«O cientista desgovernado poderia começar por ser um óptimo título de um
romance. Na realidade, poucos ou quase nenhum cientista se deixa tomar
pelo seu entusiasmo sem tomar em consideração a tábua dos mandamentos da
investigação científica. Os cânones são para seguir e respeitar. E,
muito bem. Mas, imaginemos que todos seguem esse percurso e que a
natureza não funciona segundo esses procedimentos discutidos e
sedimentados ao longo dos séculos, e resolve mostrar mais uma diferente
forma de ser desconhecida até hoje. Muito gratos ficariam aqueles para
quem a imediata resposta seria, a de que se trataria de mais um
desígnio de Deus. Infelizmente poder-se-ia ripostar-lhes que, a ser
assim de facto, então Deus nunca tinha explicado nada aos homens
sapientes e se limitaria a brincar com a curiosidade e vida humanas
como se de um brinquedo se tratasse. Um ser muito jocoso para não dizer
impiedoso. Na verdade, Deus nunca assistiu ninguém nas suas vidas,
explicações ou previsões. Deve temer ser humano, e isso, nos basta. Não
precisamos de Deus para nada, nem mesmo, para nos enganarmos em termos
de ciência. Deveria constituir para nós todos orgulho que os cientistas
se enganem, que caminhem à deriva num Universo, que é desgovernado. A
menos que Deus nos ande apenas a pregar partidas. Neste cenário o título
do romance teria toda a sua pertinência. O que achas?...»
[noético-23/11/2013]

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