sábado, 28 de setembro de 2013

DÓI-ME O TEU EXCESSO DE NADA

«Não precisas de apagar as tuas marcas, o tempo fará isso por ti. A simplicidade derrota-te a cada novo entusiasmo, nova prosápia, nova estátua que ergues. Sabes bem o vão que tudo isso é. Não é contudo o tempo que te mata. É o desejo que te consome. Compreenderás um dia que vives e morres pela mesma razão. Fugir de ti, da tua natureza é inútil, impossível. És livre? Primeiro terás que encontrar a liberdade e só depois a poderás desfrutar. Possuir pensamentos não significa o mesmo que ter ideias. A maior parte do tempo, tu não fazes a menor ideia do que se passa e do que se te passa. Só quereres não chega. Mais do que querer não há. Pena? Nenhuma. Condoer-me-ei por ti se persistires assim. Não me dói o que não tens. Doí-me antes o teu excesso. E tu queres e queres-te demais. És uma discípula da vontade. Acreditas piamente que partiste e que um dia irás chegar. Nem sabes aonde, mas crês. Crês que viajas, crês em tudo e mais alguma coisa. De malas e bagagens imaginas-te a viajar. As ninharias acompanham-te por toda a parte, fazem parte da tua mochila, da tua casa, da tua psicologia, da tua ambição. Não enxergas?... Partes tal e qual como és, e tu, não és assim tão diferente do caracol... As tuas duas pernas não chegam para enfrentar a existência. Mexer não é o mesmo que esbracejar e isso nem se compara com o abraçar. Mas, desengana-te. Abraçar não é o mesmo que estender os braços para segurar alguém. Isso é apenas suplicar. E tu suplicas muito, muito, muito. Vives a suplicar o céu e o inferno conforme te debates com esse vazio monstruoso que habita as tuas entranhas. Esgaravatas, escarafunchas, picas e arranhas. Imaginas que unhas são garras que te prenderão. Que dedos são pinças que te susterão. Que um dia a beleza cobrirá como um manto toda a Terra...Sonha, continua a sonhar...Nunca é demais sonhar mesmo que isso signifique que muito sangue se verteu em nome do que dele cresceu. Mas, se me permites, enquanto tu sonhas, eu prefiro evaporar-me.»
                                                                                                                               [noético-28/09/2013]

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

EM MEMÓRIA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924-2013)

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

sábado, 21 de setembro de 2013

ENJOY LIFE


NEITHER THE ONLY OR THE ONE TRUTH

«We can not say yes or no if we ever know all about the Universe or Multiverse as now some scientists state. Meanwhile we know what we know and it is possible to know and that is the best we can and we are in the chapter of knowledge. One thing is beautiful. The Big bang theory so fastly adopted by the Vatican guys with their philosophy of the «Verb» according to the Bible «Fiat Lux» is losing ground. And that for me is a victory of science over dogmatism and superstition!»
                                                                                                                               [noético-20/09/2013]

VIVER POR INTEIRO

«Tu sabes bem que já aprendeste a viver com o teu outro lado. Já há muito que entendeste que a harmonia não é passividade nem um mar de rosas. Quem quiser que pense assim mas que se desengane depressa. Um violino com cordas afinadas continua a ser um violino e pode tocar peças com ritmos e melodias muito díspares. Nunca será um piano e vice-versa. Um dia estás calma e tranquila e outros irritada e intranquila. Assim, a música será diferente. Uns dias podes ter muito a dizer e outros nada mesmo que valha. Não se é todos os dias igual. A coerência vem de afinares as cordas do teu instrumento e não das melodias que nele tocas. Seres um violino ou um piano ou um saxofone ou outro qualquer instrumento afinado. Se quem contigo convive não entende isso, paciência. Não vais desafinar o teu instrumento por amor às audiências ou para as salvar. Ninguém te escutará depois de morta. Por isso, aprendeste a viver também com a raiva, o sofrimento, a revolta e não apenas com um sorriso forçado cravado nos lábios. Tu sabes que nunca serás uma perfeição ou um poço de virtudes. Não foste feita para desistir de ti. Seria bom que a hipocrisia já tivesse tido o seu tempo. Porém, pelo menos para ti, tu sonhas que ela se acabe de vez e preferes que temam antes a tua fúria honesta do que a tua raiva dissimulada. Tu sabes bem os danos que esta última atitude provoca nas relações com o tempo. Corrói-as. Para ti já basta de palavras. Tu passaste aos actos. Vives inteira e por inteiro e é tudo.»
[noético-21/09/2013]

DEVER AO TEMPO

«Não existem razões para exultar ou para escarnecer. A tua efemeridade é gritante. Limitado, demasiado limitado a ponto de nunca variares para além de duas ou três vertentes. E tanto, mas tanto tempo na demora em aprender da vida o vernáculo. Não podes dever tanto tempo. Não podes?»
[noético-19/09/2013]

O QUE FICAR DE PÉ

«Que fique de pé o que ficar. O que sobrevive não é certamente e sempre o mais claro ou o melhor, mesmo que seja o adaptado ou o sobrevivente a um holocausto nuclear. Inúmeros exemplos existem que o comprovam que não creio necessário enunciar. Neste sentido portanto as evidências ou o que é ou parece evidente valem o que valem. Ou seja, dentro do espectro do conhecimento têm também o seu peso relativo tal como tudo aquilo a que chamamos factos.»
                                                                                                                             [noético-20/09/2010]

terça-feira, 17 de setembro de 2013

MEMORIAL

«IN MEMORY OF ALL NEGLECTED THOSE WHO STILL DIE OF HUNGER, THIRST, PERSECUTIONS DUE TO RELIGIOUS AND POLITICAL REASONS, DUE TO ABUSES OF ANY KIND, DUE TO WARS AND LACKS OF SHELTER, FOOD OR TREATMENT... THINK FOR MOMENTS. AFTER ALL WHO ARE THE REAL TERRORISTS THAT WE MUST FIGHT?»

«EM MEMÓRIA DE TODOS OS NEGLIGENCIADOS TODOS AQUELES QUE AINDA MORREM DE FOME, DE SEDE, DEVIDO A PERSEGUIÇÕES RELIGIOSAS E POLÍTICAS, DEVIDO A MAUS TRATOS E ABUSOS DE TODO O TIPO, DEVIDO A GUERRAS E CARÊNCIAS DE ABRIGO, ALIMENTO OU DE TRATAMENTO... PENSEMOS POR MOMENTOS. QUEM SERÃO AFINAL OS REAIS TERRORISTAS QUE TEMOS QUE COMBATER ?»

[noético-09/11/2013]

FIDELIDADE ?

«Não sofro de incontinência moral nem de obstipação sexual...Ser-te fiel não pode implicar que te apropries do meu corpo e tornes subserviente o meu espírito. A confiança não pode ser construída sobre a submissão. Isso não pode consistir em amor. Lamento pelo teu equívoco.»
[noético-16/03/2013]



TU E EU SOMOS UNS OUTROS

«Vejo-te como aquela que se vê suceder em outra. A todo o momento, não estás em ti, viajante, portadora de nada. Rumas sempre, a cada instante, para outros lugares. Eu, nem ousaria segurar o que és, o inefável. Contento-me em amar de ti as tuas sombras e em seguir-te o rasto. E cada vez que te imobilizas, emerge em cada tua nova máscara, um corpo sem rosto... Assemelhas-te a uma andorinha ferida arrastando a asa, a uma nuvem gélida e petrificada. Tu e eu, nunca estamos em nós, por isso, nos desejamos tanto. Queremo-nos por inteiro porque nos sobramos um ao outro. Nunca nos poderemos conter. Nem mesmo quando nos abraçamos e beijamos ou fazemos amor. Nada temamos portanto.»
[noético-16/09/2013]


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

BOM DIA, AMOR!

«Há um som em cada toque, um abraço em cada respiração…Assim te descubro, desnuda, outra…E é delicioso ver-te despertar no leito da vida, sentindo vagarosamente cada partícula do teu corpo vibrar a meu lado… Bom dia, amor!»

[noético-09/09/2013]

PORTAS

«E agora ? Agora ?...Nada! É dificil decidir entre sofrer por amor ou amar e sofrer. Em todo o caso, todas as coisas parecem acompanhadas de perda e de luto quando nos surgem como significativas. Por que será que o que nos diz tanto, o que mais nos importa é o que mais nos agride e afecta ? Por que nos deixamos enredar nessa trama se a nossa lucidez o poderia ter evitado? Pois é, Lucifer não vence Cupido. A cupidez vence a lucidez. Manda nela. Mas a cupidez leva a dois extremos. Ou nos arremeça para o fundo das trevas ou nos projecta em delírio para um universo de alegria. Podemos trocar o nome às coisas que as viagens apenas se inverterão. Permanecerão os mesmos destinos. Luto ou sombra ? Há sombras que são lutos e lutos que não são sombras. E agora? Agora ?...Nada. Há que aprender a viver à luz, à meia-luz e na escuridão. Também corre sangue e se respira na escuridão. Pode-se sempre sair por portas por onde nunca se entrou e pode-se sempre, também, entrar por aquelas por onde nunca se saiu.»
                                                                      [noético-19/08/2013]

ON MY WAY

«Things can be different than i talk about them. Although it will be always the way i see things. It is not right or wrong but the only way, the way, my way of seeing things. My world even if raised on error will be true anyway because it is the only I have and can aspire. The one I live and will live. So when you speak about the truth at which do you refer ? A universal truth that I didn't recognize as such ? Sorry for spoiling your plans, if I didn't saw it along my life please don't insist that it is universal because it is not. At least in my world it never existed. To ignore a truth doesn't turn your thoughts and life a lie. Your ignorance may not a be a denial of something but just another way of the truth manifest itself by not being known by you.»
[noético-19/08/2013]

A FICÇÃO DO NÓS


«A ficção do nós deu-te forte...Existem tantas combinações possíveis do nós como existem dos eus. O truque, já que não sou amante de segredos nem de mistérios está na relação ou se preferires na equação. Por isso, quando falas de nós nunca sei situar-me de tão escorregadia que me sôa a tua voz.»
[noético-07/09/2013]


QUERER VER PODE SER UMA CEGUEIRA

«I still have a heart although I do not need to show it all the time. You know...Nothing is visible all the time not even you. Don't you believe it ? Then let me ask you this... When you close your eyes and you go to sleep are you still visible to yourself ? Of course not. So most of the time of your life you spend it without seeing yourself and still you keep on living. That is why it is not so important that I show you my heart all the time. You must live and survive to that natural blindness.»
[noético-13/09/2013]

domingo, 1 de setembro de 2013

O CLIENTE DA LUZ



Der Blinde fuhrt die Blinden - Walter Heckmann (1991)

«A maior de todas as cegueiras é a lucidez e, é por isso, que agora sei quem eras e quem tu és. Não há lento nem apressado quando se age com naturalidade. Só há um tempo, aquele que é teu. Também, não existe nem culpa, nem remorso, nem ressentimento. O que não existe mais é o entendimento prévio, em que tu fazias do idiota deslumbrado, dominado pelo falhanço constante da luta contra as tuas próprias fraquezas. Afinal, estavas mais desperto do que demonstravas e transparecias. Por vezes deixavas-te alucinar amorosamente como se tomado pelo poder de uma droga. Não era hipocrisia. Disso tu não percebes nada. A esperança era o isco e tu seguias o fio de Ariadne como um sonâmbulo fascinado pela promessa adiada. Afinal, algo para o qual tinhas sido treinado toda uma vida. Só, por isso, sucumbias e tornavas a sucumbir, agarrando-te a essa tortuosa meada. Sim, tu não te comportavas como pessoa, nem como gente, mas simplesmente como um vulgar cliente. Como aquele, que se deixa seduzir por uma certo discurso apelativo e, que se deixa trair ou vencer pelo seu próprio desejo, fundado na ilusória supressão da carência, por algo, substancialmente tangível. Afinal, o jardim por onde caminhavas, não tinha flores. Habitavam nele apenas esqueletos e espectros, que em grotesca procissão noturna, entoando cânticos sedutores dançavam valsas delirantes. Sobre as sepulturas dos sentimentos cresciam desenraizadas, máscaras vazias de entes, aparentemente de outro mundo. Nada era estreito ou plano. Tudo era palco e teatro, génese de personagens e ficções ocupadas por ossaturas desengonçadas, quase ridículas, meio divertidas e deliciosamente picantes. No lume brando da fogueira alimentada por pequenas deixas ou grandes falas se montavam cenas e se produziam actos. Pois é…Todo esse carrossel parecia assombroso, mas de facto estava era assombrado pela luz, que protelava a sombra e te cegava pálida, indefinida, virginalmente alva. E tu sucumbias e sabias por que sucumbias e sucumbias por que sabias…Imbecil cego alucinado. Ainda bem que fechastes os olhos e acordaste!»
[noético-01/09/2013]

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ANUNCIAÇÃO



Sinto a tua chegada...
E contigo chegam-me as lágrimas e um sorriso.
Ser um mero simulacro não faz qualquer sentido. 
Há muito que cessei de ter existido. 
E pergunto-te ...
Quantas vezes, é preciso morrer, por se ter nascido? 
Oh...Oh...
Estar mais presente não consigo, se fingir for o motivo...
Tenho encontro marcado com o passado renascido
Com o futuro enegrecido. 
Mas, que importa tudo isso ser merecido ?...

[noético-26/08/2013]

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

THE PURE SENSE OF UNEQUAL

«I have no dignity I say it and stand for it. But I still exist. No need the respect of anyone. They don't need to respect me. They just have to accept the fact that I exist. Respect? Looks like someone respect and the other is respected. Seems not like a equal relation. But let me tell you this...I don't believe in equal relations. No relation is equal except if it is static or when it belongs to an abstract equation. Nevertheless i do not believe in hierarchical relations previously defined. Those are just a type of relations that we, can call, formal. They are also very usefull to society because they help clarify each status and to prevent some conflicts between people and organizations. Therefore I do not wish to love or to be loved in an hierachical relation, neither a equal one. That's why i don't care about any dignity or self-respect. If you demand that the other starts to hide his free thoughts and feelings then you start to be related with a lie near by. If in the future you suddenly realize that your companion was lying you shouldn´t be angry. After all, you have demanded the other person to conform to your wishes. You demand it so you have nothing to claim for. Your dignity sucks because it is only a form of demanding an authority that you do not possess and that you try to impose. Sorry, but i also don't need your sympathy. I believe in the sense of the unequal.»
[noético-14/08/2013]
Picture: Desigual is a trademark not used here with any commercial purposes.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

FORGET ME NOT...

«What is that thing that is called Being ? I call therefore I am ? Am I something that calls ?...The night falls with my thoughts within. Something is thinking that is entitled 'Me'. Who's Me ? What did asked the question?... I could not sleep in front of such questions like these. But, instead, I stoped questioning. Whatever I do, I will be 'Me' a 'Being' that calls itself, something with a name like 'Me'. This is so prosaic...But this way I forgot what I was about to tell, calling things. Did I forgot to 'Be' or the 'Me' ? I guess that this will be something...Please, in other words, forget all I've said.»
[noético-13/07/2013]
  Video: Gloria Estefan - Can't Stay Away From You

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MOVEMENT

«Movement remind us of forms. Forms remind us of movements.»
[noético-01/08/2013]

HEART & MIND

«First you start to have a heart only after that you'll have a mind.»
[noético-01/08/2013]

FALSEHOOD METHOD

Foto: Mistress
Mistress - Ian Gamache
«Some falsehoods work as deceptions leading sometimes someone to learn something true. Mystery has always played some role in learning.»
[noético-01/08/2013]

IT IS ALL ABOUT CARING...

Foto: Jiri Borsky...____Abstract- Music & Poetry"O amor produtivo implica sempre um síndrome de atitudes; as de cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento. Se amo, cuido - isto é, estou activamente empenhado no crescimento e na felicidade da outra pessoa; não sou um espectador. Sou responsável, ou seja, respondo às suas necessidades, às que ela expressa e ainda mais àquelas que ela não expressa ou não pode expressar. Respeito-a, ou seja (de acordo com o sentido original de re-spicere), olho para ela como ela é, objectivamente e não distorcido pelos meus desejos e medos. Conheço-a, penetrei através da sua superfície em direcção ao âmago do seu ser e relaciono-me com ela a partir do meu âmago, a partir do centro, ao contrário da periferia, do meu ser"

- Erich Fromm, The Sane Society, 1956, p.32.

HOJE

«Hoje não foste minha, meu amor. Eu retive-me sem me deter em lado algum caído como mancha numa espécie de negro fluorescente. Tu retiraste-te para as sombras do meu pensamento. As horas partiram sem se despedir de nós. Não fomos nós que não estivemos presentes. Ambos transgredimos os nossos lamentos e alongámos os nossos silêncios. Há vozes que não podem ser ditas, melodias que não podem ser transcritas, entoações breves de cânticos perdidos, alegrias esparsas por entre pétalas de flores. Hoje...Sinto desaguarem-me as palavras como prantos de rios invisíveis. Sinto ? Adormeço esvoaçando como uma pena por entre os teus abraços inertes esculpidos pela dor. Hoje, não sinto que seja hoje. Hoje, não tenho a coragem de hoje. Hoje não poderia ser hoje e é hoje ainda.»
[noético - 02/08/2013]

DECLARA A TUA MORTE

«Declara a tua morte. Depressa. Declara a tua morte. Assim anunciarás a tua ausência a quem te cobiça nos seus sonhos e delírios. Morre-se muitas vezes. Mas a ninguém parece agradar a tua morte, pois isso significa que não te tornarás num verdadeiro colaborador, num fiel consentidor. Morre e morre em paz mesmo que te o recusem por amor. Não te rendas a qualquer forma de opressão não consentida. Na morte serás livre. Não, não confundas com suicídio. Não, não é nada disso... Que disparate! É que só morrendo poderás renascer, renovar-te a partir das cinzas, largar essas sucessivas camadas de pele que te mascaram e causam uma coçeira quase visceral. Por mim, morre a cada vez. Mata-te que a tua miséria é mesmo não conseguires apagar essa vida que te habita. Morre e desperta. Nunca é tarde para se morrer. O reino dos mortos é teu, assim, tu o queiras ?»
[noético-02/08/2013]

THE WEIRDEST THING

«The weirdest thing of all is that we all feel similar though we try to lie and fake not to feel it. We all have similar behaviours but try to find a way to be different because we are affraid of not being reconized has individuals. So the details are exaggerated to the limit. The words lie. We all know examples of it.This reveals insecurity of the self and turns people into small monsters full of fears with their disfigured expressions exuding a certain scent of wonderful perfum while it is a trap.They rather live in their cages instead of coming out and face the sun shining without their guideline bars. Our fury to know reveals an insecurity, a fear, a lack. That we should try to heal. While we do not love our ghosts we'll never feel free.»
[noético-02/08/2013]

A PUREZA


«A pureza está sempre onde eu não estou, por isso estranho, porque sonho sempre com algo que nunca vi. E ainda mais estranho me sinto, porque desconheço esse fiel, que faz pender o meu prato da balança, para esse lado impuro. Por que é que afinal faço isso comigo ? Quem me condenou senão eu ? Por que é que as coisas em que acredito, me julgam, me censuram e me condenam ? Quem lhes deu esse poder, senão eu? Ah!...Já sei ! É essa a espada com que brincava à vida quando era pequenino. Chamaram-lhe de Damocles, mas só pode ter sido por engano, pois eu te-la-ei roubado certamente nos meus pensamentos e com ela terei sido condenado à mesma provação. Não, não quero que as palavras pairem sobre o meu coração condenando-o ao medo por querer evitar o seu afiado gume dilacerante. Não, não quero ser puro assim. Não, não quero pureza alguma que me condene e crucifique. Decido ser impuro. Pelo menos estarei vivo para presenciar a degeneração da minha carne e do meu próprio espírito. Não, não quero mais alvuras imaculadas. Tudo isso me conspurca, me aprisiona, me dilacera, me faz sofrer de uma inutilidade ainda maior do que a própria inutilidade de ter nascido. Não, não serei puro, nem almejarei o Céu. Também não temerei o Inferno em que não acredito. Não viverei em nenhum desses dois mundos. Serei, apenas eu, um simples grão de areia neste extenso e infindável deserto por onde passo.»
[noético - 02/08/2013]

ALUCINATION

   «I must be very stupid to believe that i might become perfect.»
   [noético-01/08/2013]

SER DESERTO

«Sem ti sou deserto, areia estéril onde nada floresce, mar de sal, pedra inerte. A maior distância é a tua ausência, o único vazio insuperável. É sempre a ferida que nos move em céu aberto, até ao poente. Navego cego de dor, uivando a cada passo, como se cravado por espinhos de esperança eriçados contra o tempo. Não sei haver-te, embora tu existas como lugar de mim. Não sei ter-te, embora tu me possuas a mim. E eu, que queria tanto...tanto...não te querer assim...Alguma vez conseguirei escapar-me a esta barcaça que sente e pensa furiosamente ? Chamamo-lhe travessia mas tudo não passa de um remar a braços que se meneiam síncronos e ritmados dilacerando as águas sem destino. Um dia, amor, conto-te o incontável. Tu bem sabes que tudo se move por promessas reacendendo a vida como sombras projectadas por círios traiçoeiros. Não sou transparente. Não sou vazio. Antes me esvaziasse dessa opacidade bolorenta, resíduo putrefacto, abandonado nos porões do esquecimento.»
[noético - 25/06/2013]

MEDICINE



«Many try to sell every type of medicine in obscene formulas of spiritual and physical salvation. Democracy has permitted to the western peoples the substituition of many gods religions for many single gods religions at the will and taste of each one as if there was a sky and a personal hell at the measure of each. Whatever religions are they seem like supermarket products that anyone can achieve and acquire with the easiness and benefit of not to have a critical thought implied. They even say that religion speaks about God a being that has no being because its existence can not be proven as its non existence. This logical proof can not be taken, so it can not be a science which means that teology is all about fakeness. After all, that fictional being, is no perfection at all because it lacks some ordinary qualities that almost every other being have and that allows man to study it. So discussion about what can not be discussed or proved is closed. Let just us find another kind of healing like human love.»
[28/06/2013] - noético

J'ADORE


«Qual o perfume que mais aprecio? Sem dúvida o J'adore, por que te adoro. Ahahah.»
[noético-04/08/2013]

SUMMER

«The summer has came and with it the flaming void too. Piles of people concentrate on the edge of the sea watching each other like wolves searching for their prey. What follows the crowds is mud that the sun dries and turns to dust taken by the autumn wind. I hate summer because of that. Fake hopes and loves flourish and all the bad things grow with golden splendor. Can you hear my thoughts in the middle of this crowded universe? I'm thankful just for you don't hear it.»
[noético-30/07/2013]

HEARING THINGS

«Sometimes you are just tired of hearing things, of being aware of what they tell you, of their mental figures, of their sentimental moods, of their doubts and hopes, of their narcisic self claims. And you just can't hear them no more without shoot them immediately with poison words. You can not erase their nature or their habits. And doing that you just find that your cruelty is truly human. That your humanity is made of inhumanity also. So, you should step aside, and stay alone untill you calm your bad temper. And you should ponder the hypothesis of never return and stay aside most of your life time. You may think that you were born to love, but you may well be the worst lover in the world or at least a bad lover as most of humans are. You may think as well that you are worthy to be loved but it might be possible that you don't know how to accept that precious and rare gift amongst humans. So in the end you may consider yourself ruined to love. Perhaps it may be true. Perhaps not. Just be humble with you and with your neighbours. Forget the fireworks that you see everyday in everyplace. Forget about you. Just live and be silent.»
[noético - 23/07/2013]