«Não aprecio ler romances ou capítulos de livros que falem
sobre a guerra. Não consigo entender, como se consegue constituir qualquer
forma de interesse a partir desse tipo de relato baseado, unicamente, na
exposição do horror de seres acossados, despojos cadavéricos e miseráveis, como
se tudo isso constituísse a consumação do apelo à bravura e heroísmo humano!?
Nem sequer, a resistência e a luta contra a morte ou, simplesmente, pela vida,
denotam qualquer pormenor que possa ser adjectivado como glorioso ou corajoso.
Contudo, muitos autores insistem nessa temática. A resiliência humana face à
morte e ao sofrimento causados pela selvajaria humana. Nem mesmo, o interesse
histórico pelos factos praticados pelos homens, nessas circunstâncias, me
consegue fascinar. Não existe nada a relatar e se o há, revela uma espécie de
sadismo do escritor face ao leitor que, desprevenido, cai na armadilha
masoquista do autor que apenas se deleita em remexer em feridas. A guerra, não
tem nada para embelezar ou enaltecer, não passando de mais um projecto humano falhado.
Tirar vidas, que engraçado! Que medíocre manifestação de poder, que humilhante
forma de exercer a humanidade!»[noético-01/10/2014]

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