quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A INSUBSTITUÍVEL INGENUIDADE

Drawn into the darkness, blinded by the light
«Um dia perguntei-me de que tens medo ? Como resposta, obtive a ideia errada, mas a que parecia mais certa... Do que mais tinha medo era de enlouquecer. E porquê ? Por que simplesmente me tinham ensinado que a «a loucura» era mau, só causava problemas. Problemas ? A quem ? É que para quem coloca problemas existem pelo menos dois lados. O lado da procura da resposta e o lado de quem continua duvidando. Claro que existe um lado e muitos outros, passando por aquele que nem sabe o que pergunta, ao outro, aquele que simplesmente pergunta só para não permanecer parado, bastando isso para se sentir vivo. É interessante acima de tudo a dúvida. Nunca ninguém duvidou dela! Estranho, não é ? Não adianta quem tem razão ou quem está do lado da razão, excepto, para evitar os corvos empenhados em levar a doutrina de Hobbes de reeencontro à escolástica. O homem é o lobo do homem, mas desde quando ? Surgiu, depois, do rasgo da amizade e do amor romântico, o vazio. Nem a amizade contou, nem o amor triunfou. E afinal, com que linhas nos cozemos ? Claro, que «nós» é um abuso. Mas, por que será que a amizade falha tanto, como o dito amor ? Já se perguntaram isso ? Alguns de vós, certamente. Claro que sim. E justificarão o fim das amizades, claramente, com menos ódio do que aqueles que confiavam no amor e se sentiram atraiçoados. Mas em que consiste uma traição, afinal ? A menos que seja cometida, pois também as há, propositadamente, a traição acaba por se revelar apenas mais uma prova de ingenuidade. Ingenuidade daqueles que acreditam demais, ingenuidade daqueles que nem sabem por que estão a trair. Por isso, julgar, o conteúdo pela rama, resulta quase sempre num exercício fátuo. Mas, voltando ao princípio, ao medo de enlouquecer. Por que teria eu pensado que tinha medo em enlouquecer ? Mais uma vez duvidei, de quase tudo, segui Descartes, mas, isso, não interessa sequer a um verme. Não me parece bem é ter receio disso... Por que terei que temer, achar-me louco, ou deixar-me simplesmente enlouquecer se esse for o meu caminho ? Haverá algum comprimido que o detenha ? Alguma palavra que o faça parar ? E, se no final, do enlouquecimento, apenas se tivesse vivido a vida de verdade ? Não estariam todos errados os terapeutas ? E eu tivesse apenas feito o meu caminho. Não o fez Napoleão ?...» [noético-19/02/2014]

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