sábado, 18 de maio de 2024

O MAR








Se há Deus há Mar

Pois, sem maré não há vida

Não há ir ou voltar

Não há dor nem ferida

Nem histórias para contar.

A alma entretida,

Perdida, embriagada

Sentindo o indefinido

Com rosto estarrecido

Ama

Vive

Realiza

Morre

Permite-se seguir o rumo

Escutar as ondas do fundo

Arribar às fronteiras do mundo

Entre névoas e fumo

Num uníssono prumo

Em harmonia universal.

Deus não é bem nem mal

Apenas silêncio radical

Evidente e ausente

Presente e oculto

Num amplexo paradoxal.

Cheira a Mar. 

Cheira aos filhos da Terra

A uma gesta rudimentar

Sedimento de homens

Apóstrofes de deus.

Andróginas criaturas,

Que nem são Afrodite nem Zeus!

Não há vida sem Lar

Nem vida sem Mar

Não há sopro sem Ar

Nem vida, sem respirar.


Children of the Sun

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Mil anos sem mestria


Há mil anos disse, a ordem é aleatória. Parece uma contradição nos termos mas, temos de ser capazes de nos desvincularmos das nossas crenças. Na verdade, encontraremos ordem em tudo porque, a busca de sentido, a tal nos condiciona. Ter sentido, significa, controlar a lógica, conhecê-la. Se algo não a tiver, cria-se uma, adequada. Funciona, também assim, a ciência. A forja da ordem não pára. Mas, serão ordens sobrepostas, correlacionadas e correlativas ou outras ? Cabe na cabeça de alguém haver uma só lógica ? Admissível não significa a certidão de óbito da falsidade ou a transformação criativa da ordem do imaginário, que permite inventar novos mundos e acrescentá-los ao mundo que, nem em tudo, parece ser tangível na realidade. Deus quer, o homem sonha e ninguém pensa. Eis o que de certo o Poeta diz, não dizendo, apenas referindo, que a obra nasce. Pois é. Não pensa. Nada pensa. Só havendo ordem haverá sentido. E se não houver ordem, continuará havendo sentido ? A Natureza mata. Quem crê num super ser que os acode, desengane-se! Essa é a ordem que se sobrepõe à realidade mas, que, na verdade, se eclipsa de fundamento. Um furacão mata, quer um crente, um descrente, um velho, um bebé, uma mulher, um burro, seja quem for...Foi a mão sábia de deus! Será, essa a ordem ? Ou simplesmente queremos que essa seja a ordem das coisas para justificar a nossa dor e as nossas perdas e, conferir-lhes sentido ? Para mim, a ordem está no que acontece. Tenhamos nós interferência ou não, controlo ou não, haja sentido ou sentido nenhum. Não há uma ordem para além da ordem das coisas, do mundo, mesmo que tal, nos parece obscuro, incompreensível, desconhecido, vazio de sentido. Felizmente, que não vivemos em plenitude e que, a ressurreição é um sonho humano, senão, nunca acordaríamos e, acordar, despertar não significa uma manhã de bonomia. Haja o que houver...Tempestade, dor, tristeza, guerra, melancolia ou bonança, prazer, alegria, paz e sensaboria...
A ordem é do mundo, não da ordem da nossa construção racional. Matar inocentes, não é de fora do mundo. É o mundo e do mundo. Tem sentido ? Ordem tem. Sentido, não sei responder. Nem hoje, nem espero que nunca!

domingo, 21 de abril de 2024

Oratio de um ateu

Será a sabedoria saber, não estar aqui, quando todos os holofotes apontariam para a nossa presença ? Acredito de que ainda há mensagens de Amor de que ainda há quem amar e quem nos ame. Inferno, céu e limbo, são já aqui. As futilidades em que apostámos valeram apenas pelo tempo que não soubemos usar de outro modo. No fim, nada sobra.  A memória apenas permanece nos vivos por mais algum tempo. Nunca fomos ou seremos grandes, excepto, na vaidade e na ignorância. Sim, Amo a minha mulher, os meus filhos e os meus irmãos. Mas, amar é tão difícil! Há quem pense que tudo se resume a oferecer uma rosa no dia mundial dos namorados... É preciso Amar muito para nos desapegarmos. É preciso Amar muito para se ser acompanhante e não deixar ninguém dos que nos são próximos desamparados, embora só nós possamos viver a nossa própria queda, solitários e desamparados. Nas grandes decisões da vida, estamos, completamente sózinhos. Servem estes momentos para nos confrontar com a verdade que trazemos em nós soterrada por desvarios e poeira acumulada dos destroços que provocamos. Deus é talvez o nosso superego que fugiu para o céu...E foi-se embora mesmo. Creio que nunca voltará. Destapámos o tacho e atirámos a tampa sob a forma de disco voador para o espaço. Ficámos, iludidamente, senhores da vida e entregues apenas a nós próprios, como se tivéssemos olhos de ver e ouvidos de ouvir e pior, algo de bom nos nossos corações para ofertar.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Em suspenso

Levamos, levei, muitas vezes, com demasiada leveza, a ideia da morte. Daquele momento, em que, não nos despedimos mas, de vez, partimos.
Lembro ,outros, que já partiram. Quanto ficou para eles dizerem e fazerem? Mas, não houve mais tempo. O que quereriam ou teriam querido comunicar que não lhes foi possível ? Fazer ? Senti de perto a morte aproximar-se e, pensei neles, evocando a solidão que é estar-se nesse momento final. Sim, somos só nós. Nada a demonstrar. Toda a vaidade esvai-se. De que adianta deixar-se mais ou menos lembranças ? Não iremos estar por aqui, para ouvir ou ver, quem falará de nós. Nada do que fizémos,  criámos, vivêmos, terá relevância para nós que cessámos de existir. Claro, é bem melhor ter vivido em tentativa constante de acordo connosco. Afinal, fomos alguém, aquele que nos fomos imaginando mas, agora, até esse pensamento perde força. Toda a vaidade é vã. Tranquilo ou insaciado que importa ? A morte é implacável. Partir com sonhos de outro mundo, daí se dizer partir, viajar para outro lugar, é espúrio. Não há certeza alguma de que o sonho se concretize. Dirão, há a esperança. Sim, haverá mais essa vaidade, essa confiança num futuro, sobre algo, que nunca se passou, nem qualquer garantia que se passará. E se nada disso se realizar, de que serviu ter sonhado essa última vez ? Que vantagem isso trouxe ?  Acaba-se sempre por nunca se concluir. Concluir o quê ? As nossas leis, não funcionam, do outro lado, a partir do primeiro traço do além. Dói deixar aqueles que amamos. Nunca mais nos encontraremos. É um fim duplo da história, para todas as biografias envolvidas. Aquelas biografias que ficam, ganhando uma alínea e, também, para aquelas, para quem já não terá mais linhas. Só um ponto final. Um regresso ao silêncio de onde nunca se partiu. Sim, nascer vem do silêncio. Morrer, é reentrar no silêncio mas, num silêncio absoluto, num movimento em eterna pausa. O universo recicla-se mas, não se regenera. São duas encostas diferentes da vida. Caminha-se para o nulo.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

A tecnologia não civiliza o homem!


A tecnologia é e sempre foi um instrumento precioso no progresso das sociedades. No entanto, a tecnologia, embora possa facilitar algum tipo de aprendizagens, mais focadas na formação profissional, tem falhado redondamente em contribuir para a civilidade, humanismo, respeitosidade e engrandecimento das culturas e sociedades ao longo da História. A mera produção de riqueza material através da evolução tecnológica promoveu maiores desigualdades, disputas por riqueza, desenraizamentos culturais, evanescência das tradições, excentricidades e individualismos, isto, para não contemplar, o exponenciar de lutas fraticidas pelo poder, queimas em fogueiras, guerras mortíferas e quase constantes, etc. 
Faça-se a pergunta, quantos dias de paz teve o planeta desde que há registos históricos ?
Por isso, penso que não estamos mais civilizados e respeitosos, nem no trato com o outro, nem no respeito pela natureza. Daí decorre, também,  a actual,  tremendamente aflita preocupação com o clima e com o respeito por grupos sociais menos representativos das diferentes sociedades e culturas pelos mais diversos quadrantes políticos. Se tudo estivesse melhor, mais civilizado, não haveria esta actual necessidade premente.
A natureza e os factos históricos falam por si. 
Confiar na tecnologia como panaceia da construção de um novo humanismo e de novas formas civilizacionais é uma falácia monumental. 
A tecnologia não civiliza o homem!
Se há algo de positivo que se pode atribuir à tecnologia, tal, deve-se ao Homem que a criou, parcialmente a civilizou e a adaptou e empregou para certos fins eticamente positivos.
Se o Homem não se civilizar a si mesmo, não há nenhuma tecnologia que o faça. O mesmo é dizer-se, se o Homem não se revolucionar interiormente e salvar a si mesmo, nenhuma tecnologia o salvará da sua auto destruição.
Mas, como salvar-se a si mesmo se o Homem não se conhecer a si mesmo ? Não haverá nada para salvar. Também não haverá nenhuma revolução interior a fazer.
Haverá a crença falaciosa e fatídica de que a tecnologia resolverá todos os problemas, tal como, no passado, orar aos deuses servia de panaceia para alienar os espíritos e lhes infundir alguma esperança. Sim, a esperança é fundamental mas, é diferente de ficar à espera. E, como vimos, alienarmo-nos à tecnologia não é caminho algum, mas sim, a tentativa apenas simbólica de regressar ao ventre da mãe, de recolher à concha, de procurar mentalmente uma desculpa que confira proteção contra o peso e crueza da realidade, de negar o que não convém ver, de, em suma, nos demitirmos das nossas responsabilidades como seres adultos adoptando verdadeiros comportamentos infantis. 




Eu gosto

Uma sociedade que, não é capaz de socializar e conviver, pacificamente, sem polícia, não está apta para sobreviver, nem para ser livre.
A desculpa é sempre, são só alguns. Mas, a verdade é, que os muito poucos, perturbam mais do que, o vasto rebanho que os tolera, nas suas irrupções de violência gratuita.
Fala-se mais em futebol do que em educação ou ensinança. Saber estar, saber respeitar, saber interagir com correção, simpatia, empatia e retidão está fora dos interesses gerais da comunidade que, considera tudo isso, como mais um adquirido, portanto, algo não  muito valorizável, uma vez que passa a ser um "dejá vú".
A liberdade resume-se ao "eu gosto"!

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Entre-Rios


Há toda uma vida, de emoções, sentimentos, pensamentos, intenções, considerações que nos escapam a cada segundo que passa, para além ou aquém, sempre, desta vida que, a cada instante, concretiza-se. Só, a música e a poesia, parecem conseguir vislumbrar um pouco desse imenso universo, em movimento, obliterado. É, como se houvesse um negativo de nós, que nos escapa. Não, não é inconsciente. Por vezes, apesar da sua fugacidade, é até bem consciente e permanece, fraccionário, por segundos. Para onde corre esse outro rio de nós ?  E nós, se calhar, não passamos de uma pena de pássaro flutuando sobre as águas ao sabor da corrente... Quiçá ? E é, como se, houvesse realmente, um universo próximo, para onde a nossa posição saltaria, quânticamente, num ápice e, outra biografia, seria então, construída. Uma espécie do universo do não, em que, nunca seremos decisores, nem teremos arbítrio. Universo do não porque se perdeu oués fechou a janela de oportunidade numa fração de segundo. Não, um universo de negatividade. É quase como se fossemos convocados para um salto, mas a estrada já estivesse debaixo dos nossos pés, forçando o caminhante ao caminho. Parecem faíscas determinantes mas, deixam antever um outro mundo, neste. Uma fissura, não determinista, um ponto de fuga. Imagino, que, tal como uma maré, esse fluxo que nos sobrevoa a uma velocidade estonteante, também, reflua, minando a linearidade do continuum vivendum, numa espécie de preenchimento silencioso, a presença da ausência, a pausa na melodia que confere encanto ao desencanto. Ying e Yang!

Ad lacrimam





Pediram-me para chorar

Derramei lágrimas de pó

Nada pude acrescentar

Toda a vida é ser-se só


A solidão, não é sofrimento

Mas, sim, chama ardente

Lembrança do existente

Vivido a sós, por dentro.


A vida é o que é

Movimento misterioso

Ninguém compreende o que é

Mesmo sendo curioso


Acordo com a esperança

Intervalo que não se alcança

Meta que é uma causa

Forma feliz de pausa







In tempore mortis



Quando eu morrer, espero que ninguém chore por mim. É simples, concluí. A vida é curta e efémera e, segundo o que sei, embora ela, mereça e deva ser bem vivida, acaba por não ter significado algum. Também é simples. Se vos perguntarem qual o seu significado, certamente esboçareis uma resposta mas, jamais alguém saberá verdadeiramente responder a essa questão! Tudo termina para o morto. Tudo continua para os vivos. Procurar sentidos onde não os há, vasculhando pelo deserto, ao longo dos tempos, faz-nos ver que somos imensamente resilientes mas,  de modo algum imortais. Num ápice décadas de anos de vida se desvanecem, perdendo qualquer significado. Não há mais forma de ancorar o navio. Os nossos verdadeiros restos mortais são memórias. Temporariamente perpetuam-nos, os que nos lembram. Também eles se finarão e com eles, a memória que guardaram. Lembrem-se, se tiverem saudades do que essa memórias evocam que, também, a esperança findou. Não há regresso, ressurreição, vida eterna. Como sei isso ? Já decorreram milhares de milhões de anos sem qualquer prova de que alguém tenha ressuscitado ou  voltado de qualquer outra forma de vida para o poder contar. Não há, pois, qualquer evidência factual que justifique essa crença. Dito isto, antes de ter morrido, ficarei feliz se, após a minha morte, apagarem-me das vossas mentes o mais rápido possível. Enterrem-me, também, nas vossas memórias, sigam em frente. Não tereis nenhum ganho em relembrar-me. Continuarei a ter múltiplas faces, favoráveis e desfavoráveis. Tanto faz. Por mais homenagens ou pragas que me rogueis, não regressarei. Parti de vez. Se assim, não fosse, para que existiria a palavra fim ?




Non aeternum


[Nemo nostrum tam magni momenti est ut memoria in aeternum mereamur.]
"Nenhum de nós é tão importante a ponto de ser lembrado para sempre."
[noético in "Omnia et nihil" - 6/11/2023]



Por que não nos devemos cingir apenas aos factos


Existe a falácia de que não devemos ajuizar, quando de facto, proferimos juízos de facto e de valor a toda a hora, sendo ambos estruturais da natureza humana. Mas, ater-mo-nos aos factos, apenas, também, nem sempre funciona. Exemplo: alguém roubou alguma coisa em miúdo ou até em adulto - um pouco mais grave -, segundo os factos essa pessoa roubou, poderemos enquadrá-la no conceito de ladrão ? Se não, a partir de quantos roubos poderemos enquadrá-lo nessa categoria ? Faz lembrar o paradoxo do careca, que diz, a partir de quando poderemos considerar alguém careca? Nenhum cabelo, um  só cabelo, uma dúzia, uma centena de cabelos ? Porém, também, não podemos apenas obstar ao julgamento de valor que nos leva a ser prudentes com essa pessoa após esse seu primeiro acto. É de elementar sensatez.  Então, como ficamos ? Só pelos julgamentos de facto ? Não.  Mas, também, é abusivo e insensato, usar indiscriminadamente  juízos de valor sem considerar e respeitar os factos. Embora, ninguém saiba onde está ou fica o meio, excepto no fiel de uma balança, é nele que habita a excelência, o equilíbrio.





Não quero mais ser professor



Faz já algum tempo que deixei de exercer actividades lectivas. Ainda, hoje, conservo o bichinho de ensinar, actividade para a qual estou perfeitamente qualificado. Sucede que, perante um futuro de exigência mas, repleto de instabilidade optei por outros caminhos profissionais. Exerci, com alma e coração e, foi bom enquanto durou. Depois, a percepção do carreirismo de alguns professores, os currículos de ensino quase imutáveis, a falta de compromisso dos pais com a aprendizagem dos filhos/alunos, o desinteresse dos sucessivos governos pela educação, a imbecilidade da representação sindical, únicamente preocupada com a sua agenda política, o descentramento geral, social e colectivo quanto aos interesses dos alunos, libertaram-me da mestria. Não quero mais ensinar. Não acredito no futuro dos alunos, numa sociedade perdida e caduca em declínio. Facilita-se tudo. Alunos no 10° e 11° ano que sabem recitar discursos sem perceber patavina do que leram, entre muitas outras situações. As estatísticas melhoram com a diminuição da exigência quer na habilitação dos professores, quer na habilitação dos alunos e, os governantes, apenas pretendem resultados para exibir a sua vaidade encobrindo os verdadeiros intuitos políticos que se pudessem reduziriam as massas a ignorantes para poder manter o poder ou, degradando a escola democrática, a pretendem apenas qualificada para a elite.  Na realidade, como um dia disse aos meus alunos, não sou eu, professor, quem mais importa. Não é o currículo, são eles, os alunos, o centro de toda a educação. No entanto, pelos discursos que vemos de políticos, pais, sindicalistas e até de alguns professores, nem se fala deles, os alunos! 
Por isso desisti de pregar a bestas quadradas sobre os benefícios de uma verdadeira aposta na educação e ensino, tendo como alvo e objectivo único, servir os alunos e aumentar-lhes o máximo dos conhecimentos e perícias, adquirindo-o e utilizando-o com critério, mantendo sempre uma atitude de probidade e humildade intelectual. Salvé o Ensino! Sem ele, descenderemos às cavernas. Já falta pouco. As multidões vociferantes de nada se apercebem, apenas dizem mal, numa espécie de fátua crítica atirada para o ar, sem alvo definido, à toa. 
Não, não professo mais, não ensino mais ninguém. Quem quiser aprender recorra às máquinas, à IA, aos professores fáceis, aos políticos e políticas circunstanciais, aos currículos promovidos pelo marketing e sobretudo, dedique-se a ensinar-se a si mesmo. Não contem mais comigo. Sejam adultos! Tomem  conta do vosso Destino já que se acham tão capazes, defendendo este actual estado de coisas.
Não, não voltarei a ensinar! Remeto-me ao silêncio da minha ignorância para deixar brilhar a vossa!


sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Gratias Plenas

Estou pronto para levar mais uma sova. Dito, deste modo, até, parece, masoquismo. Mas se for a sova da vida, continuará a ser masoquismo ou bravura, ou até, maluquice ? Ahahah... Maluquice pela certa. Estar pronto, queria-se dizer. Pronto para quê ? Para a vida nos voltar a derrubar pois, realisticamente, é isso que sempre sucede e que continuará a suceder, a intervalos, absolutamente imprevisíveis. Fartei-me do previsível, do contínuo, do estável (embora deseje ter uma noite tranquila),etc. Não podemos radical-izar. Esta separação da palavra foi propositada. É isso mesmo. Sonhar, mas deixar espaço para o concreto, o real, construto psicossocial. Criamos! Que bom. Inventamos, estipulamos, organizamos arbitráriamente o arbitrário mundo, ao nosso ver, adaptado. Realisticamente, falando do irreal, não vivemos sem o conceber. Daí até à in-diz-extinção é um ápice. Conceptualizamos o caos e a ordem. Estabelecemos-lhes as leis, as nossas. Vê-mo-los como qualquer tipo de cobertura de um gelado. É a nosso gosto, seleção, decisão, imposição, categorial! A indeterminação é tanto exógena como endógena. O Télos segue o seu caminho, seja ele qual for, até pode mudar ao longo do percurso. Agora inventaram a Nutella e eu, invento o Notellus, ou seja, o não Télos.Invento ou improviso ou imagino ou penso ? No ar desdobram-se seres metafísicos. Pode não ser um não Télos, pode ser um Télos clone assimétrico. Estilo, acomodação nas estruturas cognitivas definidas por Piaget. Tanto tempo seguros no lógos, razão ou palavra, e afinal, escutam-se  apenas ondas e frequências. Cada um segue o seu "pace" o seu ritmo. É desenfreado, incontrolável, saudável, livre e louco! Sim, controverso e contraditório. Sim, unificável mas, não Uno. 
Já se sentem massajados ?

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Sem Margens




No mundo imaginário dos valores tudo é perfeito. A realidade é como é, fruto de muitas conjunções e disjunções de forças. Por isso, é difícil, se não impossível, querer traçar uma linha divisória diferenciadora ou delimitadora, como se, se tratasse de uma linha de circunscrição atida a cada contexto próprio.

Trata-se, afinal, de um puzzle onde raras são as peças que se encaixam e que, portanto, raramente deixa antever um sentido, uma direção, um ponto de fuga de compreensão de cada sua forma futura, retirando-lhe quase toda a previsibilidade. Uma espécie de amontoado de peças não emparelháveis. 

Como então estabelecer a ordem ? A lei ? Só no reino do arbitrário, por mais que o nosso ansioso desejo exija a sujeição às nossas virtuais linhas de controlo. É claro, que neste sentido, o caótico sobressai como espelho, não acrescentando, no entanto, a imagem reflectida, alguma outra margem de compreensão. Neste domínio as perspectivas disparam até a um número quase infinito. Por outras palavras, embora qualquer caótico se possa assemelhar a qualquer outro caótico não existirá aqui, nenhum esboço ou sinal de simetria.

Então, como delinear ou conjugar os valores com o real  de forma justa e balanceada ?

Um referente que se referência a si mesmo constitui uma obtusidade.




segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Eter-N-idade


Podemos visualizar, extasiados e em silêncio, a eternidade, mas, jamais conseguiremos tocar-lhe! Não se trata de nenhum Deus, mas sim, da Natureza à qual pertencemos.








Restos mortais


Somos um saco de batatas de desejos. No final, só resta a serapilheira. Para que valeu tanta batata ?









segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A arenosa felicidade


Acontece muitas vezes. O porquê não é conhecido mas, que é visível para outros, é inegável. Seres que buscam a felicidade, que procuram ser felizes mas, que mesmo tendo-a ao seu alcance, a deixam escapar, tal como areia esvaindo-se da palma de uma mão (metáfora pictórica, muito bonita, do filme Out of Africa).
Os seres complicam, focam-se no não essencial, deixam-se atrair pelo sonante, vibrante, brilhante e, nisso enredados, afastam-se da felicidade por que tanto anseiam. Quem está de fora percebe, quem vive a sua existência está, muitas vezes, cego a essa possibilidade.
Como alguém detecta esse divórcio?
Querer demais não resulta. A felicidade não é só questão de querer muito, sobretudo quando, ela é incontrolável pela vontade.
Desejar demais, também não resulta. Satisfazer todos os desejos, não só é impossível, como insustentável e, existe ainda o perigo de desejar se tornar uma adição. Cuidado com aquilo que se deseja, diz um antigo ditado popular.



quarta-feira, 27 de setembro de 2023

the non law


Estes homens não se sabem governar com leis, nem sem elas. A lei acima de tudo e de todos não convoca a unanimidade e, muito menos, quanto à interpretação subjectiva de certos princípios. Para mim qualquer ser humano está acima da lei, o problema é que a lei não quer em nada saber do ser humano, embora seja, o ser humano quem a lei pretende tutelar, sem que, no entanto,  o consiga compreender. Pensa-se,  a lei está acima. A lei é eterna, indiscutível. A única excepção; se a vontade de uma maioria, normalmente, muito mal informada, a quiser modificar. Dirão que nas democracias a lei é discutida em assembleias ou parlamentos.  Após a sua génese quase todos os projectos de leis são discutidos e aprovados por maiorias, nem sempre as mais qualificadas. O que tem mais faltado ao parlamentarismo é qualidade. Por vezes, mas raras vezes, são alteradas e, são-no para tentar adaptá-las às novas vontades de outras maiorias ou eventualmente, a novas realidades mas, quase sempre sem mexer na sua matriz anterior. No entanto, a matriz de que, não se pode viver sem lei, nunca prescreve. Há até leis que são um verdadeiro hino à injustiça.



terça-feira, 5 de setembro de 2023

A queda metafísica do eu

A vida é, a queda metafísica de um anjo desasado, que se extingue ao atingir o fundo do abismo em que penetrou.

O eu é essa ilusão autobiográfica que "mudando, permanece" sendo a candeia que ilumina cada novo espaço percorrido na grande noite sem sentido. 

Sem o navegaríamos, à deriva, sem nenhuma linha de horizonte, completamente perdidos. 

Sem essa bóia naufragaríamos de imediato no extenso oceano. Ao contrário, com o seu excesso asfixiaríamos pelo seu insuflar intemperado.

sábado, 26 de agosto de 2023

Without listenning to this "Human" isn't your true name

Músicos de Portinari
                         

Besides I'm absolutely an atheist I would advise who never heard this 18 masterpieces of music in it's entire life that should do it immediately to start being a Human Being and before it's too late. 

Mozart - Ave Verum - Mozart Ave Verum
Ewa Malas Godlewska  - Handel - Lacia Ch'io Pianga
Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva - Pergolesi - Stabat Mater Dolorosa
Anja Harteros - Mozart - Laudate Dominum
Bach - St. Matthew Passion - The complete master piece (No adjectives)
Vivaldi - Nisi Dominus Cum Dederit - Andreas Scholl
Handel - Sarabande
Giovanni Battista Lulli - Marche par la cérémonie des turcs