«E se
fosse poético não ter o dom das palavras e possuir na mesma os poemas ?
Terá sido a Natureza injusta para com quem não nasceu com essa
faculdade ? É que por vezes, parece...Só encontramos poesia em quem tem o
dom da palavra e a usa com beleza e mestria, e todas as outras vozes se
apagam, ou ficam obscuramente silenciadas, como se, cessassem de
existir. Não haverá, também nisto, uma certa cegueira
naquilo que apreciamos ? Por vezes, sinto-me tão impotente perante as
palavras que me traduzem, que fico em guerra com elas. Se, não me
esforçasse por traduzir, o que sinto e penso, em palavras, restaria
muito mais tranquilo. Serão as palavras uma forma de desejar transgredir
o que pensamos ou sentimos, na medida em que, pretendemos transmitir
tudo isso ? Sim! Estou em silêncio, mas aqui falo, escrevo, o que
nenhuma palavra é capaz de confessar. É uma espécie de silêncio ruidoso,
esta escrita incompleta e talvez infundada, pois, não atinge os seus
desígnios. Uma espécie de escrita, ou poema falhado...Falhado ? Não! O
meu ser está repleto de poesia, mas...Não há palavras que o expressem.
Felizmente, a comunicação humana, não se esgota nas palavras, nem até
mesmo a poesia. Poderá existir beleza em transmissões falhadas...Em
silêncios...E até nas supostas formas rudes e incompletas da
comunicação. Não tens de concordar com o que, agora, te disse... Mas,
pelo menos espero que te faça repensar o modo como encaras a beleza, a
forma, a expressão...» [noético-30/11/2013]
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