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| Foto: Porto - [AEP] |
«Como posso eu dar-te, o que não sei de mim? Tu, pedes-me, e eu rasgo-me
todo, com violência, numa busca sem fim...Que procuro, não sei ?... Se
for ao encontro da tua minha imagem, acabarei por reconhecer que me
despedaçarei. Por isso, não vou. Não vou, nem encontrarei. Mas, depois,
tu bem o saberás, como o lamentarei... Sair de mim, para ti, é a
loucura. Não posso estar certo de que estou são, mas sigo as batidas
deste meu coração, em alvoroço, possuído pela paixão. Todo o criar é
transgressão, e o sofrer é o imenso deserto da decepção. Não sei por
onde ir, se por aqui, ou antes, se por ali? Andar nisto uma vida inteira
é uma agonia. Nem tu sabes, se bem, eu te faria. Por isso, não ligues.
Não te exponhas. Guarda em silêncio a vida que a mim, te traz, e eu
guardarei em mim, a vida que a ti, me leva.» [noético-30/11/2013]

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