quarta-feira, 8 de março de 2023

Abjecto e absurdo

 Serhii Nuzhnenko/Reuters
                  

Biliões para construir armas e desperdiçar vidas mas, a mente, embora compreenda pela negativa, não entende e, não só admite como permite.
Biliões não são tostões ou cêntimos que  em vez de serem gastos para salvar vidas da fome e/ou da guerra ou até mesmo de catástrofes naturais inevitáveis apenas servem para assassinar. 
Desgraça, absurdo, abjecto mas, consentido e praticado.
O Homem é um ser doente, só pode. Como mencionava um aviso num guichet, a estupidez não é uma doença e muito menos incurável, então, porquê tanta insistência e teimosia, senão persistência nesta idiossincrasia?
Diria que é nestas ocasiões que mais me interrogo sobre para que serve afinal o livre arbítrio? Por que nos orgulhamos tanto de seremos seres racionais, livres e dotados de inteligência? 
Infelizmente a insanidade gera cada vez mais insanidade. Um louco decide fazer a guerra e a única resposta à insanidade é tornar-mo-nos insanos e entregar-mo-nos à loucura da auto-defesa. Mas, não haverão outros caminhos ? Decerto que os haverá, só que, não os trilhamos. Então, como se detém um louco, violento e armado ? Infelizmente, este tipo de loucos são geralmente pessoas cobardes, tanto é que temem muitíssimo pela sua própria vida "sem anima" e protegem-se por todos os meios que os seus poderes lhes permitem porque, na verdade, sabem bem do seu absurdo intelecto e do abjecto dos seus sentimentos mas, escondem-no na profundeza do seu ser, sem perceberem que na total escuridão, não existe qualquer centelha de luz. Tal é a dimensão da cegueira que os empareda vivos. 
No excesso de imagem do espelho dilui-se a paisagem, apenas resta o deserto da ausência do Outro. Narciso, um dos mais antigos mitos da humanidade vive e morre obcecado pela sua própria imagem. Vanitas, vanitas! Abjecto, absurdo, insano! 








terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O que não é!

O que não é

A vida, não é uma carreira, uma profissão, um projecto, uma tarefa, um processo, excepto na mente de um funcionário.
A vida, não é um jogo, uma brincadeira, uma lotaria, uma aposta, excepto se for na mente de um jogador.
A vida, não é uma estrada, um caminho, uma ponte, uma paragem excepto se for na mente de um viajante.
A vida, não é um império, uma nação, um partido, um indivíduo excepto  se for na mente de um político.
Ser, não é fazer, não é parecer, não é construir, não é destruir, não é proceder.  Viver é muito mais complexo e diverso que tudo isso.




Nada mais ou imanência

Imanentes, imitamos, repetimos, emulamos e, quando julgamos ter transcendido, continuamos a descobrir-mo-nos imanentes. Não há nada mais!




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Nascer e morrer

Monsanto

Não sei porque nasci? Àparte da explicação clássica dos meus pais terem copulado, de um espermatozóide ter-se entranhado num óvulo, de a minha mãe me ter transportado no seu ventre e finalmente me ter expulso dele para um lugar estranho, nada mais sei.
Nasci nem sei quando, desarmado, sem conceitos. Os olhos abriram-se e esse sentido revelou-me um monte de figurinhas diversas logo que se desvaneceram as primeiras névoas. 
Primeiro senti e foram os sentidos que me exibiram pela primeira vez o mundo. Coitado do Platão que trocou tudo, mesmo tudo.
Nasci e não fazia ideia onde estava, com quem coabitava. Os sentidos apresentaram-me o espaço e o movimento. Interagindo, o caótico confuso foi-se tornando mais claro ainda mesmo sem conceito. Há uma espécie de pré-linguagem de origem motriz: balbuciamos, apontamos, revelamos expressões faciais, por vezes choramos ou desatamos aos gritos, contorcemos o corpo, agitamos os membros, etc. Uma gramática perfeitamente adequada à nossa dependência.
Ouvir sons dos meus pais e outras entidades em meu redor não me queriam dizer nada. Não percebia o mundo por palavras nem por conceitos mas eu, já aqui estava, presente, no mundo.
Sinais, padrões e repetições, com o hábito foram progressivamente permitindo que chegasse às palavras e mais tarde, com elas, chegar aos conceitos e continuar a operar sobre o mundo  de mais outra forma.
Quando se morre, tudo isso acaba. A vida, não são conceitos. Acabam-se todos os sentidos, o cérebro detêm-se e tudo acaba. 










quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

A Vida é uma onda

A vida é como uma enorme onda que, numa dada circunstância do tempo apanhamos e que, erguendo-nos, a vamos surfando, até que um dia ela nos submerja, imergindo-nos rápida e violentamente ou lenta e progressivamente, nesse vasto, escuro, silencioso e denso oceano universal, do qual, jamais emergiremos.




sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Who's that world?

You might wonder what I'm doing here? Nothing except enjoying. That's the step you have to take. Be bold to wonder and to do it. Be brave. Never stay always at home. Your life is bigger than the love you have for your beloved. It spreads around. Just try to give one more step. And that's all. I'm sure you'll enjoy. If you don't, just quit. Else, keep going on. Truth is never where you look at it

What is Wonder ?


Always on a journey. Always moving. Sure we'll have stops like the pauses in music, the night after the day, the spaces between the words. None will fit it all alone. Both are the wonder. Enjoy Life!



quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

INICIAÇÃO AO BANDITISMO


«As criancinhas das escolas portuguesas, sem desprimor algum pelas crianças, foram hoje submetidas a um teste de inglês «Key for School Portugal» organizado pelo Cambridge English Language Assessment da Universidade de Cambridge e com direito a diploma. Os alunos acharam canja. Nos próximos reprovarão. Queria ver quantos ingleses «filhos de sua majestade» falam correctamente o português ? Querem que nós falemos a língua deles, é isso ? E eles, quando é que aprendem a nossa ? Bem... Tudo isto a coberto do Dr. Nuno, Pior (não, não é erro ortográfico) do Crato, perdão, Nuno Crato, actual manager e treinador do Ministério da Deseducação. Com muitas falinhas mansas foi imposto (não, não se trata de mais um imposto a pagar) o Desacordo Ortográfico, em defesa do português e da língua pátria. Enfim! Isso é o que eles dizem, mas não o que eles fazem. Uma entidade estrangeira com o conluio do Nuninho, não merece a pena tratá-lo de outro modo, resolveu que os alunos do 9º ano teriam que fazer um exame de inglês elaborado por entidades estrangeiras, que acima já designei. Felizmente, alguns professores, heróicos, recusaram-se a estar presentes. Expresso aqui a minha total indignação e porquê ? Será que em defesa da língua portuguesa em terras de Sua Majestade são professores portugueses ou algum Instituto Português que atesta as habilidades linguísticas da «bifalhada» em matérias de português ? Parece-me que não. Tenho a certeza que não. Então que pretende o cretino prior dos alunos portugueses ? Que um dia sejam entidades estrangeiras a atestar o grau de conhecimento dos alunos portugueses ? Querem mais prostituição do que isto ? Qualquer dia, será uma qualquer Instituição chinesa, alemã, árabe a atestar o ensino de qualquer outra língua em Portugal. Bem haja, aos professores que se recusaram a este ultaje! Crato...Isto ainda é Portugal, isto, ainda não é a tua coutada particular. Crato...Vai-te embora!»[noético-01/05/2014]


Moleirinhas numa Cuba

By Marc Gunther
By Marc Gunther

Colocar uma "moleirinha"😅, ou seja, um cérebro numa cuba como referia Hilary Putnam trata-se afinal de uma mera transposição de um cérebro num corpo físico para outro tipo de corpo físico. Na realidade, o que muda é o ambiente próximo. O pensamento por certo não se manteria o mesmo, pois a fonte e o meio de informação mudariam. Não se pode dizer que  a identidade pessoal/humana se manteria, podendo ser conservada ou não por indução do super computador e pela possibilidade de alucinação. O super computador poderia assemelhar-se a qualquer substância alucinogénica. Seria possível pensar-mo-nos como cérebros numa cuba, tal como hoje nos vemos como cérebros (prefiro mente) num corpo. A questão mais profunda que me ocorre é a de saber se realmente o cérebro numa cuba constituiria efectivamente um ser vivo? É que de facto a vida não é apenas uma mera  receptividade, acumulação ou um mero processamento de informação, mas antes uma conquista adaptativa à necessidade e, um ser vivo está permanentemente em desiquilíbrio e em luta para se equilibrar. Numa falsificação deste mecanismo operativo pelo super computador que poderia falsificar este desiquilibrio a questão perde-se, pois o super computador teria de ser possuidor de um algoritmo quase infinito de geração de problemas e de produção cultural, tal como uma experiência sensorial de um corpo com mente e consciência constitui durante uma vida humana. Pode haver consciência sem vivência vivida e apenas meramente induzida mas, nesse caso, estaríamos perante uma vida ou diante de uma outra coisa qualquer? Um ser pode alucinar com drogas, permanece vivo mas, muitas vezes, nesses estados, não poderemos dizer com razoabilidade que está em condições de viver, pois perdeu o controlo da sua mente e as referências a um mundo circundante, parametrizado e mapeado,  em permanente transformação. Vejamos o caso de um aquário que pode ser sistematicamente alimentado por água e oxigénio e alimento de modo a permitir que dentro dele possam viver peixes.  Agora imaginemos que transplantamos, apenas, o cérebro de um peixe para uma outra cuba tecnológica virtual. Induza-se no cérebro do peixe que está dentro de água, que não precisa de oxigénio, ou de alimento ou até mesmo de água. Consequência, o cérebro do peixe pereceria. Ao contrário, permitamos o alimento, o oxigénio e a água. Que comportamentos  inúteis do cérebro de peixe verificaríamos quanto a agitar barbatanas imaginárias ? Seriam necessárias tais experiências ? Que tomadas de opções voluntárias teria o cérebro do peixe que efectuar para interagir com outros seres holográficos no mesm meio virtual ? Quem controlaria ou alimentaria por sua vez a máquina virtual indutora de modo a que ela se equiparasse à vida, cenarizando-se, complexificando-se, transformando-se e sendo potencialmente pseudo-transformada por cérebros de peixe ? Será que o cérebro de peixe conseguiria fabricar utensílios, teria necessidades (sem serem induzidas e/ou como produzí-las) ?  Um super computador não é todo o Universo físico, nem progride por si próprio num Universo físico, é apenas uma pequena parcela. Claro que há a AI mas não me parece que exista uma máquina de interrogar ou de filosofar perante o Universo ou haverá ? Sem necessidade, não há sentido, nem nada faz sentido. A inutilidade de uma máquina numa cuba seria total. Bastaria, no caso humano, induzir uma noção de felicidade perpétua do tipo "tu és feliz e nada te falta" que, tudo isto, por si só se revelaria de uma total inutilidade. Um peixe num aquário vive mas consciente. Fora do aquário debate-se até à morte por asfixia. Quem precisa de viver num coma ou acredita que vive num estado de coma  (ou de vida induzida) ? Quem não sente o perigo não foge, ou seja, nem reage. Um sistema informático quando há uma falha de energia (não havendo UPS e geradores) não falha parcialmente, mas na sua totalidade e por si só não se auto recompõe ou reconstitui. Um humano pode resistir à fome, com limites, mas há-de fazer tudo para se recompor tentando adaptar-se a esse desafio, para o superar, o mais rapidamente possível. Há toda uma dimensão cultural humana, que não é apenas singular, mas colectiva e transversal no tempo, sempre em transformação que escapa completamente a qualquer super computador. O cérebro numa cuba teria consciência de lata e de pilhas eléctricas bem ao estilo Oz. Um verdadeiro empobrecimento. 




terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Salve-se quem puder, se houver salvação!?

A Política é, matéria extensa. Alguns, dizem-se políticos, diplomados. Estaríamos tramados se, todos os que se diplomam em filosofia, fossem, respeitosamente, também, considerados filósofos, assim como tantos formados em política ou que dela nem fazem qualquer ideia se não a crença certeira na hipótese de um cargo!? A política diz respeito à resolução e manutenção das coisas comuns. Centra-se, em opções ideológicas (raramente metodológicas, embora os métodos possam ser discutidos como formas ideológicas que são diferentes de ideologias), num fazer que abranja o melhor para a coisa pública, o dito "povo" ou a maioria da colectividade. Coisas muito Humeanas. A desculpa da péssima percepção do todo advém da urgência na resolução dos quotidianos problemas. Confesso que, na era actual, não encontro nenhum político que corresponda a esta descrição que, diria "lírica ou onírica". A Política não antecipa, não prevê, não estuda, não investiga, não procura conselho e se alguma destas ações executa, fá-lo quase sempre de forma avulsa e desgarrada e recorrente, enviesadamente. Como se pode ter uma política se não se tem uma visão de conjunto de um problema que intrinca com muitos outros ? Como se pode ter uma política se, não há uma visão estratégica que, sim, passa por diversos processos/planos delineados mas, que esbarra quase sempre, na falta de um objectivo comum, universal ou maioritário, inexistente, que contemple a totalidade ou a maior partw dos que se dizem fazer parte de uma Nação. Há planos e processos e objectivos e muito mais na política mas, tudo parece apontar para a rama, a superfície, a imediatização. Pensa-se, erradamente, que para um problema imediato a resposta tem de ser imediata. E caímos neste ciclo de propaganda viciosa/pseudo virtuosa da estabilidade. Acontece que se pode aplicar pensos rápidos a quase tudo, porém, para quem tiver que ser operado, imagine-se a eficácia dos pensos como solução de cicatrização, enfim... Não vou falar de nomes pois, esta gente, que se intitula governante, nem merece ser nomeada. Outrora, houve tempos em que para se ter um nome era preciso conquistá-lo pela obra e pelo respeito. Claro que se cometeram também toda a espécie de atrocidades antes e após adquirido o nome, o título, o direito à honra e bom nome. Mas, degenerar faz parte, também, do humano, como defendia "esse imbecil, idiota, energúmeno" chamado Aristóteles. Aliás, quem precisa de Platão ou Einstein face ao actual Zeitgeist? Alguns atletas, alguns bobos dados às artes e é tudo...Os pequenos, os anões vivem nas sombras, tentando regressar à luz ? Talvez já não!  Mesmo que a obtenham, qualquer cintilar da verdade rapidamente se eclipsa diante do reluzente dinheiro, apresente-se ele como metal, como plástico, seja virtual encriptado ou não.
Então o que são "estes políticos" ? Quem são, sabes tu muito bem. O que são, compete-te a ti responder. Pensa com calma e com cuidado, atenção, para não te fazerem perder o foco.
 



 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

The elusive You

You, all count as you, even not knowing who are you? Anyway, you live like you. Does it work for you ? Do you feel you ? Do you feel really like you are you? A community of believers of the same. Is it a weakness or a strength ? Is it magic to be part of you through belief ? I'm not a you. You can't count on me. Why ? Did you asked me the purpose of such adherence to a myth, called you ? Is it a myth or reality? Do you understand the difference? I believe you don't. Nothing is mostly about you but you have a major imagination. Keep it but don't impose it. I'm still not like you and certainly not a you. Can you understand ❓
                      

Oh Dear...

Que mensagem!? Oh Dear!...Que acidente somos, fomos nós? Que pena, que bem, que nada durou e que tudo rolou, enquanto era para rolar. Paz aos mortos e aos finais, pois não se vive apenas de começos e recomeços. Oh Dear!...Ainda não perdemos a esperança mas, também,  não se pode viver só de esperança, Oh Dear! Porque a música inspira, Oh Dear! Pode ser escandalo, aflição, simples exclamação mas estas palavras "Oh Dear" são muito mais profundas, que só merecem referência como poesia. Oh Dear!



Quem não está Além?

Não consigo dominarEste estado de ansiedadeA pressa de chegarP'ra nao chegar tarde
Não sei do que é que eu fujoSerá desta solidãoMas porque é que eu recusoQuem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurarA quem eu me quero darPorque até aqui eu só
Quero quem quem eu nunca viPorque eu só quero quemQuem nao conheci
Porque eu só quero quemQuem eu nunca viPorque eu só quero quemQuem nao conheci
Porque eu só quero quemQuem eu nunca vi
Esta insatisfaçãoNão consigo compreenderSempre esta sensaçãoQue estou a perder
Tenho pressa de sairQuero sentir ao chegarVontade de partirP'ra outro lugar
Vou continuar a procurarO meu mundoO meu lugarPorque até aqui eu só
Estou bem aonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou
Porque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou
Porque eu só estou bemAonde não estou
Esta insatisfaçãoNão consigo compreenderSempre esta sensaçãoQue estou a perder
Tenho pressa de sairQuero sentir ao chegarVontade de partirP'ra outro lugar
Vou continuar a procurarA minha formaO meu lugarPorque até aqui eu só
Estou bem aonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu nao vou
Porque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou
Porque eu só estou bemAonde não estou
Estou bem aonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu nao vou
Porque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou
Porque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou
Porque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou
Porque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vou.




Homenagem ao falecido mas, magnífico, António Variações.

Once upon a time...

Once upon a time...It was...It happened! Once upon my life, nothing, but nothing of me will last. Excuse me, there are memories. What? Where do memories live? In living beings, not gone beings! So there will be nothing left. Complete is complete! End is end. There's just, once upon a time...That, will remain untill the end of time! Enjoy life!

                                    Shelter

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Como não pensar, nem compensar ou "ditosos os normais esses seres tão estranhos" (Van Gogh)

Os idiotas pensam, a realidade apresentará as soluções. Outros idiotas, pensam que, nunca será encontrada solução. Outros, ainda idiotas, pensam que será difícil mas não, impossível encontrar uma solução. Acontece que, qualquer destes modelos é frágil e inconsequente. A realidade, nada tem a ver com as nossas expectativas ou pensamentos, apesar de "os" tentarmos conformar/ajustar. Mas, a realidade, o mundo, e em parte o mundo é humano, influenciável, manipulável (em parte, mais uma vez), não quer saber nada de nós, humanos. A realidade é humana em apenas uma décima (estou até estatisticamente a exagerar), tudo o resto é fora dos nossos contornos morais, éticos, racionais. Então a questão que se coloca é, não qual a solução mas, antes, qual a nossa verdadeira compreensão da realidade de modo que estejamos habilitados a formular uma qualquer pergunta muito mais adequada à realidade que nunca poderemos solucionar mas, à qual, sempre poderemos responder e responderemos, ainda que, tudo isso, não passa de um verdadeiro delírio de controle, a que os imbecis chamam viver! Não há qualquer controle sobre a vida. É uma garantia vitalícia. Ah, os jovens...Sim, os "iluminados" de um futuro, de que até ignoram exponencialmente o passado, essa massa anónima idiotizada pela sua auto-veneração.
Eles, são o futuro, portanto, a solução. Que falácia é esta? Que imbecilidade do pensar?!...A realidade não é manobrável! Eis, uma versão polémica. Será? Quando mudam o curso de um rio, alteraram a realidade, dizem. Portanto é manipulável. Engano. Alteraram uma miríade de possibilidades de funcionamento mais ou menos adequadas à dimensão dessa parcela real. Relembro que o todo não é a soma das partes, uma velha questão. Então o que foi alterado, manipulado, não foi como mudar as agulhas de uma ferrovia. Mudámos sim, não sabemos é que nova entidade real obtivemos em todas as suas dimensões, respostas, funcionalidades, problemas, etc. Disse "problemas"? Claro! Soluções não serão apenas um mero entretenimento para imbecis? Não resolveram nenhum problema, não encontraram nenhuma solução. Apenas transformaram o problema, em outro, passível de nova transformação mas, sempre, sempre sem solução. As pessoas adoram doces, vinagre e novas formas de exaltação. Deixá-los. A grande verdade é que ninguém a sabe, conhece, domina ou controla. No entanto, nada disso conta, interessa. O que conta é o controle sob o fascínio da verdade e, isso, sim, vale quase tudo, até mesmo guerras, martírios e auto flagelações. Vale até mesmo reduzir a vida de um ser a uma paródia, a breves instantes, amortizando qualquer significado da existência desse mesmo ser. Alguns, imbecis, confundem isso com a "sua redução à insignificância". Estão completamente equivocados! Detesto cada vez mais a palavra "humanos" e aprecio cada vez mais a palavra "ser", embora isto, nada tenha ver com esta actual colectiva paixão, moda de adoração da bicharada. Para mim, um pardal morra e viva um ser humano. Ser humano. Não basta nem ser, nem ser-se humano. Apenas ambas as dimensões nos elevam. Saber-se um ser, significa saber-se entre uma miríade de outros seres existentes em miríades de outras dimensões. Saber-se humano, significa reconhecer-se numa única dimensão do espectro dos seres o que nada tem de minúsculo ou arrebatador. [Noético in "fins e alvores", 20/12/2022]
 


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Éter-V

https://steemit.com/dsound/@vadimvinnichuk/stellardrone-eternity

Nova era, velha era, media era, em suma, todas as idades. Não há verniz que sobreviva às nossas existenciais arranhadelas. Todos acordam procurando a verdade, seja com "V" maiúsculo ou "v" minúsculo. Na língua, os "V" e os "v" pouca diferença fazem para a linguagem falada. Os "V" e os "v" só contam para a linguagem escrita, aquela que pode ser vista ou afagada em Braille, mas cuja dimensão se perde totalmente na oralidade. Não há modo de enfatizar nenhum "V" ou "v" na oralidade. No entanto, até mais do que a escrita, a oralidade da língua é exímia. Contudo, falamos aqui no "V", por que falamos da verdade e não do caractere  "V" na oralidade desta língua Portuguesa. A verdade pode então ser vista como a primeira visão (Thomas Samuel Kuhn) de quem tem cada dia para enfrentar ou como o empenho extra ou não, de encontrar uma "solução", uma visão transparente, um insight, uma iluminação, um vislumbre, um horizonte alargado em que o objecto do desejo, da visão, mental e/ou fisiológica e a realidade se fundam numa unidade harmoniosa e nos tinjam como meta. Almejamos o que se nos escapa por entre as mãos, o que se nos furta, e a própria vida flui em nós enquanto de nós se furta em simultâneo. Ao que nos escapa, felizmente o que não controlamos, chamamos liberdade, é por isso que dizemos ser livres pois, nenhum controlo temos sobre tal. A inteligência, outra espécie de instinto, a origem da cultura humana é uma segunda pele, uma segunda natureza que embora limitada se apresenta como virtualmente desprogramada no sentido de possuir fixados os operadores mas não os operandos. O "+", o "-", o ":", o "x", etc, são fixados geneticamente, mas os "a" e "b" das equações é que determinam a métrica dos resultados, avanços ou recuos, subidas ou descidas segundo os planos pré-estipulados. Que importam por isso as eras ? Há a carga genética variável e a muito plural e dinâmica emergência cultural e que sobra sempre algo mais, desconhecido, no final que permanecerá na herança também ela volátil. "V" de verdade ou de viagem ? Interseccionados, rarefeitos ou compactos ou em decomposição, vivemos, perecer é apenas mais uma estação. Eternidade...Sonhámos com ela, que bom! Viajámos com ela, ou talvez nela, ou talvez tudo não passe desta imaginação?! Que tempo há, há sempre tempo, enquanto somos do tempo, no tempo. Mas e a V-erdade ? Platão equiparava a verdade à beleza. Percebo porquê! Perceber não é o mesmo que reconhecer, ou admitir, tal como Platão que tal é a verdade. A tal harmonia encontrada ou reencontrada de que falava atrás, sendo parametrizável, passível de se estabelecerem critérios, não é certamente a "Verdade". Mas, então dirão, não haverá julgamento universal para a verdade ? Se não houver, então, tudo não passará de uma crença?! É essa a subtileza da verdade, a sua incredibilidade, a sua imparametrização que nem cabe no reino da crença, da estética ou sequer simplesmente da razão, mas se constitui como corolário para todas essas dimensões. Há uma verdade na crença ? Sim, há. Há uma verdade na beleza ? Sim, há. Há uma verdade na razão? Sim, há. No entanto, apesar de haver muitas verdades, a V-erdade, não é relativa a uma só, ou a uma combinação de qualquer desta dimensões sequer. Ela sobrepuja-se e esquiva-se, não cai em controle, não se cristaliza, excepto na sua imortalidade e eternidade evasiva.







sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Not anyone's way

This could be but, it isn't. My way it's not your way or anyone's way. It's simply a part of the living truth. No one has accomplished, has reached has fulfilled. The way it's not the way as a personal or collective use. It scapes from you, from me, from us, from totalization. Life it's in us but it is something beyond us, like death. We can imagine ourselves as hereos, saints, saviors, great warriors or martyres but, we didn't get even close. That's vanity who rules the world of the meaningless. So it sounds so triumphant 'my way'.

O Nós são quase sempre Elas

Falar de nós ou falar sobre nós é sempre um artifício para se falar quase ou apenas delas. Elas nunca falam delas, apenas do 'nós' em que elas, mais do que se incluirem, são sempre as mentoras. O Nós delas, são elas mais a família, elas mais os filhos, elas mais os companheiros, elas mais as sua carreiras, elas mais as relações exclusivas delas. Nós é o mesmo que entrar num projecto delas e em que, nem sendo sempre elas o alvo, são na mesma elas a definir a direção desse projecto. É certo que isto é paródia e rábula, mas, não deixa de ter alguma verdade. Enquanto o pêndulo pender mais para elas, existirá um nós, sendo que o inverso quase nunca condiz com a verdade.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

A vida é polifonia

Courtesy of www.Jackson-Pollock.org

 A vida cria-nos e é criada. Ela não é absurda como Camus defendia. Ela, pura e simplesmente não tem um só sentido e, no entanto, contém-los a todos. Ela, não é gerada como um artefacto acabado mas, antes como algo que se enlaça e desenlaça, fia e desfia. Não é um novelo, nem uma linha mas, antes uma profusão de novelos que se entrecruzam numa tecitura, assíncrona-síncrona, diacrónica, policrómica. Profusão de tempos e espaços que se interceptam, coexistem, interferem se equilibram ou se anulam. Movimento e pausa em simbiótica polifonia.





segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Devaneio

Imagem de kjpargeter

De súbito, como qualquer gesto habitual, os olhos fecharam-se no silêncio da noite, libertos da omnipresença das imagens entregando-se ainda à penumbra das memórias revivescentes. Uma breve e pausada respiração, num movimento de sístole e diástole anunciou uma cesura entre mundos. De um lado o barro e o pó do outro o ser e o crer teimosamente resistindo ao sincopado esbatimento. De um lado, só de um lado, vazio integrado. De um lado, sem nenhum lado, a contração do imaginado, tudo diluído e baralhado, diminuído ao aumentado, numa espécie de prelúdio epílogal.
 

 

Uma história de encantar

Queen Guinevere from "Merlin" (2008 Tv Series)

 
Uma das situações mais perversas da actualidade, que não é nova e tem antecedentes consiste no facto de se acoplar à História toda a espécie de fantasias e, numa espécie de analogia, pretensamente mais "moderna", adicionar-lhe de tal forma, efeitos especiais que, com o pretexto de em primeiro lugar a espectacularizar e como último recurso, talvez, a divulgar democraticamente como saber, acabando por a subverter, tornando anódina e transformando-a numa novela rocambolesca e igualmente grotesca, certamente, não linear, como hoje em dia está na moda, de modo a captar audiências, para converter testemunhas em factualidades. Em suma, tornar a História na factualidade do que sonhamos ou imaginamos que tenha sido, numa forma de conveniência, muito marqueteira que jamais deve contrariar os nossos desejos, ímpetos e sonhos. A História tornou-se numa historieta (já existem Guinevere's africanas, super heróis gays, etc.) de adormecer consciências e pior, de criar multidões hipnotizadas pela fantasia a tal ponto que estarão um dia dispostos a matar para que ela não aniquile os sonhos da turba que os devora e alimenta, mas que, para eles se tornou na verdade.
 

 
 
 

A religião matou o outro

Judeus, muçulmanos, cristãos, hindús e outros colocaram sempre o(s) seu(s) deus(es) à frente do Homem. Daí que os seus actos para com o outro sejam de fé e não de amor à humanidade. Pelo contrário, a caridade, a compaixão, a tolerância não são virtudes mas sim, mantos diáfanos de disfarce de um Amor que não existe pelo outro, a menos que este outro, seja Deus. É fantástico como a mentira se tornou verdade, continuando a ser uma mentira mas, para tanta cegueira, não há olhos. Estes crentes não te vêem a ti, como humano que és, mas como um meio de eles  alcançarem a Deus, o que na realidade, significa que tu não existes ou és simplesmente invisível, de facto, para eles. Agora, vejo isso tudo com perfeita claridade. Há milénios que o verdadeiro outro foi assassinado. Terá tal servido para evitar a inveja de um verdadeiro Amor pelo Outro  propondo-nos  desse modo uma salvação?
Mais relevante: se deus existe e não está no teu irmão, então, o teu irmão só existe como meio para deus; se deus existe no teu irmão, então, o teu irmão desvanece-se. Em ambas casos o outro cessa de existir. Daí a ideia em título. Poderão argumentar mas, a realidade não se altera só por isso.
 

 

A teoria do chinelo



Não há uma fórmula. O caminho mais fácil parece ser o da ordem, da sequência, de um padrão qualquer que pareça coincidir com alguma indução. Mas, poderia ser também uma dedução. Vejamos o caso de uns chinelos de quarto alinhados numa certa disposição. Por que razão esse alinhamento faz tanto sentido? Imaginemos um abalo sísmico. Se um chinelo estivesse afastado do outro ou alinhado no sentido inverso do outro, seria mais difícil calçá-lo com prontidão. Mas não há um abalo sísmico todos os dias. Então para quê tanta preocupação com o alinhamento dos chinelos? A razão é que mesmo sem abalo ou outra qualquer emergência a disposição paralela dos dois chinelos orientados no sentido do acto de os calçar, continua a ter mais sentido, tornando mais fácil essa simples tarefa de calçar uns chinelos para ir ao quarto de banho ou outros lugares ao levantar de uma cama. Claro, poderíamos então, perguntar para quê usar chinelos e não caminhar descalço? Na verdade, não é isso que estamos a discutir mas, sim, qual o caminho da facilidade que, ao que realmente parece, remete para uma ordem precisa entre muitas possíveis e que, não remete em nada para um acaso ou para qualquer aleatoriedade. Uma certa disposição pode conduzir a um certo sentido lógico apreendido na realidade como facilidade e, ainda assim mostrar-se sólido e consistente.






Invento

Déborah Maradan

Se eu fosse lontra, morreria de tédio. Nem sei como é ser lontra, daí o mistério!
Se eu fosse leão morreria com coragem. Nem sei como é ser leão, isso virá do coração!
E, como o papagaio é engraçado, fazendo-se valer pela repetição, nem sei o que é ser uma ave mas, sei muito bem o que é fruto da imaginação!




Para quê ?

Para quê ?


Para que serve a beleza do teu rosto quando partires ? Para que serve  o teu corpo quando te fores ? Para que serve a tua alma quando te finares ? Há dois estados do ser metafísico: em queda ou temporariamente  suspenso. A vida é a queda, geralmente, em estado de aflição.  A felicidade são esses instantâneos em que, momentaneamente nos conseguimos segurar a algo ou simplesmente o cremos, parecendo-nos suspender a queda.




quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Eu não sou o Ego


Acreditem se quiserem. Eu tive sempre duas vidas; uma repleta de ordem e sentido e uma outra, paralela, completamente caótica mas, não reprimível na sua totalidade. O meu personagem raramente foi o eu, mas antes, quase sempre, um outro alter ego. Penso que ninguém se pode identificar na plenitude com nenhum ego e que, o ego, não é o tudo da pessoa. Essa ideia é equívoca. Como tal, também não somos somente a nossa consciência,mas sim, talvez, sejamos muito mais o nosso lado irracional. A razão é apenas a métrica base que baliza a maioria da nossa vida animada, embora esta, raramente, se deixe conter pelos contornos racionais.












segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Second Birth

we might be together












Lembro-me da primeira vez que pronunciei uma palavra/conceito e o efeito mágico que isso teve para mim. Os psicólogos podem dizer que temos deturpadas memórias mas, não me lembro de muita coisa excepto esta e, também, de mais algumas cenas verdadeiramente significativas e inesquecíveis para mim. Não lembro qual a palavra que pronunciei mas lembro o efeito poderoso sobre o mundo que ela teve e do efeito, que igualmente teve para mim. A partir daí, cheguei ao mundo. Sim, foi uma espécie de parto, que não partiu do útero da minha mãe. A partir daí, passei a existir por mim, como ente ligado mas simultaneamente separado de tudo o resto. Um ser numa longa solidão existencial. E melhor, uma palavra apenas, pareceu anteceder todo um repertório escutado e repetido como imitação de um universo de muitas  outras palavras. Tudo como se de súbito os significados vazios se preenchessem de todos os significantes numa espécie de avalanche de ecos retardados. Abençoada palavra que me deu o poder de estar vivo por mim. [Noético-09/08/2022]
 



Follow me

Follow me
Chega uma hora em que começamos a despedir-nos de tudo e em que tudo se torna ternura e amor sem possessão.
A verdade habita connosco mas nunca se manifesta de nenhum outro modo. É, apenas, uma bela companheira de viagem.
Os melhores discursos ocorrem em silêncio, como se permanecessem invisíveis e intocáveis.
A vida acontece enquanto tem de acontecer, sem razão ou sentimento ou lógos que a pronuncie por si mesma.
A morte tal como a vida, dispensa qualquer sentido, não estando aberta a espúrias interpretações.
A vida é algo perfeitamente metafísico, muito para além da entropia de um só corpo.
Cuidar é a nossa única aproximação à vida. Quando não cuidamos, destruímos e isso, magoa, queima sem nunca fazer faísca.
O mais forte não é quem tem a última palavra mas quem escuta a verdade que traz dentro de si.
Cuidar significa tendencialmente colocar-mo-nos mais perto, como num trajectória sem ponto de partida ou de chegada.



The long journey

there
is a way



 

Look into my eyes

The gipsy






 

Perpetuum Mobile

Perpetuum mobile

 


The spirit of water

I emerge





 

The Fisherman

Please watch in silence

             [Dante’s Prayer]

When the dark wood fell before me

And all the paths were overgrown

When the priests of pride say there is no other way

I tilled the sorrows of stone

 

I did not believe because I could not see

Though you came to me in the night

When the dawn seemed forever lost

You showed me your love in the light of the stars

 

Cast your eyes on the ocean

Cast your soul to the sea

When the dark night seems endless

Please remember me

 

Then the mountain rose before me

By the deep well of desire

From the fountain of forgiveness

Beyond the ice and fire

 

Cast your eyes on the ocean

Cast your soul to the sea

When the dark night seems endless

Please remember me

 

Though we share this humble path, alone

How fragile is the heart

Oh give these clay feet wings to fly

To touch the face of the stars

 

Breathe life into this feeble heart

Lift this mortal veil of fear

Take these crumbled hopes, etched with tears

We'll rise above these earthly cares

 

Cast your eyes on the ocean

Cast your soul to the sea

When the dark night seems endless

Please remember me

Please remember me


Dante's Prayer - Loreena MacKennitt

 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

MIRAGEM OU REALIDADE ?

«Perguntaram-me, várias vezes, podes perguntar o que quiseres? Respondi, diversas vezes, igual, como se, esta, fosse uma imaculada forma ou fórmula. Uma fórmula que nem eu, nem ninguém, possui. O que quero, não é passível de negociação. O que pergunto, só o é por diversas razões. Não existe uma só razão para questionar. O que quero saber, nem sempre é o que ouço como resposta.Mas para que queria eu ouvir apenas sonâncias e ressonâncias e jamais escutar dissonâncias ? Faz parte da equação linguística. Uns respondem para se explicar, para ser entendidos, outros, respondem mediante contextos e parâmetros, nenhum deles, parametrizável, universalmente. Para isso, existem os serviços telefónicos e comerciais de atendimento ao cliente. Não tenho vocação para tal. Tal como não tenho vocação para responder. Para isso, arranjem, construam, desfrutem de um robot de atendimento. Não tenho paciência para a vergonha da ignorância que se pauta apenas por uma sabedoria tecnológica. Sabe-se lá, o que isso é ? Já viram uma criança responder, por telemóvel, com a mesma agilidade de uma gazela ? Eu, já! Mas, é essa a criança que sabe ? É ela que cresce ? Vamos ao significado de crescer ? Tudo cresce na natureza, até, as ervas dani nhas! A criança mexe só com um dedo e, escreve no telemóvel. Anota, entende o português (poderia ser outra língua), e domina a tecnologia. Sem fórmulas do eterno, de género, iremos viver para sempre, perguntei-lhe, lês livros ? Não! Não por que o livro não possa ser lido online, em formato digitalmente divinizado. A criança, sabia ler e escrever. Mas...Daqui a poucos anos, ela tinha sete, faltar-lhe-ão os olhos, precisará de óculos, etc...Eu, trabalhei como escravo muitos anos diante de um ecrã. Por isso, hoje, ainda viciado, o uso. Quem não perceber isto serve, no mínimo, para  motivo de comiseração, o que é diferente de haver qualquer piedade. Eu, não tenho qualquer compaixão, exceto para o que considero. Uma espécie de preconceito, que muitos tentam alimentar, outros obliterar - como se nunca existisse -, enfim!... Uma desgraça, de um lado ao outro! E perguntaria, como qualquer criança, alguém lhes diz para fazerem sentido? Creio, que ninguém o faz.  Todos os questionários, ignoram quase por completo o que lhes vai na alma. Por isso, penso, cada vez mais que, essa maturidade, essa eficiência, essa arrogância - fruto do esforço (sem dúvida), para depois, contabilizar e servir de carta de vitimização ou de pseudo maturidade - é um logro! O adulto tem direitos! Eis-nos de volta, ao nosso ego precioso, valioso - sobretudo pelos anos e por uma vida mais ou menos vivida - vivido, sentido, conquistado, normativo, fascista, anquilosado, etc. Tudo, nuances! Nuances de infantilidades que prezamos em cultivar. Somos, velhos, mas, jovens, eternamente jovens, eternamente indefinidos. Esta última sentença é verdade! Bem, universal, não diria... Mas, quase!..Não esperem por mim, para vos manusear a Bíblia, ler horóscopos , bater palminhas, servir de audiência, etc! Estou a milhas! Arrogância ? Arrisquei-me  e atrevi-me a chegar até aqui. Qual é o problema? Pensemos nisso! Não sou do contra, nem um desafiador, nem um libertino. Sou, apenas, eu mesmo e um outro, que se vão fazendo! »[noético-04/02/2016]



ESCUTAR E NÃO ESCUTAR

«Alguém me disse... Recordo que me disse mas, não memorizei. Ser importante ouvir, seria decorar toda a letra do que foi dito. Há, quem se cinja a isso. Fica a parecer bom ouvinte. Eu, não! Claro que é fundamental saber escutar mas, também, faz parte do acto saber selecionar o que se escuta e fazer ouvidos moucos do que é irrelevante. Assim, dito, não me recordo de quase nada do que ouço, pelo menos, daquilo que considerei, desinteressadamente irrelevante, em cada momento. Não lamento! Pura e simplesmente, esqueço. Será isto, não ouvir ? Não saber ouvir ? Teremos que suportar toda a vagueza das palavras, todo o ruído dos discursos, todo o vazio de sentido e ainda permanecer sorridentes, como se tudo o que é pronunciado, constituisse uma pérola do pensamento ? Não. Claro que não! Só os autistas sociais pensam desse modo! Não, não escuto tudo! Faz diferença ? Incomoda ? Paciência!»[noético - "Alheios à nova ordem"- 04/02/2016]



CONVERSA LITERÁRIA

Artista: Bruno Leandro
«Ainda acreditas nas palavras ? Não, sei! Uns usam-nas para 'realizar', 'exibir', 'demonstrar'...Outros, para os mesmo fins e, igualmente, para se parecerem, se aproximarem, para se justificarem, para se demonstrarem no que pretendem parecer-se com, para se realizarem. E...Penso...A realidade continua ignorada! Ou seja, a cantiga soa a mesma. Sejam cristãos ou protestantes, a conversa, dependendo dos dias, torna-se estreita, torna-se larga, mas não segue para lado algum. Dos gurus das palavras estou cansado. Já não invisto um milímetro nessa charada , pura e meramente, literária!»[noético-04/02/2016]


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

INCERTAINTY

«Não sou um milímetro do que queres que seja. Não nasci, para obedecer a imperativos emocionais, racionais ou outros. Para o que nasci, a ti mesma/o te pergunto ? Sabes tu ? Saberei eu ? O que sabes, julgas, imaginas, pensas que, sabes, é um longuíssimo discurso, uma prosápia da vida, uma 'never ending story'. Ainda bem! Se admitires isto, então, não estás ou és predestinado/a. Ou, então , consideras-te como tal e, apesar de tudo, gostas de ser dominado/a. Lembra-te, dominado/a vem de dominum (Deus,domínio) e usas isso, como se lesses um jornal periódico na maior das inocências, ignorantes. Medir as palavras é saber muito bem o que elas querem dizer, o que evocam, o que pretendem significar . Sem isso, nem a gramática, nem a semântica, nem nada te salvarão do teu dicionário amestrado!»[noético-04/02/2016]




NÓS 'VELHOS'

《Nós, 'velhos', hoje em dia, em linguagem hospitalar, senescentes...Credo! ...Fala-se assim tão bom português nos hospitais ? Claro que não! Mas, dizia...Nós...Havemos de virar isto tudo do avesso! O que significa, não dormir, não fazer dieta, não fazer ginástica, não querer viver eternamente (mesmo, cientes de, não mais permanecer jovens), não crer em salvações higienistas - aquelas que parecem livrar-nos de toda a corrupção física e moral e, nos fazem parecer viver em suspensão, como se nunca houvesse desgaste - não viver sistematizado! Que sejamos os loucos, dos poucos que ousam e, ousamos, muito, para lá das dores ciáticas, das tendinites, das mazelas esqueléticas e orgânicas, da histriónica euforia da saúde e da beleza embalsamada em parábolas do tempo. Sim, somos, seres declinados! O que isso é ou seja, os aniversários te dirão. Isto, não significa que ser-se indisciplinado é pecado ou vício e que, só o contrário é virtude. Mas, para que quererás tu a Virtude, como se só existisse uma ? A cultura, também, tem destas noções falaciosas (enganosas). Então. ..Nós, 'velhos', entre aspas mas, sem o horror de sequer nos rotularmos, sem preconceitos, sem prejuízo, caminhamos. Damos a face, damos o suor, o sangue e as lagrimas para nos podermos rejubilar no frémito das lágrimas de riso acerca do que se passa. Amigo...Se não sabes o que é uma alegoria, a metáfora da vida, o subsolo da superficialidade instalada, então, deixa-me rir! Mas, se puderes e, sem pruridos, ri-te também. És bem vindo!》[noético-04/02/2016]



YOU CAN NOT NAME

«You can not name what I am, neither I can, about what you are. That's the beauty of life. We must trust beyond knowledge. But, trust, it's not a divine belief. Trust, it's the only human path, at least, the one that will lead you somewhere. Doesn't matter if it's right or wrong, it's beyond ethics and enlightenment.»[noético-04/02/2016]



sábado, 24 de outubro de 2015

RODA O PIÃO

«Outono. Queda das folhas murchas. Um festival de cores e de renovação. Perdem-se as folhas para que renasçam na Primavera anunciando novo ciclo de vida. A árvore não seca, não morre, pelo menos, por agora. É nela que as flores e os frutos renascem, ganham forma, beleza e função, tal como na vida.
A vida que é como um pião que animado rodopia como um derviche. Alguns chamam-lhe dança. Para mim, é um dos brinquedos mais metafísicos e espirituais que existem. É vida de cada ser em movimento. Se ao pião não se imprimem novas energias ele se afasta dos seus eixos, declina, entra em trajetória caótica até se imobilizar. Fim de ciclo, fim de vida. É a  morte como fim do movimento. Chama-se mais perfeito quando o pião gira quase na vertical, mesmo que se desloque de um lado para o outro em movimentos circulares horizontais. Oscilar é sofrer uma quebra de energia, estremecer. Há pois que renovar as suas forças, dar-lhe corda, fazê-lo redopiar novamente, antes que as suas forças se esgotem. É essa a nossa viagem pela vida.»[noético-24/10/2015]