«Queria esquecer o teu cinzento, encobri-lo de luz ou descobri-lo na
escuridão, mas não há modo de me desfazer da cor. E suspiramos…Maldito o
dia para que fomos feitos. E, no entanto, por aqui restamos,
caminhando…Doi, faz sol e chuva, e tudo se vai arrastando…Tudo parece
plácido, impávido, irreal…Nós, quem quer saber disso ?...Nós, essa
palavra morta no dia de anteontem e que persiste para além do
tempo…Amargo, doce, indiferente! Para nós todo o futuro se abre…Não há
nuvem que assombre, luz que se apague,
riso que se afogue em lágrimas, mas…Isso não é tudo tão fora de tempo
?...Sim, nós estamos fora estando dentro, sempre agarrados pelas
palavras que se colam à nossa saliva como se fosse o firmamento. Sim,
meu amor…E ambos odiamos o termo que a nada põe fim. Sim e não. Tudo
isso que não é nada do que foi escrito e que vai ainda nascer, num
advento que nenhum rasgo de visão consegue vislumbrar…Poesia é isto.
Poesia poderia ser aquilo, aquele copo, aquele resto, aquele
pedaço…Amo-te, meu amor…E nem eu nem ninguém sabe quem tu és ou nós somos.»
[noético-12/02/2014]

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