sexta-feira, 11 de outubro de 2013

CONTRA A CARTILHA DA «LUZ»

Os relacionamentos não são de forma alguma uma «mecânica». Nada funciona entre pessoas como uma máquina. No entanto, muitas indústrias de salvação e agências de marketing vendem hoje as suas novas vulgatas no formato de «ABC da felicidade». A psicologia aliada às corporações e aplicada às populações preconiza metodologias de todo o tipo supostamente conducentes a um certo tipo de felicidade.
É óbvio que gozar-se de alguma boa saúde, física ou mental é fundamental para a vida, assim como o é para a produção, para o consumo e para os impostos. Mas, isso não invalida que quem não possa gozar de boa saúde física ou mental não seja útil, necessário e que mantenha a sua dignidade e validade enquanto pessoa.
Vendem-se, então, receitas de todos os tipos que passam pelas dietas, pelo desporto, pelos tratamentos estéticos, clínicos, etc. O que por aí não falta são escolas, manuais e pregadores da boa saúde, do bem-estar e da felicidade. A propaganda tende ou parece tender a ser toda orientada pela «positiva». Mas de facto, esse «positivo», ou seja, uma versão dos factos que parece estar sempre do lado do benéfico, do bem e do bom, à boa forma platónica, esconde por detrás outros malefícios, que convém não ignorar.
Uma das récitas dessas escolas preconiza frequentemente que para que os relacionamentos sejam bem-sucedidos, e entenda-se que até aqui funciona a lógica do sucesso, é necessário que alguém adquira e permaneça num estado anódino e de equilíbrio.
Uma plêiade de vendedores de papel higiénico das coisas mentais parece quase fazer crer que a existência humana se rege apenas pelas regras de um mercado orientado em exclusivo para os seus produtos mágicos.
Não está em discussão o que é óbvio. A saúde, assim como a higiene são importantes para o bem-estar das pessoas, mas, atrevemo-nos aqui a dizê-lo, não o serão tanto para a sua felicidade.
O reverso do individualismo alardeado parece ter o seu apostema nos problemas de autoestima. É, pois, compreensível pensar, que os relacionamentos humanos beneficiarão certamente de quem possa estar bem consigo próprio. No entanto, a vida é conduzida e vivida na sua grande parte em situações de desequilíbrio e sempre, mas isso quase certo em estado de incompletude e de inacabamento permanente.
Por vezes, mesmo sem equilíbrio, angustiados, deprimidos, em fase negativa, ou em situações extremas ou não de miséria, de dor e sofrimento, o ser humano é ainda capaz de prestar o melhor auxílio ao Outro e dos gestos mais generosos, abnegados e dedicados. Isso ocorre a todo o instante.
Conhecem-se sobejamente os exemplos de quem quase nada possuindo ainda assim reparte com os seus pares. Sucede igualmente em outro tipo de relacionamentos, como nos que existem entre pais e filhos, embora nem sempre.
O facto é que, pensando desse modo, i.e., que vale a pena esperar por «esse ínclito estado» de equilíbrio ainda não atingido, poderá ser mais uma outra forma de fugir aos relacionamentos, de adiar opções e factos que temos que enfrentar, ou até de ocultar subtis formas de egoísmo.
[noético-11/10/2013]

A PERFEIÇÃO

«A perfeição existe, e é única, mas não se trata de nada divino ou de algo que não pertença ao próprio momento pela sua volátil singularidade eternizada.»
                                                                         [noético-10/10/2013]

O EXTERIOR

«O que vem de fora nada mais é do que aquilo a que permites a entrada ou que se te depara enquanto procuras e vives ou ainda, simplesmente, tudo de que ganhas distância.»
                                                                         [noético-10/10/2013]

SEM SILÊNCIO

Ian Gamache - Life in the Aquarium
«Cada um fala sobre o mundo segundo aquilo que sabe ou desconhece.»
                                                                      [noético-10/10/2013]

UM FOGO NUNCA EXTINTO

«Foi tão vivo e profundo o nosso amor que hoje ainda dele se libertam fagulhas de um fogo há muito extinto. Maravilhosos momentos que apenas a morte poderá levar da lembrança. Hoje estou de luto...E a alegria invade-me deixando os raios de Sol penetrar através dos poros deste tronco ôco. Um dia também a noite se encontrará com o dia» 
                                                                         [noético-10/10/2013]

terça-feira, 8 de outubro de 2013

WALKING THROUGH LIFE II



«I'm learning to walk sure that at each step I will find both mixed up the known and the unknown. Therefore, I do not need in advance to have all certainties or all my future egos completed and at my disposal or that I will reach fullfilness or just one single form of happiness or way to move on. If I would reach at some point completeness I would not have any other chance to give another step. Therefore, some uncertainty as well as emptiness makes part of the journey. Therefore I will stop my need of getting all at the same time, as Descartes told to stop wishing beyond understanding and demand everything right now and for today. Heaven and hell can wait. Meanwhile I will learn how to build my own consistence with the meaningful small parts that I cross with in my pathways till I reach the end of the lines of life.»
[noético-08/10/2013]

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

WALKING THROUGH LIFE

«There are always shadows on our minds but clearness seems to gain over it. Nothing more dubious. We may be blinded by the light and still see in the darkness. The power of light is indeed strong and it attracts us like bugs to it. Therefore, we may be walking to blindness instead to enlightment pursuing just the light. Sometimes we need darkness in our lives and also some dimness. It is not all black or white, colorful or colorless. The gradients of life mixed with our expectations shape our emotions and feelings and also direct our thoughts towards new directions earlier unthinkable. Our will is helpless against these confluent waves of energy. We are not the owners of ourselves though we keep stubbornly wasting our strength pursuing the control of things. It is a waste of time. In that attempt we build up marvelous things, like love, friendships, literature, music, painting, sculpture, architecture, engineering, science and even create gods and religions filling the all firmament in the attempt to escape to void and loneliness in this far planet lost in the vastness of the universe. We can feel emptiness despite of being filled and we also can feel filled being almost empty. However, in the process we also create hate, grief, pain, trash, violence, wars. No education, magic counseling, excess of any kind whatsoever can provide us with the meaning of our own lives. We cannot only live with just one side/part of life. It is not being selfish or violent, superficial, or joyful sometimes that is the big problem. We need both what you call our good and bad feelings to survive and live. Perhaps we expect too much of ourselves and a big lot of the others towards the size of the task we propose to achieve. So being humble toward our neighbors and stop putting our ideals, goals, will and objectives in front of our human and non human beings, learning how to forgive lapses, disabilities, mistakes and failures either in us or in our fellows seems to be the hardest way to go but maybe also the only available if in fact we seek the path of greater peacefulness which is not limited to a simple passivity or to a mere pacifism. We also must stop the fury that lead us into unrestrained action to get, to control, to achieve power over everything moved almost exclusively by our deepest fears. I think that this is enough for now to me today.»


sábado, 5 de outubro de 2013

A POESIA NÃO É PARA SER CONTRADITADA

"O bom do caminho é haver volta.
Para ida sem vinda basta o tempo."

Mia Couto — com Gilmar Moreira.

«A poesia é também ideologia. O que é bom não pode ser ela a definir ou a designar. Nada aponta para que o que é bom resida apenas exclusiva e necessariamente num regresso mas a poesia não é criada para ser contraditada. Tem a sua única e exclusiva lógica não abarcando a riqueza da diversidade possível de sentidos. No entanto arrisco-me aqui no entanto a contrariá-la.»
                                                                                                                              [noético-05/10/2013]

  
 

O AMOR E A GUERRA

«O amor e a guerra são acções exclusivamente humanas que pertencem ao reino do sapiens e não extensíveis aos outros animais não humanos. Isto não exclui no entanto os animais não humanos de possuirem a possibilidade de exibirem ainda que de forma limitada expressões de afecto e de algum raciocínio. Já encontraram qualquer outro animal que não seja o homem a escrever um romance ou a dedicar uma poesia de amor ? Eu, não! E também nunca vi qualquer outro animal desenvolver tamanha tecnologia  para fazer a guerra aos da sua própria espécie.»
                                                                                                                               [noético-05/10/2013]


A FUGA DA PRESENÇA


«Lembras-te quando me disseste que o amor não era sentir uma falta ? Pois considero que tinhas razão. Mesmo o desejar a presença dos entes mais queridos sejam eles pessoas, animais, personagens de um livro, do teatro ou de um filme não é ainda o amor, mas a carência que o desejo provoca. Isso é como quando dizemos que "temos alguém" e ficcionamos a sua presença de diversos modos. Podemos ter alguém ou algo presente nas nossas vidas e faltar-nos a sua presença física. O inverso também é verdade. Podemos ter e sentir a falta de algo ou alguém na sua real presença física. Pois é...Também nada disso é amor. Refiro-me ao ter presente...Ter-te ou não presente na minha consciência não tem nada a ver pelo menos necessariamente com amor e tu sabes bem como te amo, amor.»
                                                                                                                               [noético-05/10/2013]


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O FUTURO TEM PASSADO

Guimarães - npa@2013
«Por que te anuncias minha espera? Por que te demoras sem chegares? Por que te suspendes sem pousares? Por que te alongas no meu tempo diluindo-o em aguarelas? Imagino-te a partir do nada, como se escrevesse numa folha em branco, colorindo-te em cada palavra…Quedar-me-ia nesse livro se a tua inefável tinta adquirisse a mais ínfima substância… Frescos e tranquilos permanecem os campos em que as tuas raízes permanecem. A ternura cobre-se de castanho e de ouro reluzente como um desejo cadente cruzando a Via Láctea que almeja o regresso à terra mãe. Eu, não sei um poema para te segredar… Eu, não sei poetar. Não sou poeta. Mas a alma da poesia passa por mim quando te leio os gestos lânguidos e tranquilos buscando o consolo ameno de um entardecer outonal. Levas-me contigo a festejar para junto de uma nascente em que tudo verdeja e floresce perto do brilhar transparente de águas cintilantes. Acordas-me e adormeço. Caio em sono profundo. Adormeço cativo da penumbra e das sombras de um bosque e inspiro o perfume amoroso dos campos humedecidos pelas chuvas recentes. Guardarei sempre na memória esses caminhos em que preparei um lugar para te acolher…É por isso que o futuro tem já hoje, uma história.»
                                                                                                                               [noético-04/10/2013]

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SABOROSA NOSTALGIA

«Nostalgia...Sim, nostalgia. Nostalgia de pessoas, de odores, de lugares. Nostalgia de experiências partilhadas. É o que sinto e gozo. Sim, gozo, pois, não se trata de chôro ou revivalismo que me impeça de viver o presente e ficar atolado no passado. Mas, sim...É nostalgia. E divirto-me com o seu picante adoçicado, delicioso, saboroso, gostosíssimo!...Hum...Que bom! Que bom que é viver a vida com tudo o que ela tem, sem deixar de fora nada...Até mesmo a lembrança não pode ser menosprezada.»
                                                                                                                               [noético-03/10/2013]


A FALHA

«Se nada houver será que poderá existir tudo? Não consigo adormecer com este dilema...Queria ainda aspirar a ser feliz...Ainda quero...Mas estou tão saturado de querer...E queria de facto saber se algum dia o for, se o saberei ? É que todos os dias vou-me encontrando outro pelos caminhos, e desejando sempre, o que ainda não sou...Sabes?...Quem me dera...Quem me dera saber viver ainda e só apenas o que sou...Mas prefiro antes pensar que falhei a minha busca da felicidade a admitir que estou tomado pela vertigem de buscar em vão esse outro ouro que em lugar algum existe. É que isso seria mesmo cão! Será que estou a aprender a ladrar ?»
                                                                                                                              [noético- 03/10/2013]


 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AMENA EXISTÊNCIA

Artista: João Beja - Fernando Pessoa
«Eu tenho essa vantagem de ser indiferente. Tão indiferente que ligo a toda a gente. E é isso mesmo que me torna assim. Nunca se é para toda a gente, embora se seja sempre para alguém, alguma coisa, algo a que muitos chamam pessoa. E é por isso que os pedaços que sou e que outros recolhem, são fragmentos, estigmas do fogo da existência, cuja temperatura lhes garante a ilusão, da amenidade da vida.»
[noético-02/10/2013]












A DOR SEM ANTRO

Egon Schiele - Merveille
Dor, por favor , não te enamores de mim
Não me desejes , nem me esperes
Que eu não tenho destino marcado
Nas horas que iludo ao ser…
Dor, por favor, não me sigas
Não te esforces tanto
Por me acorrentar ao tempo.
Por me prender a ti.
Que eu, de mim ausente
Te iludo o lugar em que tu não cabes,
Cá dentro… [Só é deserto].
E o espectro de te ver aproximar
Apenas me traz alento.
Mas é terreno incerto
Rochedo em pó
Lamento.
Dor, tu não queiras saber…
Tu não queiras entrar
Pela linha que não se abre
E que sem horizonte morre curvada
Sobre o seu próprio ventre.
Não, dor…Por favor…
Não te concedas vidas para mim!
[noético-02/10/2013]


AMASSAR O PÃO

Alex & Marine
«Há um mito de que o pensamento nos leva a algum lado. De que uma ideia é uma espécie de autocarro turístico em que se viaja até terras exóticas desde que se adquira um bilhete de ingresso. Há um mito. Mas não está só. Há muitos mais mitos. Há um mito de que ver é o mesmo que ser. Há um mito da necessidade de se ser. E fora os mitos, só restam mais mitos e pouco mais. Os mitólogos encarregam-se de os colorir, de lhes conferir textura, forma, figura, massa, força, movimento, energia, whatever... Whatever, não parece bonito... Incomóda ser-se estrangeiro na terra das outras palavras. Mas, tenho dito.»
                                                                                                                               [noético-02/10/2013]


sábado, 28 de setembro de 2013

CHOVE O QUÊ ?

«Estão sempre a dizer que aqui chove. Estão sempre a dizer que se a chuva não parar será pior ainda do que o Dilúvio. No entanto, olho em volta e aqui nada mais há senão o deserto. Por que pensas que têm a necesssidade de mentir tanto?...»
[noético-28/09/2013]







O AMOR NÃO É TRANSACIONÁVEL

«Quando se gosta de alguém isso não significa que tenha que se ser retribuído. No entanto, esta ideia parece um pouco contra-intuitiva. Aliás, na vida gosta-se sempre de muita gente e de muita coisa sem que se espere ou obtenha compensação proporcional. Mas, mal de nós se assim não fosse, pois nem aprenderíamos a amar fosse o que fosse. Se sempre esperássemos retribuição e a obtivéssemos à nossa medida seríamos uns seres estragados para a vida. Muito provavelmente, mesmo não sendo retribuídos na mesma proporção, seremos ainda seres estragados para a vida. A ideia de investir no outro é uma ideia comercial. Quem investe no outro não o ama nem o respeita, apenas arrisca no outro com o intuito de beneficiar, de lucrar com ele. Mais uma vez ganhar, nestas circunstâncias, parece natural . Mas, aprende-se muito desaprendendo. É preciso desfiar este novelo. Quem espera, exige, impõe fasquias, constrange ou pretende constranger, aguarda pelo troco. Há muitos amores destes que se compram e vendem em supermercados onde as prateleiras estão repletas de emoções em promoção. Só por engano ou ignorância é que o verdadeiro amor é um bem transacionável.»
[noético-28/09/2013]


 
Music: 8.5 Souvenirs - My Baby

DÓI-ME O TEU EXCESSO DE NADA

«Não precisas de apagar as tuas marcas, o tempo fará isso por ti. A simplicidade derrota-te a cada novo entusiasmo, nova prosápia, nova estátua que ergues. Sabes bem o vão que tudo isso é. Não é contudo o tempo que te mata. É o desejo que te consome. Compreenderás um dia que vives e morres pela mesma razão. Fugir de ti, da tua natureza é inútil, impossível. És livre? Primeiro terás que encontrar a liberdade e só depois a poderás desfrutar. Possuir pensamentos não significa o mesmo que ter ideias. A maior parte do tempo, tu não fazes a menor ideia do que se passa e do que se te passa. Só quereres não chega. Mais do que querer não há. Pena? Nenhuma. Condoer-me-ei por ti se persistires assim. Não me dói o que não tens. Doí-me antes o teu excesso. E tu queres e queres-te demais. És uma discípula da vontade. Acreditas piamente que partiste e que um dia irás chegar. Nem sabes aonde, mas crês. Crês que viajas, crês em tudo e mais alguma coisa. De malas e bagagens imaginas-te a viajar. As ninharias acompanham-te por toda a parte, fazem parte da tua mochila, da tua casa, da tua psicologia, da tua ambição. Não enxergas?... Partes tal e qual como és, e tu, não és assim tão diferente do caracol... As tuas duas pernas não chegam para enfrentar a existência. Mexer não é o mesmo que esbracejar e isso nem se compara com o abraçar. Mas, desengana-te. Abraçar não é o mesmo que estender os braços para segurar alguém. Isso é apenas suplicar. E tu suplicas muito, muito, muito. Vives a suplicar o céu e o inferno conforme te debates com esse vazio monstruoso que habita as tuas entranhas. Esgaravatas, escarafunchas, picas e arranhas. Imaginas que unhas são garras que te prenderão. Que dedos são pinças que te susterão. Que um dia a beleza cobrirá como um manto toda a Terra...Sonha, continua a sonhar...Nunca é demais sonhar mesmo que isso signifique que muito sangue se verteu em nome do que dele cresceu. Mas, se me permites, enquanto tu sonhas, eu prefiro evaporar-me.»
                                                                                                                               [noético-28/09/2013]

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

EM MEMÓRIA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924-2013)

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

sábado, 21 de setembro de 2013

ENJOY LIFE


NEITHER THE ONLY OR THE ONE TRUTH

«We can not say yes or no if we ever know all about the Universe or Multiverse as now some scientists state. Meanwhile we know what we know and it is possible to know and that is the best we can and we are in the chapter of knowledge. One thing is beautiful. The Big bang theory so fastly adopted by the Vatican guys with their philosophy of the «Verb» according to the Bible «Fiat Lux» is losing ground. And that for me is a victory of science over dogmatism and superstition!»
                                                                                                                               [noético-20/09/2013]

VIVER POR INTEIRO

«Tu sabes bem que já aprendeste a viver com o teu outro lado. Já há muito que entendeste que a harmonia não é passividade nem um mar de rosas. Quem quiser que pense assim mas que se desengane depressa. Um violino com cordas afinadas continua a ser um violino e pode tocar peças com ritmos e melodias muito díspares. Nunca será um piano e vice-versa. Um dia estás calma e tranquila e outros irritada e intranquila. Assim, a música será diferente. Uns dias podes ter muito a dizer e outros nada mesmo que valha. Não se é todos os dias igual. A coerência vem de afinares as cordas do teu instrumento e não das melodias que nele tocas. Seres um violino ou um piano ou um saxofone ou outro qualquer instrumento afinado. Se quem contigo convive não entende isso, paciência. Não vais desafinar o teu instrumento por amor às audiências ou para as salvar. Ninguém te escutará depois de morta. Por isso, aprendeste a viver também com a raiva, o sofrimento, a revolta e não apenas com um sorriso forçado cravado nos lábios. Tu sabes que nunca serás uma perfeição ou um poço de virtudes. Não foste feita para desistir de ti. Seria bom que a hipocrisia já tivesse tido o seu tempo. Porém, pelo menos para ti, tu sonhas que ela se acabe de vez e preferes que temam antes a tua fúria honesta do que a tua raiva dissimulada. Tu sabes bem os danos que esta última atitude provoca nas relações com o tempo. Corrói-as. Para ti já basta de palavras. Tu passaste aos actos. Vives inteira e por inteiro e é tudo.»
[noético-21/09/2013]

DEVER AO TEMPO

«Não existem razões para exultar ou para escarnecer. A tua efemeridade é gritante. Limitado, demasiado limitado a ponto de nunca variares para além de duas ou três vertentes. E tanto, mas tanto tempo na demora em aprender da vida o vernáculo. Não podes dever tanto tempo. Não podes?»
[noético-19/09/2013]

O QUE FICAR DE PÉ

«Que fique de pé o que ficar. O que sobrevive não é certamente e sempre o mais claro ou o melhor, mesmo que seja o adaptado ou o sobrevivente a um holocausto nuclear. Inúmeros exemplos existem que o comprovam que não creio necessário enunciar. Neste sentido portanto as evidências ou o que é ou parece evidente valem o que valem. Ou seja, dentro do espectro do conhecimento têm também o seu peso relativo tal como tudo aquilo a que chamamos factos.»
                                                                                                                             [noético-20/09/2010]

terça-feira, 17 de setembro de 2013

MEMORIAL

«IN MEMORY OF ALL NEGLECTED THOSE WHO STILL DIE OF HUNGER, THIRST, PERSECUTIONS DUE TO RELIGIOUS AND POLITICAL REASONS, DUE TO ABUSES OF ANY KIND, DUE TO WARS AND LACKS OF SHELTER, FOOD OR TREATMENT... THINK FOR MOMENTS. AFTER ALL WHO ARE THE REAL TERRORISTS THAT WE MUST FIGHT?»

«EM MEMÓRIA DE TODOS OS NEGLIGENCIADOS TODOS AQUELES QUE AINDA MORREM DE FOME, DE SEDE, DEVIDO A PERSEGUIÇÕES RELIGIOSAS E POLÍTICAS, DEVIDO A MAUS TRATOS E ABUSOS DE TODO O TIPO, DEVIDO A GUERRAS E CARÊNCIAS DE ABRIGO, ALIMENTO OU DE TRATAMENTO... PENSEMOS POR MOMENTOS. QUEM SERÃO AFINAL OS REAIS TERRORISTAS QUE TEMOS QUE COMBATER ?»

[noético-09/11/2013]

FIDELIDADE ?

«Não sofro de incontinência moral nem de obstipação sexual...Ser-te fiel não pode implicar que te apropries do meu corpo e tornes subserviente o meu espírito. A confiança não pode ser construída sobre a submissão. Isso não pode consistir em amor. Lamento pelo teu equívoco.»
[noético-16/03/2013]



TU E EU SOMOS UNS OUTROS

«Vejo-te como aquela que se vê suceder em outra. A todo o momento, não estás em ti, viajante, portadora de nada. Rumas sempre, a cada instante, para outros lugares. Eu, nem ousaria segurar o que és, o inefável. Contento-me em amar de ti as tuas sombras e em seguir-te o rasto. E cada vez que te imobilizas, emerge em cada tua nova máscara, um corpo sem rosto... Assemelhas-te a uma andorinha ferida arrastando a asa, a uma nuvem gélida e petrificada. Tu e eu, nunca estamos em nós, por isso, nos desejamos tanto. Queremo-nos por inteiro porque nos sobramos um ao outro. Nunca nos poderemos conter. Nem mesmo quando nos abraçamos e beijamos ou fazemos amor. Nada temamos portanto.»
[noético-16/09/2013]


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

BOM DIA, AMOR!

«Há um som em cada toque, um abraço em cada respiração…Assim te descubro, desnuda, outra…E é delicioso ver-te despertar no leito da vida, sentindo vagarosamente cada partícula do teu corpo vibrar a meu lado… Bom dia, amor!»

[noético-09/09/2013]

PORTAS

«E agora ? Agora ?...Nada! É dificil decidir entre sofrer por amor ou amar e sofrer. Em todo o caso, todas as coisas parecem acompanhadas de perda e de luto quando nos surgem como significativas. Por que será que o que nos diz tanto, o que mais nos importa é o que mais nos agride e afecta ? Por que nos deixamos enredar nessa trama se a nossa lucidez o poderia ter evitado? Pois é, Lucifer não vence Cupido. A cupidez vence a lucidez. Manda nela. Mas a cupidez leva a dois extremos. Ou nos arremeça para o fundo das trevas ou nos projecta em delírio para um universo de alegria. Podemos trocar o nome às coisas que as viagens apenas se inverterão. Permanecerão os mesmos destinos. Luto ou sombra ? Há sombras que são lutos e lutos que não são sombras. E agora? Agora ?...Nada. Há que aprender a viver à luz, à meia-luz e na escuridão. Também corre sangue e se respira na escuridão. Pode-se sempre sair por portas por onde nunca se entrou e pode-se sempre, também, entrar por aquelas por onde nunca se saiu.»
                                                                      [noético-19/08/2013]

ON MY WAY

«Things can be different than i talk about them. Although it will be always the way i see things. It is not right or wrong but the only way, the way, my way of seeing things. My world even if raised on error will be true anyway because it is the only I have and can aspire. The one I live and will live. So when you speak about the truth at which do you refer ? A universal truth that I didn't recognize as such ? Sorry for spoiling your plans, if I didn't saw it along my life please don't insist that it is universal because it is not. At least in my world it never existed. To ignore a truth doesn't turn your thoughts and life a lie. Your ignorance may not a be a denial of something but just another way of the truth manifest itself by not being known by you.»
[noético-19/08/2013]

A FICÇÃO DO NÓS


«A ficção do nós deu-te forte...Existem tantas combinações possíveis do nós como existem dos eus. O truque, já que não sou amante de segredos nem de mistérios está na relação ou se preferires na equação. Por isso, quando falas de nós nunca sei situar-me de tão escorregadia que me sôa a tua voz.»
[noético-07/09/2013]


QUERER VER PODE SER UMA CEGUEIRA

«I still have a heart although I do not need to show it all the time. You know...Nothing is visible all the time not even you. Don't you believe it ? Then let me ask you this... When you close your eyes and you go to sleep are you still visible to yourself ? Of course not. So most of the time of your life you spend it without seeing yourself and still you keep on living. That is why it is not so important that I show you my heart all the time. You must live and survive to that natural blindness.»
[noético-13/09/2013]