terça-feira, 7 de outubro de 2014

TRISTES TEOREMAS

«Não existe maior mal do que daquele que convencido ser possuidor da verdade proveniente de todo o improvável, tentando ajudar, se limita a dizer, não pense em seus males, reze! Pois é...E se desandasses patético do caraças ? Será que já ninguém tem o direito de sofrer sozinho ? Onde metes a minha salvação ? Salvar-me das actuais dores por recurso a um deus placebo ? Morrer ? Qual o mal disso? Continuar a viver mas sem cristos, maomés, budas, gurus ou mestres, tem algum mal ? Ah! Claro. Tu insistes naquela sórdida máxima pietisto-kantiana de que toda a liberdade acaba quando começa a do outro. Excelente. Agora, fica quieto. Segundo os meus princípios tenho que matar alguém. Então ? Afinal?....Onde está o teu respeito pela minha liberdade ? Ah! Pronto. Matar alguém não pode ser promovido a máxima universal. Por que não ? Mas, eu penso isso como universal e não és tu que estás em minha cabeça. Afinal, resolve-te, imbecil. Ou universal ou constrangido respeito, ou seja, na real, mais vale deixar cair a imbecilidade dos universais enquanto triste teorema.»[noético-05/10/2014]


domingo, 5 de outubro de 2014

INVISIBILIDADES

«Ele chegou a casa, bateu à porta e a cumprimentou. Contou-lhe como tinha corrido o seu dia e ela o escutou. Depois, perguntou-lhe o que tinha feito durante o dia e ela lhe respondeu que igualmente trabalhou. Mas, toda a casa estava maravilhosamente limpa e arrumada e isso, ele não notou. No dia seguinte ele voltou. Ela o segurou nos seus braços, o recebeu e o beijou. De novo ele lhe contou o que durante um dia realizou. Ela, atenta o escutou. Mas, a casa estava ainda desarrumada e, então, ele protestou. Os seus olhos não viam nada e o seu coração parecia empedernido. Aí, ela chorou e seu coração se afastou. A partir desse dia sua relação nunca mais resultou.» [noético-05/10/2014]

"He came home, knocked on the door and greeted her. Told him how his day had gone and she listened. Then he asked him what he had done during the day and she responded that she also worked. But, the whole house was wonderfully clean and tidy and that he did not notice. The next day he returned. She held him in his arms, kissed and received him. Again he told her what he have done during a day​​. She listened him attentively. But the house was still messed up, and then he protested. His eyes saw nothing and his heart seemed hardened. Then she cried and turned away his heart. From that day their relationship never resulted. "(noético-05/10/2014)


sábado, 4 de outubro de 2014

SEMPRE LIGADOS

«Há caçadores de atenção e de ideias e muitos outros tipos ou esterótipos que usamos para enquadrar-nos em qualquer círculo social. Dependentes somos todos, uns, mais ou menos que outros. Tudo depende, parece tornar relativa a noção. Do que se depende, à partida, convém não confessar. Parece, até, que alguns pretendem ocultar a dependência da crença de desejarem ser independentes. Deixá-los. A autonomia parece ser excelente, deliciosa, prometer outros vôos. Mas, no que toca aos afectos a lição parece ser, e estou certo que é, outra.»[noético-03/10/2014]

«There are seekers of attention and ideas and also many other types or stereotypes we use to fit in any social circle. Dependent we are all, each more or less than others. Everything depends on seems to make sense. What it depends, in principle, should not confess. It seems, even, that some try to hide the dependence of belief desire to be independent. Let them. Autonomy seems to be excellent, delicious, to promise other flights. But with regard to afections the lesson seems to be, and I'm sure, another[noético-03/10/2014]



WE DO NOT LIVE ONLY BY...

«We all do what we feel that we must do or at least we take an alternative behaviour still convinced that we are following our feelings and thoughts. Why do I say feelings instead of beliefs ? Because I'm sure that we don't just follow beliefs. But, who does that it's not wrong at principle. Sure we all know people that follow beliefs. Some get along with it very well. So why it is wrong to believe ? Why do we have to judge and reaffirm the superiority of facts and good thought? Why ? Is it fair ? If we look closer we'll find that facts and thoughts are not all of our existence. So it's also a thought and a fact that we don't just live by them. I'm I wrong ?[noético-03/10/2014]



NÃO HÁ SILÊNCIO

«O que é ser-se ? Certamente, que não se é uma profissão, apenas um nome, um lugar, um cooperar. O que se faz, não nos define. O que não fazemos, também não. Estranho ? Não. Quando tomamos decisões dizemos que a autenticidade corresponde à responsabilidade quanto às consequências  que assumimos perante os nossos actos. Mas, há sempre algo fora do universo da aceitação ou negação, fruto das nossas decisões, do qual não somos minimamente responsáveis. O ser quer ser, crescer, desenrolar-se. Isso, claro, não nos isenta de algumas responsabilidades - para algumas, porém, nem sequer estamos preparados para o ser, nem nunca o viremos a estar por mais que pretendamos - . Mas, também, quase ninguém passa a vida a correr atrás dos seus erros. Não chega para definição, por isso, essa visão resumida.
Provavelmente não caberemos em qualquer definição...E ainda bem. Pela minha parte, odiaria ser conhecido ou reconhecido como produto de aviário. Aliás, ser anónimo, basta-me. Não preciso de medidas de grandeza para me comparar. Ser, em português, significa, também, estar. Noutras línguas, isso, não tem qualquer sentido. Não desperdiço por isso a riqueza da minha língua que aponta caminhos bem diferentes dos literais - luteranos - pensares. Só, é nunca se estar só. O silêncio absoluto só existe quando estivermos mortos. Por agora, fico-me pelas pausas e por esses caminhos entre notas musicais, vivendo nos interstícios, tentando andar à chuva sem me molhar.»[noético-03/10/2014]


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ONE FOR THE ROAD...

«Não consigo conhecer qualquer emoção ou sentimento alheios. Trata-se de uma cegueira que só se perde quando alguém nos presenteia, através da sua expressão motora, a intensidade e realidade do que sente. Mas, quanto a isto, os estudiosos da língua ficam completamente de fora, pois, nem sequer, o que está em causa é, a coincidência entre as palavras e as emoções ou sentimentos. Isso, é apenas, uma forma de entendimento marginal.»

«I can not know any emotion or sentiment of others. It is a blindness that is only lost when someone gives us, through its motor expression, the intensity and reality of what they feel. But as for this, the scholars of the language are completely out, because what is at state for them is only the coincidence between words and the emotions or feelings. This is just one way of marginal understanding.»[noético-03/10/2014]


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

HÁ ESCOLAS QUE SÃO GAIOLAS E HÁ ESCOLAS QUE SÃO ASAS


Artist: Ben Hall
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.


Rubem Alves


O ESPECISTA SEM ESPÉCIE

«Uma simples conversa põe-me a bradar contra todos os filósofos. Estes, primeiro que tudo, são semelhantes mas, não iguais, a todos os outros homens, ao ponto de, para eles, não existirem sequer outros homens. Estranho ? Porquê? Por que os «outros» não podem ser colocados, indiferenciadamente, no mesmo saco, diga-se, ilustradamente, conceito. Ahahah...Mas...O tema, não era outro ? Não! Não existe nada disso a que se chama indiferenciadamente recipiente, designadamente, um outro. Opá!...Assim, com o que é que me comparo para satisfazer o meu culto de me diferenciar ? Na vida, deparas com toda a espécie...Claro, eu, sou um especista. No entanto, o eu, não tem sequer espécie. Isso, seria, por analogia, colocar a espécie dentro da mesma marmelada em que se coloca todo o indefinido. Afinal, se quisermos factos, só nos sobram sombras e, a definição, não é mais que o desespero que qualquer impostura procura impor ao tempo.»[noético-01/10/2014]


O VÍCIO DO QUADRADO

«Estamos tão viciados que até parece que todo o pensamento se resume a um quadrado. Pensar bem ou mal. Pensar verdadeiro ou falso. Eis as ruínas dos nossos frágeis pilares...Em breve, falarei sobre os existenciais e universais operadores do discurso que também se baseiam num quadrado, não o mesmo, mas apelidado o único. Tu acreditas que é o único ?»[noético-01/10/2014]

«We are so vicious that we think that all thinking resumes itself to a square. To think well or wrong. To think truthfully or badly. Here are the ruins of our own thought.Soon I'll talk about the Universal and Existencial operators in discourse that also are based in a square, not the same, but called the one. Do you believe it is the one ?»


LAUGH TO UNDERSTAND

«Do you know what is to laugh ? Yes, we all laugh for a million reasons. But laughter is present in all those moments. Why ? Because when we laugh we are near to understand. Understand what, we may ask ? That answer I leave it up to you.»[noético-01/10/2014]


IT'S ONLY LOVE

«It is love, not curiosity, that lead us to expand.»[noético-01/10/2014]







JUST LIVE

Artist: Lídia Vives
«O único sinónimo que encontrei na vida para ridículo é, não a viver! A vida é demasiado preciosa para se ter que conjugar com mais adjectivações tais como a célebre mas pirosa e perigosa noção de a saber viver.»[noético-01/10/2014]

«The only synonym that i've found for ridiculous is to not live life. Life it's too precious. It doesn't need no other adjectives, inclusive the well known, kitsch and dangerous saying, we need to know how to live.»[noético-01/10/2014]



UM JARDIM POR PLANTAR

Pieter Bruegel - Torre de Babel
«A minha cultura não é dos livros nem é dos contra-livros, é a que é. Duma coisa, ninguém me faz abdicar, pensar por mim! Nem sequer lamento isso. Nada tem a ver com o valor ou não do que penso ou digo. Mas fica expressa para sempre, pelo menos entre os meus familiares e amigos que não presto mais contas a ninguém, sobre isso. Ser criticável, até parece bonito, feliz, para quem conhece outros caminhos que implicariam um verdadeiro revisionismo de mim próprio. A elasticidade, tal como a plasticidade e, não me refiro apenas à herança genética de que sou portador, tem os seus limites. Prefiro viver limitado mas com horizontes do que viver alucinado ou assombrado por luzes para além da minha própria visão.» [noético-01/10/2014]


ERRAR É TAMBÉM APRENDER

From: Metamorfose Digital - Fotos surrealistas
«Eu estou aqui mas, não estou em lado algum. Aliás, eu, é apenas o mote para que me dirijas a palavra. Se nem sequer isso me fizesses, que importância teria ser mais um eu ? E que importância terias tu, para mim, também ? Toda a nossa posição em relação é discutível. Adoro, alucinações de continuidade. Faz-me pensar no mundo que é, dizem, sempre histórico, sujeito à visão que os períodos de dominação estudiosa nos fazem compreender. Sim, não percepcionamos pelos sentidos. Fazê-mo-lo sobretudo através dos conceitos que nos permitimos veicular. Não podemos experimentar tudo, nem estar abertos a tudo, embora efabulemos muito quanto a isso. Se me disseres o contrário, saberei que estás a mentir ou a inventar o que ainda não criaste. Mas, descansa, enquanto não te desenganares, continuarás ainda assim a aprender. O desengano, afinal, também faz parte da aprendizagem. E por agora fico-me só por aqui...Não! Não foste tu que me fizeste parar. Nem (eu) enquanto vivo pararei, nem tu, o impedirás.»[noético-01/10/2014]


DESVARIO

Artist: Mike Harrison
«Bem tenho que descompensar...Termo psicológico que significa, ele vai desaguar a outros lados, não previstos...Excepto na sua previsibilidade, dirão. Ahahahahah...Mas, bem contadas as coisas, nenhum desvario é similar a outro, eis o erro do conceito! Aprendam...»[noético-01/10/2014]


O NAUFRÁGIO DO DOGMA

«Foi-te dito que alguém seria teu porto de abrigo. E tu cresceste com o sentido que terias que agradecer a cada marinheiro que te salvasse de um naufrágio. Enganaram-te! És órfã da verdade, por que os factos, nunca são como os homens os contam, antes, simplesmente, o que aconteceu, embora, até isto, possa ser mera efabulação. Alguns factos, raros, são indesmemtiveis, pois dizer que são indiscutíveis tem um significado diferente. Um facto é sempre um facto, indesmentível mas, muitas vezes, altamente discutível. Por isso percebo a polémica quanto aos factos mas, rejeito, liminarmente, a discussão sobre a sua factualidade. O dogma, não é, neste caso, um dogma mas, sim, o produto de uma vivência real e de uma ou várias convicções que nada têm a ver com qualquer crença ou superstição inventada ou melhor, propositada, ainda que possa, no caso humano, ter existido um propósito para que tal facto se tenha realizado. Mas, há, por isso, talvez que distrinçar entre factos, acontecimentos, eventos e artefactos. É que, muito daquilo que chamamos factos são na realidade artefactos. Porquê artefactos ? Por haver arte neles? Talvez...Mas, sobretudo, existe neles, muita artimanha. São realidades que acontecem mas, são reditas sem correspondência real entre o que sucede e a palavra. Não existe assim qualquer desígnio ou designador que não seja o homem. Não existe sequer qualquer corrector, embora, isso faça também parte do ridículo das nossas personagens. Sim, é verdade. Mas o que é a verdade ? Certamente que não é o meu ponto de vista, nem o teu, tão pouco. Mas, também é escusado pensar que ela pertence aos estudiosos, santos ou eruditos. Fazer as coisas resultarem ainda que se conheça um só modo de as fazer resultar, não torna essa via uma verdade absoluta, nem a única via para o fazer, embora, possamos com a nossa natural tendência para seguir rumos fáceis, aproveitar esse modo inventado, para o realizar. Por isso, mais vale esquecer o dogma.»[noético-01/10/2014]





WHAT IS A LIFE ?

«Everyone knows very well what is his life but when asked about it, truthfully he won't have probably a word that can define it.»[noético-02/10/2014]





quarta-feira, 1 de outubro de 2014

BOOKS OF WAR



«Não aprecio ler romances ou capítulos de livros que falem sobre a guerra. Não consigo entender, como se consegue constituir qualquer forma de interesse a partir desse tipo de relato baseado, unicamente, na exposição do horror de seres acossados, despojos cadavéricos e miseráveis, como se tudo isso constituísse a consumação do apelo à bravura e heroísmo humano!? Nem sequer, a resistência e a luta contra a morte ou, simplesmente, pela vida, denotam qualquer pormenor que possa ser adjectivado como glorioso ou corajoso. Contudo, muitos autores insistem nessa temática. A resiliência humana face à morte e ao sofrimento causados pela selvajaria humana. Nem mesmo, o interesse histórico pelos factos praticados pelos homens, nessas circunstâncias, me consegue fascinar. Não existe nada a relatar e se o há, revela uma espécie de sadismo do escritor face ao leitor que, desprevenido, cai na armadilha masoquista do autor que apenas se deleita em remexer em feridas. A guerra, não tem nada para embelezar ou enaltecer, não passando de mais um projecto humano falhado. Tirar vidas, que engraçado! Que medíocre manifestação de poder, que humilhante forma de exercer a humanidade!»[noético-01/10/2014]



TO LEARN OR NOT ?...

From Facebook:  Daily Photos
«I'm always learning. What I really don't know is if I'm learning everything right starting with my own ignorance and suspecting that not all the lessons that someone can teach me are in fact worthy to be learned ? !...»[noético-27/09/2014]


















             






AUTENTICIDADE

«Ser-se autêntico só é possível quando se é genuíno ao longo do percurso de uma vida. A mentira, nada pode fazer contra isso, ainda que, todos nós, por vezes ou tantas vezes, nos tenhamos socorrido dela. Quando conhecemos uma pessoa real tudo isso transparece. A honestidade, não consiste em nunca se ter mentido mas, sim, na fidelidade que ao longo de uma extensa vivência, se manteve consigo próprio. E, de súbito, esse real que experimentamos no contacto com uma pessoa manifesta a espessura de um tempo. Um tempo de mudanças e decisões, cuja aparente dissonância faz, apenas, parte da partitura de uma única e singular totalidade de pessoa. É então que essa pessoa ganha,  para nós, contornos de beleza que nos maravilham.»[noético-30/09/2013]