sábado, 23 de novembro de 2013

O CIENTISTA DESGOVERNADO

«O cientista desgovernado poderia começar por ser um óptimo título de um romance. Na realidade, poucos ou quase nenhum cientista se deixa tomar pelo seu entusiasmo sem tomar em consideração a tábua dos mandamentos da investigação científica. Os cânones são para seguir e respeitar. E, muito bem. Mas, imaginemos que todos seguem esse percurso e que a natureza não funciona segundo esses procedimentos discutidos e sedimentados ao longo dos séculos, e resolve mostrar mais uma diferente forma de ser desconhecida até hoje. Muito gratos ficariam aqueles para quem a imediata resposta seria, a de que se trataria de mais um desígnio de Deus. Infelizmente poder-se-ia ripostar-lhes que, a ser assim de facto, então Deus nunca tinha explicado nada aos homens sapientes e se limitaria a brincar com a curiosidade e vida humanas como se de um brinquedo se tratasse. Um ser muito jocoso para não dizer impiedoso. Na verdade, Deus nunca assistiu ninguém nas suas vidas, explicações ou previsões. Deve temer ser humano, e isso, nos basta. Não precisamos de Deus para nada, nem mesmo, para nos enganarmos em termos de ciência. Deveria constituir para nós todos orgulho que os cientistas se enganem, que caminhem à deriva num Universo, que é desgovernado. A menos que Deus nos ande apenas a pregar partidas. Neste cenário o título do romance teria toda a sua pertinência. O que achas?...» [noético-23/11/2013]

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