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| Ericeira - Jogo da Bola |
«Sinto-me como uma árvore podada, deixada aos caprichos do homem. Modelarem-me, não me proporciona maior beleza, não me melhora a vida, nem me empresta outra que, não sei ter. Apenas
conservo as irregularidades do meu tronco, como as reais singularidades
do meu ser que se eleva rebelde e cheio de vida, contra a força da
gravidade. Olho em redor todas as outras árvores e percebo que o nosso
movimento é comum. Nenhuma de nós se iguala e a beleza resulta da nossa
unicidade. Não se evolui assim na vida por que se quer, pois, nem
senhores das nossas características, que acabam por desabrochar em
flores e frutos, somos. Mas, também, não somos donos das nossas cicatrizes,
que o desleixo, as circunstâncias favoráveis ou ainda adversas, bem como,
as intempéries, produziram em nós. Uma árvore, sabe olhar em todas
direções, mas, também, para trás e ver...Apenas o orgulho das alturas me
movia cega, para cima, alheia sempre, a tantas outras coisas, que os meus
ramos, inúmeros, mas desiguais, não poderiam abraçar. Não me posso
arrepender da seiva que me corre e do simples lugar que ocupo nesta
floresta de seres que me rodeiam. Por isso, hoje, posso tranquilamente
adormecer onde estou.»[noético-22/02/2014]

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