sábado, 30 de novembro de 2013

A POESIA SEM PALAVRAS

Angel Gherghelas
«E se fosse poético não ter o dom das palavras e possuir na mesma os poemas ? Terá sido a Natureza injusta para com quem não nasceu com essa faculdade ? É que por vezes, parece...Só encontramos poesia em quem tem o dom da palavra e a usa com beleza e mestria, e todas as outras vozes se apagam, ou ficam obscuramente silenciadas, como se, cessassem de existir. Não haverá, também nisto, uma certa cegueira naquilo que apreciamos ? Por vezes, sinto-me tão impotente perante as palavras que me traduzem, que fico em guerra com elas. Se, não me esforçasse por traduzir, o que sinto e penso, em palavras, restaria muito mais tranquilo. Serão as palavras uma forma de desejar transgredir o que pensamos ou sentimos, na medida em que, pretendemos transmitir tudo isso ? Sim! Estou em silêncio, mas aqui falo, escrevo, o que nenhuma palavra é capaz de confessar. É uma espécie de silêncio ruidoso, esta escrita incompleta e talvez infundada, pois, não atinge os seus desígnios. Uma espécie de escrita, ou poema falhado...Falhado ? Não! O meu ser está repleto de poesia, mas...Não há palavras que o expressem. Felizmente, a comunicação humana, não se esgota nas palavras, nem até mesmo a poesia. Poderá existir beleza em transmissões falhadas...Em silêncios...E até nas supostas formas rudes e incompletas da comunicação. Não tens de concordar com o que, agora, te disse... Mas, pelo menos espero que te faça repensar o modo como encaras a beleza, a forma, a expressão...»
[noético-30/11/2013]



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