«Não te sei dizer...Carregas contigo os teus
projectos que parecem mais pesados que o chumbo...Ah!...É a
responsabilidade, essa flecha que parece a espada de Dâmocles, sempre
pendente sobre a tua virtude ética de procurares a perfeição a máxima
eficiência... Compreendo, mas não comungo dessa hóstia (vítima)
misteriosa que te presta socorro por trazer-te alento e te deixa
penar...Oh, como te leio, nesses magníficos e despertos olhos...Nem
imaginas por onde me fazes navegar...E é afinal tudo tão simples. Mas o
tempo intromete-se e pede-te que não te esgotes e que não te entregues
ao momento...E, transforma-se em solenidade, o adiar... É óbvio que não
se vive apenas do momento, senão o que seria dos teus projectos ? Um
projecto é um objectivo a cumprir, uma missão, uma entrega a um processo
de edificar...Sei de tudo isso. O que me cansa é que se perde a vida
nisso tudo...E não existe nenhum depois... Os prémios são tão vãos que
por vezes até me apetece implorar-te para parares...A simples palavra
prémio arrepia-me, causa-me náuseas! Não se vive para prémios ou vive-se
? Se, se vive, então eu não vivo para o viver do mesmo modo. Houve
tempo em que lamentaria tudo isso. Hoje, já quase nada me causa honra ou
remorso. Mas, continuo sem te entender, ou faço por isso...Procuro não
te entender para não me fascinar por tão radical empreendimento que tu
levas avante como se de tudo se tratasse. Há muito que todos os meus
sonhos faliram. Não deixei de os ter...Simplesmente deixei de os
imaginar...E vejo-te ou rejubilante ou falida a horas diferentes do dia,
do mês, da semana, do ano...E queres que te ame como se de uma maré se
tratasse ?...Não, não tomo banhos nesse mar.» [noético-26/11/2013]

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