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| Drawn into the darkness, blinded by the light |
«Um dia perguntei-me de que tens medo ? Como resposta, obtive a ideia
errada, mas a que parecia mais certa... Do que mais tinha medo era de
enlouquecer. E porquê ? Por que simplesmente me tinham ensinado que a «a
loucura» era mau, só causava problemas. Problemas ? A quem ? É que para
quem coloca problemas existem pelo menos dois lados. O lado da procura
da resposta e o lado de quem continua duvidando. Claro que existe um
lado e muitos outros, passando por aquele que nem sabe o
que pergunta, ao outro, aquele que simplesmente pergunta só para não
permanecer parado, bastando isso para se sentir vivo. É interessante
acima de tudo a dúvida. Nunca ninguém duvidou dela! Estranho, não é ?
Não adianta quem tem razão ou quem está do lado da razão, excepto, para
evitar os corvos empenhados em levar a doutrina de Hobbes de reeencontro
à escolástica. O homem é o lobo do homem, mas desde quando ? Surgiu,
depois, do rasgo da amizade e do amor romântico, o vazio. Nem a amizade
contou, nem o amor triunfou. E afinal, com que linhas nos cozemos ?
Claro, que «nós» é um abuso. Mas, por que será que a amizade falha
tanto, como o dito amor ? Já se perguntaram isso ? Alguns de vós,
certamente. Claro que sim. E justificarão o fim das amizades,
claramente, com menos ódio do que aqueles que confiavam no amor e se
sentiram atraiçoados. Mas em que consiste uma traição, afinal ? A menos
que seja cometida, pois também as há, propositadamente, a traição acaba
por se revelar apenas mais uma prova de ingenuidade. Ingenuidade
daqueles que acreditam demais, ingenuidade daqueles que nem sabem por
que estão a trair. Por isso, julgar, o conteúdo pela rama, resulta quase
sempre num exercício fátuo. Mas, voltando ao princípio, ao medo de
enlouquecer. Por que teria eu pensado que tinha medo em enlouquecer ?
Mais uma vez duvidei, de quase tudo, segui Descartes, mas, isso, não
interessa sequer a um verme. Não me parece bem é ter receio disso... Por
que terei que temer, achar-me louco, ou deixar-me simplesmente
enlouquecer se esse for o meu caminho ? Haverá algum comprimido que o
detenha ? Alguma palavra que o faça parar ? E, se no final, do
enlouquecimento, apenas se tivesse vivido a vida de verdade ? Não
estariam todos errados os terapeutas ? E eu tivesse apenas feito o meu
caminho. Não o fez Napoleão ?...» [noético-19/02/2014]

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