quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A SUSPEITA

«Toda a contestação social é vista com suspeita e de mau agrado. facto inegável das nossas «pseudo-democracias». Os detentores do poder começaram sempre por criar modelos de sociedade ideais, por exemplo, na idade média o que todos queriam é ser cavaleiros ou clérigos. Sucede que manter uma população a correr atrás de uma «cenoura» ou «lebre» como se de coelhos ou de galgos se tratasse, acaba por entreter mantendo distraídas durante alguns breves instantes as populações, mas não há remédios, nem salvações para sempre. O poder tende sempre a perpetuar-se, assim como quem não o tem o deseja ter, e, se o tivesse, passaria também a preocupar-se em mantê-lo. É humano. Mas não deixa de ser contraditório para com outros ideais, tais como, a igualdade, a fraternidade, a solidariedade. É pena que muitos, sejam incapazes de desmontar este ciclo vicioso, pois a paixão pela luta, não é em verdade, nenhuma verdadeira luta. Todos procuram ideais comuns, aqueles que os gúrus desta sociedade assíncrona e desigual, pretendem que todos professem, a bem, do conjunto, do colectivo, do universal. Até por vezes faz jeito ter uns tantos «indíviduos jurássicos» a protestar nas ruas. Dá até quase a sensação que isto é realmente uma democracia. Até se apluadem os opositores. Enfim! Quem se deixa levar pelo protesto acaba sempre do mesmo lado ou a desejá-lo, daquele que acaba por os receber. E no meio disto tudo, apenas o teatro permanece. A falsidade das pretensões, a ignorância do que seja justo ou seja justiça, etc. Tudo numa lógica, comum, demasiado comum, demasiado humana, de que todos pretendemos o poder que dá acesso à riqueza ou vice-versa. Bem, este é mesmo o discurso ou contra-discurso da História. O tal que aposta tanto na permanência da situação actual, quando favorável, como na revolução que salvaria ou obstaria a todos os males. A lógica é a mesma. Lógica ? Sim! Entranhamente ou talvez não. O que está aqui em causa não é o direito ao protesto, aliás, já existia protesto antes mesmo do Direito. Mas enfim, para a maioria da rapaziada isso é quase como provar a existência de Deus ou a sua inexistência. A malta, pensa que sabe, julga que tem direitos. Rapidamente os desinteressados nessa visão acusam-nos de que não querem deveres e que só pensam em direitos. E o carrossel prossegue nesta lentíssima e pleníssima estupidez, massificada por gentinha ignorante e que caminha de olhinhos mais fechados do que abertos, julgando até estar a ver o Sol. Para mim já chega de ver este carnaval de idiotas desfilar como se estivessem numa festa, quando nem sequer sabem o que é de facto festejar, celebrar, etc. Chega ? Não. Temos que aprender a viver com isto e a resistir-lhe sob a pena de deixar mesmo de existirem vozes realmente discordantes. O problema é que se «carnavalizou», outros dirão, banalizou, toda a constestação social, por falta de critério e de gente que pense. Mas, gente que pense, querem eles, os poderosos, o mais rapidamente, acabar, pois isso, não os favorece. Veja-se o que andam a fazer com a educação e com a cultura...Enquanto isso, vão podendo fazer o que querem nas costas das populações, pois os ignorantes só muito tardiamente lhes descobrirão as «carecas». Por isso, cada vez existirão mais contestações e actos imbecis dos poderosos igualmente cretinos nas suas respostas. Convém que tudo pareça estar na mesma base, dá um certo sentido mais democrático à coisa. Fá-la valer mais. Confere-lhe um certo prestígio, o de se jogar com as mesmas armas. Uma aparência de igualdade que subjuga muito mais do que as autênticas e verídicas desigualdades que existem por todo o lado e que, aqui, não preconizo de forma alguma acabar. Apaziguar é diferente de resolver. E o que hoje se faz ? Apazigua-se! Acalmam-se as populações, àvidas de segurança, de proteção e há milhares de anos, com o apoio das Santas Madres Igrejas, sejam de que confissão forem, sempre a apoiar. A malta vê nos contrastes, opostos, quando eles nem existem, mas é assim que as mentezinhas pensam, comummente! Haverá alguém que discorde realmente ? Que faça frente a tudo isso ? Será a educação que se dá nas Escolas e fora delas ? Não me parece. Os funcionários do «status quo» andam por todos os lados. Estão, aliás, todos instalados nas suas catedrais de saber, de poder, de bem-estar. Ordenam, estipulam, decidem para si e por todos. Retirem-lhes os privilégios e como seria ? Ah! Já sei! A Anarquia. E Anarquia é realmente o que mais temem, tremendo por todos os lados. Mas a Anarquia não é nada do que «esses habituais mentirosos dizem, senão ainda chegaríamos a acreditar neles, facto que muito facilmente acontece». Seria a extinção, não da sua raça, mas da sua presença como peste, enquanto gente. A extinção do seu posto, do seu estatuto, dos seus privilégios, da cordeirada a trabalhar para os seus próprios fins, enfim...O fim da sua comodidade que parte de uma base de confiança desvirtuada de contar sempre com os outros para se levantarem e se erguerem acima e por cima dos outros. Uma corja, autêntica. E esta atitude não existe apenas nos que nos governam...O que realmente governa «as massas» ou a«populações» como costumo dizer é mesmo a vontade de «reinar». Salve-se no meio disto tudo o idiota que sou eu. Mas ainda assim, prefiro sê-lo a fingir que me pauto pelas hipocrisias desta «palhaçada», sem desprimor quanto aos palhaços!»[noético-11/02/2014]

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