ela ninguém escapa, quais passarinhos, numa gaiola, criada por um vocabulário inventado por padres. E volta-se ao mesmo. Ninguém sabe de nada. Mas, Deus porquê ? Certo, o livre arbítrio parece uma arrogância. E é! É a única forma de subsistirmos, de nos rebelarmos contra a natureza, sendo Natureza. É uma rebelião que cria caos e ordem. Dela resulta a cultura, coisa criada pelos homens e pela razão ou inteligência humana para subsistir e até, atingir os píncaros de viver, acima do sobreviver. Um luxo da natureza ou que a natureza concedeu a si mesma, talvez, a maior falha ou rutura detectável no universo, a consciência e a liberdade (condicionada às disponibilidades) de escolher, mas, ainda assim, uma escolha, ainda que ela invoque energias determinadas para a sua execução. Pegar num curso de um rio e desviá-lo. Não estava escrito em nenhum lado, nem em nenhum Destino, embora possa sempre figurar no livro do mundo dos contabilistas probabilistas ou, diria, dialéticos ?  

Deixo-vos

Digo-vos, aquilo que já todos sabeis, sobre como viver, numa simples fórmula: superação na tristeza e na dor, harmonia no quotidiano e intensidade na alegria.

Método

Um método pode, durante um limitado período de tempo condicionar, não só os resultados obtidos e a obter, bem como, afetar a possível diversidade de abordagens que, poderiam, eventualmente, alargar, pelo menos, a expectativa de um maior ou mais vasto e amplo espectro de conhecimento.

Trilogia

Não somos santos, nem malignos, nem loucos. Temos dos três um pouco. Ainda bem que, por vezes, é muito melhor o não ser que somos do que, o não ser que supomos ser. Ser, portanto, não é a única razão de existir e, por vezes, existimos não sendo, tal como, muitas vezes somos, não existindo. Convém clarificar. Existir não é o mesmo que viver. Estar vivo, ser vivo não significa existir. Também, existe muita coisa que não é viva.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Potássio na água

O mais valioso perante a morte é 

Viver e estar em paz

Pois, depois de mortos, tanto faz.

Porquê a paz se a morte é descanso eterno?

A paz como equilíbrio,

Adaptação, sem excesso.

Não eternidade,

Não prolongamento,

Insustentável, indevido.

Não uma sonolência absurda

Mas, simples prudência,

Evitando o inferno,

E buscando o céu,

Na Terra dos homens.

Ainda que, esse céu, seja só por nós habitado e que, raramente,

Ou mesmo nunca, chegue a ser partilhado.

Há muito mais do que nós, em nós,

E cada jardim possui a sua geometria.

Alguns jardineiros tratam bem do seu quintal 

Outros, apenas sonham com o quintal alheio

Ainda outros ou são tolos ou desleixados

Mas todos os jardins têm flores

Mesmo aqueles em que as sementes não estão visíveis à superfície.

Todos os nossos jardins morrem de forma diferente, só muda o modo... 

O nosso ego aflito dilui-se como potássio na superfície ondulada da água

E, depois,  mais nada.

Fadigas e canseiras, 

Alegrias e brincadeiras

Jardins e jardineiros

Num ápice, tudo finda

E seremos nada.


segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Quando der por mim...

Quando der por mim, estarei morto. A ignorância parece ser o combustível que incendeia o conhecimento. O que não sei, desafia-me ou, desafia o meu orgulho, a minha vaidade, a sede de ser importante, de não me reduzir ou resignar à pequenez. Pouco importa o que não sei, pois se, sobre tal, nada sei, nem sequer posso avaliar a sua importância. Não há a prioris do valor. E, pouco importa o que seria pois, nunca se poderá achar muito a descobrir uma ínfima parcela. Por tudo isso, enquanto entretido a lutar contra o excesso de luz e, também, de escuridão, quando der por mim já deverei estar morto pois, se não sei, como posso dar por mim ? Como posso dizer-me consciente ? E, se o posso, em que termos? Da realidade, a cada instante, captamos e processamos uma infinitésima fração. Como é que uma ínfima parcela da realidade pode ter noção sequer do seu todo? Conhece uma formiga todo o deserto do Saara que percorre ? Enfim!...Ínfimos, somos e seremos. Não estúpidos. Esses, são os que sabem sem saber. Os que sem saber imaginam que já sabem. A humildade não extingue o saber, pelo contrário, é o seu verdadeiro ponto de partida, o qual, se persistirmos para sempre nele, nesse ponto permaneceremos. Mais que isso, é veleidade. Menos,  é leviandade.  Quem chega a um ponto acrescenta um ponto. O contrário é ser-se nulo. Mas, quando dermos por isso, já teremos terminado o que nem sequer iniciámos!

segunda-feira, 15 de julho de 2024

A intimidade

Ela, surge sem aviso ou, fazendo-se anunciar, vai-se revelando aos pouquinhos sob a forma de rituais.  Diz-se, que aproxima seres. O meu ponto de vista é outro. Os humanos familiarizam-se por uma ou sob uma aparente proximidade. Digo, aparente, por que nunca jamais alguém vive ou viveu a vida dele através de outro. Nunca jamais alguém esteve dentro dos pensamentos de outrém. É essa a distância que nos torna próximos. Somos família mas, com muito pouca coisa própria (para além da natureza instintiva) em comum. Daí que, a intimidade, o intimismo que se possa estabelecer entre quaisquer dois ou mais sujeitos, seja sómente um acordo temporário, uma aparência bonita e, muitas vezes, sem qualquer consistente concretude. Não nos iludamos pois com as exibições e manifestações, talvez, muitas vezes exarcerbadas, quer de amor,  de companheirismo e/ou de amizade.
À moda Confuciana diria; o próximo oculta o distante.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Falta-lhes um dedo!

Se... Que mais ? Oh, homem desembucha! Mas, não há mais!
Perdemos-nos! Aonde estavam ? Não sabemos situar. Então, como sabem que se perderam ? É verdade, não sabemos.
Um robô costumava reabastecer-se a ele próprio e, após, realizar uma dança. A partir de certa altura deixou de realizar a dança. Por eficiência energética abandonou o ato inútil de dançar. Evoluiu. Excelente! Aprendeu. Magnífico! Só que... Desconsiderou todo o bem estar que a dança causaria em termos mentais a um ser humano consciente. E se para uma máquina sem emoções a lógica proposicional e do cálculo são suficientes, para um humano,não! Não são! Uma dança pode significar um novo equilíbrio psicológico, muito mais eficiente ou gratificante do que um cálculo de calorias ou energias perdidas ou ganhas. Um homem motivado, pode até pensar e trabalhar melhor mesmo que com uma fome tolerável. Um robô, por eficiência estupida, desconsidera esse gasto de energia "inútil". Claro, que a máquina não tem de ir ao psiquiatra. Mas, é precisamente por isso, que nunca será humana, nem sequer lhe chegará aos calcanhares! Por isso, não há que temer o HAL de 2001 Odisseia no Espaço. A mente, não é algo separado de um corpo. Não há nenhuma máquina que sequer se aproxime de perto da perfeição, competência e eficiência adaptativa de um ser humano. E, tudo isso, até um simples dedo encerra mais inteligência por milímetro quadrado do que qualquer máquina mecânica criada pelo homem. Desiludam-se os quasi fanáticos (ignorantes) da IA.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Considerar os intervalos

Contas-me as peripécias da tua história com um enorme entusiasmo e eu, cansado do teu monótono tagarelar digo-te que não estou interessado em ouvir. Pode ser o cúmulo da falta de empatia, ou até, talvez, inveja, por não ter tantas peripécias ou uma autobiografia interessante para te relatar. Contudo, incomoda-me ouvir-te. Peço-te o silêncio. Tu insistes. E eu, começo a ficar irritado, desconfortável. Se era para me conduzires a este estado, com a tua necessidade de interagir e de te relacionares comigo, então, tornou-se contraproducente.  Relacionar-me contigo não significa que seja permanente, contínuo, sem pausas. Há momentos em que as nossas disposições divergem. Não dá para viver num eterno abraço. Não dá para prolongar um beijo até ao infinito. Temos que considerar os intervalos.

Viver

A vida é o acto mais solitário que existe.

Um soldado caído, exclama, alvejaste-me, não pares, mata-me!

A vida é o próprio existir solitário em acto, acrescenta quem alvejou, é por isso que não te mato.

Prazer e sofrer são os únicos sentires do que é estar-se vivo.

A dor acorda e desperta para a maldita hora que se consome para a meta.

O gôzo emola e ruma ao consolo da bastança, efémera celebração asceta.

Talvez, um frequente oscilar temporário seja o único estado do ser-se vivo.

Mas, de que tudo isto interessa, após ter-se morrido ?

Interrogar é o coração de todo este ruído, imersão total nos sons que nos transportam ao destino.

Valeu a pena ter vivido ? À pena valeu, também, ela, termos fingido!

Não sei se reconheço

Não sei se me reconheço? Não sei se reconheço estes rostos, todos, na enfermidade... Gente comum, vulgar, cada um com seu percurso, sem nunca nos termos cruzado. Generalidades, inutilidades. Sofremos e nem há como evitar. Se a maldade da doença nos afectar, só resta Não sei se reconheço. Este equilíbrio entre as nossas aspirações, possibilidades, inevitabilidades perfaz o triângulo da nossa existência.  Com nada viemos e nada levamos. 

Inocência Perdida

Uma naja aspira as ínfimas particulas do teu odor, serpenteando a sua língua bifida, fitando-te, olhos nos olhos, antes de te dar a última mordidela, enquanto tu, jazes, inválido, de pernas partidas, debaixo de uma enorme laje de betão. É a tua última cena enquanto alma viva. É o terror! A tua consciência não te deixa sair de cena. Estás preso às tuas percepções, ao vício de um real construído, do qual não consegues escapar. Ah, malditos sentidos. Ah, incontrolávell cérebro. O terror, não é a morte, é antes, a última cena, ceia dos nefastos sentidos, cerebralmente reconstruídos, sem que, voluntariamente, consigas escapar à cena animada e colorida e, à escuridão do medo. Para que te serve uma consciência, um cérebro, os sentidos quando morres ? De que te serviram os alertas ? Inocência perdida,  consciência terrífica. É o preço da vida. Não controlamos o nosso cérebro.

A chuva cai

Chove, finalmente, e bem! Sem cântaros como diriam os antigos. Preocupamo-nos. É como escutar a chuva que cai ruidosa, chamando-nos a atenção. Atentos, defendemo-nos e pretendemos controlar o mundo que percepcionamos. No final, não levaremos nada connosco. Tanta noite mal dormida, tanto atropelo, tanta angústia para, afinal, nada. De que valeu termos sido este bichinho ? De que valeu, tudo em que acreditámos, ciência, conhecimento, deus, etc ? Como não conseguimos parar este monstro chamada consciência que nos põe a pensar como se a vida fosse apenas isso ? Que querem os meus átomos saber dos meus troféus ? O que eles acrescentam aos meus átomos ? Por que se têm de mover ? Por que não conseguimos deter o pensamento ?

Há caminho

Quem manda nesse lugar que desconheço, chamado céu, não sei. Sei que os que partem da vida, com ou sem barqueiro, nunca mais regressam. Se valeu ou não valeu, cabe aos vivos reflectir. Os que partiram, já nada reflectem. Na verdade, pouco importa, até mesmo, as nossas crenças. Vivêmos acordados ? Adormecidos? Anestesiados ? Não saberemos nunca dar a resposta. E fomos livres ? Quem sabe o que isso é ? E se não o fomos, o que isso alterou ? Caímos de uma relação sexual, aos trambolhões, fomos incubados num útero de quem nem sabíamos quem era, acabámos lançados num mundo semi-preparado, dizer feito, seria o maior disparate, onde, como pequenas sementes nos desenvolvemos ou atrofiámos. A vida, é esta embrulhada total, sem controle algum, ou, talvez, numa ínfima parte, a que nos permitirá sempre dizer, que foi o nosso percurso, a nossa presença, a nossa estadia, a nossa e apenas nossa vida. O que ganhámos por ela ser nossa ? A vida não é um negócio. É erro ver nessa perspectiva. Não viémos para ganhar ou perder, viémos para ter ambos. Felizmente, o humano consegue emular-se acima da mera fera, do mero interesse, da mera circunstância. Estar-se vivo é muito mais do que alguma razão possa descrever ou definir, uma fé possa apostar e, sobretudo, permanecer, temporariamente, num jogo do qual, nem nós fomos os criadores das regras, nem os totais fabricantes das jogadas, previstas, segundo os cálculos para esse jogo. Portanto, também, não fomos teleguiados e, muitos acidentes, nos revelaram, a nossa verdadeira essencialidade! Não digo, que esse, seja o caminho. Há caminho e, não há caminho! Não, não é um paradoxo! Há caminho por fazer, não caminho já feito. Simples, não é ? Riso, raso, delirante, profícuo. Há, caminho e é bastante!

Sem um quê do quê

Não tolero, tolerar. E daí ? Respeito é necessário. Respeito, parece implicar um conhecimento daquilo ou de quem se respeita ou se dá ao respeito. Tolerar, parece ser, simplesmente, assentir em algo de que não se tem conhecimento suficiente. De qualquer modo, cabe questionar, se alguma vez teremos conhecimento suficiente ? Sem nos radicarmos na ignorância, diremos que, tolerar é vaidade. Não se tolera, aceita-se ou não. Tolerar, parece até, sugerir uma qualquer forma de aceitação contrariada, a custo, com dificuldade, sem vontade ou disposição favoráveis, mas, no entanto, aceitar, cheio de reservas mentais. A realidade não é a preto e branco. Tolerar o intolerável ? Não! Alinhar com carrascos ou vítimas, sem conhecer os contornos da sua legitimidade, parece obtuso, abstruso. Conviver, coexistir, cohabitar, sem perder a face, ou será antes o ego ? Eco e reflexo, identitários. Ser idêntico, compacto, inquebrável...Assim, se celebra o vácuo! Um infinito labirinto sem forma. A poesia é que nos doma, a poesia é que nos transforma.

A narrativa é o narrador

Não se amam os mortos mas, sim, simulacros, fantasmas, conceptos que entram em loop, voltados sobre si próprios, moldados pelo vazio, essa espécie de buraco negro que leva a uma dobragem circular. Amar é sentimento, apenas, dos vivos. Para aquele que sabe que a razão não é tudo, não conhece tudo, não domina tudo e, ainda assim, permanece-lhe fiel,  nada há, para além dela, apesar da sua exíguidade. Outros, haverão, para quem há muito mais do que a razão. Foi a esperança que esgravatou o ouro. Mas haverá algum tesouro escondido na morte, para além de um mero conto de fadas ? Por tanto se luta, na vida, para obter e manter e, afinal, nada se leva para a morte. A amputação moral dos que partem faz parte da vida. Os mortos foram inteirinhos ou às partes para o outro mundo, aquele do ponto final. Crer ou não crer nunca será a questão. Cada qual escolhe o percurso da sua alienação. Ninguém tem amor, fé ou razão, mas, enquanto vivos, experimentamos algo e construimos histórias sobre isso. A narrativa somos nós, desde o prelúdio até ao terminus.Nem os loucos perdem a sua identidade única. Todos vivemos a nossa própria biografia. Dir-se-ia, que a habitamos e forjamos linguagems para a expressar. Em suma, seja crença ou razão ou, ainda, até, ambas, haverá sempre um relato, um linguarejar sobre os actos, sejam eles cônscios ou não. Cada instante é toldado pelo que chamamos consciente e inconsciente em viagem pelo mundo. O mundo é uma miragem do discurso e,  ao mesmo tempo, uma passagem para o fim do mundo.

O Amor diz-se vivo!

Às vezes

O amor não se vê

Não se sente

Não está próximo

Nem presente

Mas, está vivo, simplesmente,

Recolhido,

Consistente,

Disponível,

Existente,

Em espera

Para se manifestar

Se consumir

De se realizar

Junto, perto, livre

Chegando

Não estando

Estando

Aguardando

Proliferando

Distante, escondido

Sem qualquer aparato

Qualquer exibicionismo

Simples

Comedido

Discreto

Honrado

Doado!

A Análise, o que é? Um detalhe. Seguido da capacidade de falsificar!

Analisar, não é compreender. A compreensão engloba muitas possíveis análises e, é um processo dinâmico em transformação, tal como as análises mas, distinta delas. A compreensão muda com as análises e outros fatores. Às anàlises que se mantêm juntam-se outras novas ou regeneradas, que alteram toda a compreensão ao alterarem significativamente toda a disposição (de dispositivo ou modo) mental. Temos análises, restritas, difusas, abrangentes, exaustivas, figurativas, instantâneas, comparativas,etc. Todas elas, são detalhes, por muito que detalhadas. Como se diz reestrita ? Análise de 3 ou 4 fatores, como exemplo. É curto, precário, demasiado compacto, ínfimo, acrescentaria. Análise difusa, pode ser extensa ou intensa mas, desordenada no seu constructo ou na incoerência dos seus resultados que, podendo ser verdadeiros, apresentarão um aspecto inconclusivo por não se interrelacionarem ou articularem  coerentemente entre si. Análise abrangente ? Qual é a amostra à partida ? Já se conhece a cardinalidade do tópico a estudar ? É um, o tópico mas, podem ser múltiplas as abordagens. Abrangente, pretende ser geral,  maioritário, quase completo, quase exaustivo. Quais são então as capacidades empregues e as limitações ? Qual o critério que define o máximo e o mínimo de factores de análise ? O que indica a exaustão ? Exauriram-se todas as possibilidades, perspectivas, vertentes ou, exauriu-se ou exauriram-se a ou as capacidade(s) do(s) analista(s) ? Em todos os casos, qualquer análise, não passa de um detalhe! Toda a relevância depende da importância desse detalhe, numa compreensão mais vasta de todos os detalhes. Análise comparativa ? A pertinência ou congruência e até mesmo, a incongruência,do que se vai comparar é fundamental. Existem, mais uma vez múltiplas possibilidades. Comparando, quer pela positiva como pela negativa, nunca há lugar a um esgotamento das relações possíveis ou impossíveis de estabelecer. Lembrei, a análise combinatória, que em matemática está demonstrada mas, que, na sua aplicação prática, compromete toda a completude de uma análise da realidade. Podem haver combinações ocultas ou desconhecidas ? Sim. Podemos nem sequer estar a referir-nos às disposições, não enunciáveis mas, a disposições completamente desconhecidas. Óbvio, a suspeita de tais disposições não as torna automaticamente verdadeiras ou sequer existentes, apesar de, equacionáveis. Análises instantâneas ou se prendem com o instante ou, com a superficialidade da análise (se é que é atribuível, alguma superfície a uma análise que não seja geométrica?). Instantânea é fracionária, logarítmica. Em suma, analisar é um instrumento altamente complexo, uma ferramenta com múltiplos algoritmos que, só por si não determinam a dimensão do objecto-problema, a sua disposição, a adequação da conclusão mas, tornam parametrizável a ação e o esforço conduzido,  praticado, executado para extraír informacão pertinente à compreensão humana dedicada ao entendimento de um circunstancial ou determinado objecto. Mais, lembrei, da análise argumentativa.  Argumentos e contra argumentos, disputa e conclusão. Sic et non. Todos sabemos o que é um argumento, uma tese e as premissas, as outras teses que sustentam a tese conclusão. Há argumentos válidos, fortes, sólidos, cogentes. Não irei explicar. A razão, capacidade inteligente humana conhece-os. Cria-se uma teia deles, encadeada, coerente. Pretende-se dar uma explicação com base numa demonstrationem argumenti. O auto explicável e o auto compreensível são assim tão evidentes ?O  que pode constituir de facto e de juris uma análise ?