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| Roberto Ferri |
«Vivos...Virando o copo...Tu...Eu...E nada aconteceu que os olhos
vissem...Não!...Não penses tu que foi paixão. Não! Estamos tão errados
até sabermos o caminho! E é tão sómente isso! Vê se entendes que não
existe maldade alguma em estar-se à procura...Sim! Todos os degraus se
despem de mim e de ti, seja do que for...E aqui estou finalmente...Muito
mais do que seja a poesia...Dizendo-te que se passou, sem ti! Ficas
ferida, lamuriosa, cativa de que fantasia ?...Tu, não és culpa
da.
Nunca o foste! E eu...Comportei-me como um...Homem...O que é isso ? Já
compreeendes porque ando perturbado ?...Creio que não! Sei que sou de
carne e osso e não de ferro, tal como tu, que procuras a minha cama e eu
a tua. Não, eu não sou, nem aquilo que digo que sou, nem aquilo que
penso ou desejo que sou, nem sequer o que imaginas que sou. Lamento ?
Não tenho nada a lamentar. Nem tu me conheces para estares apta a
acusar-me, nem eu, estou capaz de me defender, pois não existe
personagem quando a gente procura ser outro. Eis o risco da regra, que
se sobrepõe a toda a linguagem adquirida. Eu sou não sendo neste
momento. Tens um minuto para me escutar ?...»
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