quarta-feira, 20 de novembro de 2013

AMOR DE ALGODÃO

«Pouco me importa o que pensas ou sentes se dirigidos a mim. Amar-te em nada depende disso. Amar-me também não. Temos ainda a noção errada de que amar é apenas cuidar, fazer crescer, devotar atenção...E já não somos pequeninos embora adoremos representá-lo como verdadeiros palhaços chorões no meio de um circo. Hoje, agora, não tenho, não devo, não tenho que dizer nem não, nem sim, nem sequer o talvez, que não sinto. Tu vês-te assim livre das minhas pedras e areias desérticas e eu das tuas pétalas e espinhos. Plenos da distância dos afectos, espreguiçar-nos-emos ao amanhecer de olhos tingidos pelo algodão dos sonhos.» 
[noético-02/11/2013]


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