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| From: The British Library |
«Deixem de inventar, interpretar ou copiar as frases aos
bocados...Deixem de pensar que tudo o que vos torna felizes é desejar o
mesmo que todos os outros desejam para a sua felicidade. Isto, é o
mesmo, que desejar um caminho que não é o vosso. Porque a felicidade é
apenas o mito que cada um persegue e apesar de estarmos demasiado
instruídos a seguir os passos dos outros, quase desde que nascemos,
esse, não é certamente o caminho. Mas não haverá o direito de desejar
uma felicidade comum ? Claro que há, mas
não é da forma que cada um a pinta, com votos muito kantianos pietistas
ou diocesanos de universalidade... Esquece essa treta de recados, de
que com esta frase me animas ou te animas. Esquece! Segue, antes, o teu
caminho e deixa os outros em paz. Não sei se são, os pregadores do
antigamente, os que oravam que havia apenas um caminho, os piores
manipuladores de viagens terrestres, até hoje conhecidos? Hoje, pois
é... Hoje, tem muitos tempos, inclusivé toda uma panóplia de optimistas
que te parecem dar coragem para seguires-lhes a senda. Tu, se gostas,
segue, mas desampara-me a loja! Estou farto de afrodisíacos artificiais,
de orgasmos delicodoces, de vendedores de sonhos, de profetas do
irreal. Por favor, nem sequer te atravesses no meu caminho, pois posso
até mesmo não te ver e esmagar-te com o meu próprio peso de existir, um
peso não equiparável ao teu, certamente. Não é uma ameaça, é uma
verdade. Depois, não te desculpes de que «quem te avisou teu amigo era»
ou de que ficaste sem uma perna... A amizade tem muito de bom, mas
adopta também formas crueis....Sim crueis. O não gostares, não é tido
para isso nem achado. Dirás, estão-se nas tintas para os meus preciosos
sentimentos...Pois dirás! Mas o equívoco reside precisamente na tua
invulgar valorização disso mesmo, não, na realidade que não sabes
enfrentar, pura e dura tal e qual como ela é e não como tu desejarias
que ela fosse. Há os que caminhando sozinhos dispensam qualquer tua
aprovação seja para o que for. Isto, não significa que não existas e não
sejas importante. Tu és de facto importante, mas não podes querer
vender-te com a marca de uma vedeta quando não o és. Só és vedeta para
ti própria. Por isso, não queiras que a tua importância se transforme na
única forma possível de adorar. Cresce e aparece, não para os outros,
mas para ti. Só depois verás com nitidez a realidade que te transmito e
que tu, talvez, não tenhas nunca querido gostar.»[noético-19/02/2014]

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