«Não estou num estado. Estou em trânsito. Tu, apresentas-te como um agora mas, vives a pensar no depois. Depois, não é apenas no tempo que devora todo o presente. Depois, é, também, o que à partida, um passado, te leva a cogitar como fruto, resultado, consequência. Psicólogos, chamam-lhe 'situar-se'. Saber situar-se...Parece uma normalidade, um passo estudado de uma caçada, um degrau necessário para alcançar, mais do que um triunfo, um troféu. Maldito intangível, sempre presente. Intocáveis, somos todos nós, desde o corpo às esferas, desde a voz à escrita, desde a música ao silêncio e, por aí fora. Todos preferimos o decifrado. Amamos triunfar, senão, para que serviria glorificar o triunfo, o esforço, o trabalho ? Sofrer não para fazer das dores queixume mas para as transformar numa delirante chuva de rosas, de preferência, perfumadas. Não sei se escrevo ou apenas gatafunho epitáfios?... Tudo morre escrito ou por escrever à margem do nosso desejo insaciável. Vou-me embora. Vou-me silenciar. Vou-me impedir de pronunciar. Afinal, quando dizia que falava apenas articulava fonemas ao desbarato...Não nasci para relator, narrador, romancista, literato. Pensador? O que significa isso ? Confesso que não faço ideia pois, nenhuma ideia aprendi a fazer. Não faço por isso ideia do que possa ser uma ideia. Ah! Mas digo a toda a hora que sou como uma lâmpada acendendo e apagando, num discurso binário criador de intermitências. Ligar a corrente ou desligá-la preservando o seu abastecimento alternado. Dosear correntes, sentimentos, palavras e outras sonoridades. Dosear ritmos e baladas. Dosear a vida desligando-a para manter como suspenso o jogo autêntico entre o começo e o fim. Brincando como numa casa de bonecas ao aparece e esconde para tornar, de novo e sempre a procurar. Mas, de quando em vez o gerador parece falhar. Mais um falso alarme? Mais um alarme que dispara? E a turbina sempre a rolar. Perigo! Rotação elevada. Será esta mais uma falsa avaria mecânica fruto de um insecto ou ácaro que pousou nalgum filamento da nossa vida ? Não sei. Só sei que me vou. Para onde, como, por que razão, não sei também! Se tivesse que explicar todos os passos da minha caminhada imagino que só encontraria desvios e escapatórias mesmo até quando meus pés rolavam num planisfério de rotas e rumos georreferenciados. Adeus! Odeio esta palavra! Vou-me, é bem diferente de ir-me. Por agora, vou-me. Ainda não me fui e, no entanto, já aqui não estou.»[noético-08/10/2014]
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
MARGENS
«Não há verso mais lindo que o nosso silêncio de mãos dadas. Um silêncio
sem palavras, como poesia sem versos, reversos ou inversos. Qual
harmonia desabitada e que consubstancia nosso segredo intangível.
Margens que amam o mesmo rio que entre elas corre até que a persistência
das correntes as dilua como sedimento.»[noético-08/10/2014]
terça-feira, 7 de outubro de 2014
IN THE GARDEN - NO JARDIM
![]() |
| Garden of Eden: Michelangelo, Sistine Chapel |
«Nossas almas eclodem como estrelas brilhantes fundindo-se em nossos
corpos como perfeitos amantes. O mal é nos querermos tanto. O bem nossos
corações ultrapassando mundos distantes. Não é possível descrever o
encanto de quando nossos olhos se cruzam como um só canto. Suave melodia
que o rouxinol entoa. Até parece poesia que pelo ar ecoa. No nosso
jardim verdejante brotam perfumes de todas fontes guiando nossos
caminhos por rios e montes. Busquemos em cada flôr o polén de nosso
amor infante.»[noético-07/10/2014]
«Our souls hatch as bright stars merging in our bodies as perfect lovers. Evil is wanting each other so much. The well our hearts surpassing distant worlds. Can not describe the charm when our eyes meet, as one song. Soft melody that the nightingale sings. It seems that poetry echoes the air. In our green garden spring perfumes of all sources guide our paths by rivers and hills. Let us seek in every flour the pollen of our infant love.»[noético-07/10/2014]
«Our souls hatch as bright stars merging in our bodies as perfect lovers. Evil is wanting each other so much. The well our hearts surpassing distant worlds. Can not describe the charm when our eyes meet, as one song. Soft melody that the nightingale sings. It seems that poetry echoes the air. In our green garden spring perfumes of all sources guide our paths by rivers and hills. Let us seek in every flour the pollen of our infant love.»[noético-07/10/2014]
NEM BONS, NEM MAUS...
«És boa pessoa. Ouve lá, aviso-te, não sou nada. Não insistas nessa
crença. Os bons não sei quem são. Os maus, também, não. Talvez, não
sejam apenas aqueles ou aquelas que na recta final matam, estropiam ou
roubam. Nem os outros, os bons, são aqueles que se diz terem triunfado
pelo bem. Tudo isso é fictício. Nem te explico porquê. Se te incomodares
a pensar um pouco, rapidamente, perceberás.»[noético-05/10/2014]
SPEAK
«Não é perdão. Não é aceitação. Não é...Deixa-te fora do baralho,
continuando teu ser, apesar de toda a interdição. Diz o gabarola: eu só
falo quando tenho a certeza. Pergunta: então você não deveria permanecer
calado, para começar? Claro que tudo isto é baseado em diá-logos? Reais
? Mas, de onde é que esta veneração pelo silêncio nasce ? A certeza
como checkpoint, qual barricada revolucionária, qual parvoíce?!
Desbloqueia! Fala! Mas, por favor, ignora o dogmatismo e certos romancistas
e filósofos que te dizem a toda a hora, stop, reverencia. Quando é que
passas a considerar-te um pensador em vez de um, isto ou aquilo,
reconhecível em qualquer nauseabundo corredor de
pseudo-intelectualidades instruídas e pseudo-arejadas? Quando? Para
chegares ao como, terás que reptar pelo menos duas vezes. A primeira é
só para parares para pensar por ti, sobre a pergunta que te
fizeram.»[noético-05/10/2014]
«It is not forgiveness. It is not acceptance. It is not ... Let you off the deck, continuing your being, despite all the ban. Talker says: I only speak when I'm sure. Question: then you should not remain silent to begin with? Of course this is all based on dia-logos? Real? But where this veneration to the silence is born? Certainty as checkpoint, which revolutionary barricade, what bosh ?! Unlock! Speak! But please, ignore the bigotry and certain novelists and philosophers who tell you all the time, stop, reverence. When do you raise and start to consider you as a thinker instead of one, this or that, in any recognizable nauseating corridor educated pseudo-intelectual and airy? When? To get to the how, you'll have to defy at least twice. The first is only for you to stop thinking about you, about the question that was brought to you.»[noético-05/10/2014]
POLIGONIA
«Podes querer morrer, mas...Não podes ? Claro que não! Os santos populares, da igrejinha, das audiências, da cultura pensam que,por bem? (utilizo aqui a interrogação mas poderia utilizá-la à espanhola, invertido, porque a interrogação fica por aqui), o bem deles, que todos têm de te trazer de novo à vida, ao mundo, quais pseudo-deuses emplastros, quais mecânicos de oficinas terrestres ou divinas, empenhados em toda e qualquer reparação?!... Mas, existe de facto, alguma coisa a reparar que, não seja mais uma falsa missão, convictos de que, não te deixar partir, perfaz toda a moral e todo o sentido ?!... Enfim! Quanto a isso, enfastio-me, mas, pior, começo a detestar os bois por que transformam a sua quadratura - não na do círculo, que alguns lógicos de circunstância professam como impossível, pobres coitados, pois, bastaria pôr um quadrado a girar, que percepcionariam e veriam ser a mesma coisa e, talvez, nunca descobrissem se não seria uma circunferência ou outro, qualquer, polígono geométrico, a girar - em verdade lógico-absoluta, muito querida, mas jamais encontrada! E, contra toda essa lógica absoluta, quadrada, que nem é uma coisa, nem outra, mas que, vaidosa, pretende ser ambas...Bem, voltemos à morte, ao infeliz ou infeluz desistido. Infeluz, não existe. Mas, é claro que existe! A palavra é que está em falta. Trata-se dos divididos entre a luz e a escuridão, quais fieis do maniqueísmo e da comercial remodelação platónica em marketing para as massas sob a obtusa fórmula inquinada da marketeologia (marketing+teologia) politizada, cuja tentativa é de plastificar os cornos de uma vaca e torná-los o cosmos para toda a gente. Não se pode...Não se pode... O quê ? Vamos então lá entrar na filosofia positiva. Você pode, tem capacidade, merece, atingiu, foi eficaz, prevaleceu, deu exemplo...Só lhe falta a cenoura do engodo! O lamentável é, na maioria das vezes, nem se ter apercebido. O pior, mesmo, é assemelhar-se cada vez mais com um penso higiénico absorvente dos sangues, urinas e fezes da nossa cultura. Não lamento. Está escrito na cara, no seguro, precioso e magnífico, projecto de vida... Ah! Como é bom ter um projecto de vida ?... Bem... Numa segunda volta, demolir projectos, será o mote. Há muitos que nem mereceriam, mas, por isso mesmo, devem ser ultrapassados. Quanto aos outros, só merece mesmo a pena dizer, felizmente, a história os derrubará!»[noético-06/1/2014]
LIFE IS A QUESTION
«Human
life is like a question. The ones that live ask the world and
themselves. Looking for an answer they transform themselves into a major
question. The world offers and scapes itself as meaning authorizing our
creations and projections.»[noético-07/10/2014]
«A vida humana é
como uma questão. Quem vive interroga e interroga-se. Ao procurar uma
resposta transforma-se numa cada vez maior incógnita. O mundo,
oferece-se e furta-se ao sentido permitindo as nossas criações e
projecções.»[noético-07/10/2014]
ROTA OSCILANTE - SWING ROUTE
![]() |
| Caravela Portuguesa Latina de 2 mastros |
«Numa rota de fundo oscilante vai viajando pela vida, recolhendo-se em enseadas amorosas para não ser tolhido pelas tempestades e tormentas. Em cada porto itinerante abastece a sua nau de víveres atirando-se de imediato para o largo. O seu caminho não vai nem vem, é, como um imponderável deserto, cujas linhas se dissipam bafejadas pelo vento. Navega à luz, intermitente, prisioneiro da sua fé na altura e lonjura dos astros, medindo a sua marcha pelo tamanho dos seus remos que pediu, por medida, emprestados a seus pés. Quem és? Quem és? Que teus brados não encontram eco em nenhuma linha de horizonte. Veleja de mãos abertas à popa e à bolina, amarrando seu coração ao massame desgastado pelo uso e pelo tempo. Da Terra não tem vista, do céu que avista reflecte o mar, por onde, os albatrozes peregrinos o seguem por companhia. Lançadas ou recolhidas as âncoras se sente um peixe enredado na sua quotidiana faina. Quem és? Quem és ? Mas, só o silêncio, em uníssono, lhe responde.[noético-07/10/2014]
«On an oscillating background route, goes traveling through life, collecting in loving coves not to be hampered by storms and tempests. In each roving port supplies the vessel of food throwing himself immediately to the side. His path doesn't go or even come, is like an imponderable desert, whose lines dissipate, heated by the breath of the wind. Navigate to light, intermittent, a prisoner of his faith on the highs and remoteness of the stars, measuring its march by the size of its oars asked, by measure, lent to her feet. Who are you? Who are you? That your cries find no echo in any skyline. Sails of open hands aft and to windward, tying his heart to rigging worn by use and time. From the earth has no view, from the sky he sees reflects the ocean, where the pilgrim albatrosses follow as company. Released or collected the anchors, feels entangled in their daily toil fish. Who are you? Who are you? But only silence, replied in unison.» [noético-07/10/2014]
«On an oscillating background route, goes traveling through life, collecting in loving coves not to be hampered by storms and tempests. In each roving port supplies the vessel of food throwing himself immediately to the side. His path doesn't go or even come, is like an imponderable desert, whose lines dissipate, heated by the breath of the wind. Navigate to light, intermittent, a prisoner of his faith on the highs and remoteness of the stars, measuring its march by the size of its oars asked, by measure, lent to her feet. Who are you? Who are you? That your cries find no echo in any skyline. Sails of open hands aft and to windward, tying his heart to rigging worn by use and time. From the earth has no view, from the sky he sees reflects the ocean, where the pilgrim albatrosses follow as company. Released or collected the anchors, feels entangled in their daily toil fish. Who are you? Who are you? But only silence, replied in unison.» [noético-07/10/2014]
TRISTES TEOREMAS
«Não existe maior mal do que daquele que convencido ser possuidor da
verdade proveniente de todo o improvável, tentando ajudar, se limita a
dizer, não pense em seus males, reze! Pois é...E se desandasses patético
do caraças ? Será que já ninguém tem o direito de sofrer sozinho ? Onde
metes a minha salvação ? Salvar-me das actuais dores por recurso a um
deus placebo ? Morrer ? Qual o mal disso? Continuar a viver mas sem
cristos, maomés, budas, gurus ou mestres, tem algum mal ?
Ah! Claro. Tu insistes naquela sórdida máxima pietisto-kantiana de que
toda a liberdade acaba quando começa a do outro. Excelente. Agora, fica
quieto. Segundo os meus princípios tenho que matar alguém. Então ?
Afinal?....Onde está o teu respeito pela minha liberdade ? Ah! Pronto.
Matar alguém não pode ser promovido a máxima universal. Por que não ?
Mas, eu penso isso como universal e não és tu que estás em minha cabeça.
Afinal, resolve-te, imbecil. Ou universal ou constrangido respeito, ou
seja, na real, mais vale deixar cair a imbecilidade dos universais
enquanto triste teorema.»[noético-05/10/2014]
domingo, 5 de outubro de 2014
INVISIBILIDADES
«Ele chegou a casa, bateu à porta e a cumprimentou. Contou-lhe como
tinha corrido o seu dia e ela o escutou. Depois, perguntou-lhe o que
tinha feito durante o dia e ela lhe respondeu que igualmente trabalhou.
Mas, toda a casa estava maravilhosamente limpa e arrumada e isso, ele
não notou. No dia seguinte ele voltou. Ela o segurou nos seus braços, o
recebeu e o beijou. De novo ele lhe contou o que durante um dia
realizou. Ela, atenta o escutou. Mas, a casa estava ainda desarrumada e,
então, ele protestou. Os seus olhos não viam nada e o seu coração
parecia empedernido. Aí, ela chorou e seu coração se afastou. A partir
desse dia sua relação nunca mais resultou.» [noético-05/10/2014]
"He came home, knocked on the door and greeted her. Told him how his day had gone and she listened. Then he asked him what he had done during the day and she responded that she also worked. But, the whole house was wonderfully clean and tidy and that he did not notice. The next day he returned. She held him in his arms, kissed and received him. Again he told her what he have done during a day. She listened him attentively. But the house was still messed up, and then he protested. His eyes saw nothing and his heart seemed hardened. Then she cried and turned away his heart. From that day their relationship never resulted. "(noético-05/10/2014)
sábado, 4 de outubro de 2014
SEMPRE LIGADOS
«Há caçadores de atenção e de ideias e muitos outros tipos ou
esterótipos que usamos para enquadrar-nos em qualquer círculo social.
Dependentes somos todos, uns, mais ou menos que outros. Tudo depende, parece
tornar relativa a noção. Do que se depende, à partida, convém não
confessar. Parece, até, que alguns pretendem ocultar a dependência da
crença de desejarem ser independentes. Deixá-los. A autonomia parece ser
excelente, deliciosa, prometer outros vôos. Mas, no que toca aos
afectos a lição parece ser, e estou certo que é,
outra.»[noético-03/10/2014]
«There are seekers of attention and ideas and also many other types or stereotypes we use to fit in any social circle. Dependent we are all, each more or less than others. Everything depends on seems to make sense. What it depends, in principle, should not confess. It seems, even, that some try to hide the dependence of belief desire to be independent. Let them. Autonomy seems to be excellent, delicious, to promise other flights. But with regard to afections the lesson seems to be, and I'm sure, another.»[noético-03/10/2014]
«There are seekers of attention and ideas and also many other types or stereotypes we use to fit in any social circle. Dependent we are all, each more or less than others. Everything depends on seems to make sense. What it depends, in principle, should not confess. It seems, even, that some try to hide the dependence of belief desire to be independent. Let them. Autonomy seems to be excellent, delicious, to promise other flights. But with regard to afections the lesson seems to be, and I'm sure, another.»[noético-03/10/2014]
WE DO NOT LIVE ONLY BY...
«We all do what we feel that we must do or at least we take an alternative behaviour still convinced that we are following our feelings and thoughts. Why do I say feelings instead of beliefs ? Because I'm sure that we don't just follow beliefs. But, who does that it's not wrong at principle. Sure we all know people that follow beliefs. Some get along with it very well. So why it is wrong to believe ? Why do we have to judge and reaffirm the superiority of facts and good thought? Why ? Is it fair ? If we look closer we'll find that facts and thoughts are not all of our existence. So it's also a thought and a fact that we don't just live by them. I'm I wrong ?[noético-03/10/2014]
NÃO HÁ SILÊNCIO
«O que é ser-se ? Certamente, que não se é uma profissão, apenas um nome, um lugar, um cooperar. O que se faz, não nos define. O que não fazemos, também não. Estranho ? Não. Quando tomamos decisões dizemos que a autenticidade corresponde à responsabilidade quanto às consequências que assumimos perante os nossos actos. Mas, há sempre algo fora do universo da aceitação ou negação, fruto das nossas decisões, do qual não somos minimamente responsáveis. O ser quer ser, crescer, desenrolar-se. Isso, claro, não nos isenta de algumas responsabilidades - para algumas, porém, nem sequer estamos preparados para o ser, nem nunca o viremos a estar por mais que pretendamos - . Mas, também, quase ninguém passa a vida a correr atrás dos seus erros. Não chega para definição, por isso, essa visão resumida.
Provavelmente não caberemos em qualquer definição...E ainda bem. Pela minha parte, odiaria ser conhecido ou reconhecido como produto de aviário. Aliás, ser anónimo, basta-me. Não preciso de medidas de grandeza para me comparar. Ser, em português, significa, também, estar. Noutras línguas, isso, não tem qualquer sentido. Não desperdiço por isso a riqueza da minha língua que aponta caminhos bem diferentes dos literais - luteranos - pensares. Só, é nunca se estar só. O silêncio absoluto só existe quando estivermos mortos. Por agora, fico-me pelas pausas e por esses caminhos entre notas musicais, vivendo nos interstícios, tentando andar à chuva sem me molhar.»[noético-03/10/2014]
Provavelmente não caberemos em qualquer definição...E ainda bem. Pela minha parte, odiaria ser conhecido ou reconhecido como produto de aviário. Aliás, ser anónimo, basta-me. Não preciso de medidas de grandeza para me comparar. Ser, em português, significa, também, estar. Noutras línguas, isso, não tem qualquer sentido. Não desperdiço por isso a riqueza da minha língua que aponta caminhos bem diferentes dos literais - luteranos - pensares. Só, é nunca se estar só. O silêncio absoluto só existe quando estivermos mortos. Por agora, fico-me pelas pausas e por esses caminhos entre notas musicais, vivendo nos interstícios, tentando andar à chuva sem me molhar.»[noético-03/10/2014]
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
ONE FOR THE ROAD...
«Não consigo conhecer qualquer emoção ou sentimento alheios. Trata-se
de uma cegueira que só se perde quando alguém nos presenteia, através
da sua expressão motora, a intensidade e realidade do que sente. Mas,
quanto a isto, os estudiosos da língua ficam completamente de fora,
pois, nem sequer, o que está em causa é, a coincidência entre as
palavras e as emoções ou sentimentos. Isso, é apenas, uma forma de
entendimento marginal.»
«I can not know any emotion or sentiment of others.
It is a blindness that is only lost when someone gives us, through its
motor expression, the intensity and reality of what they feel. But as
for this, the scholars of the language are completely out, because what
is at state for them is only the coincidence between words and the
emotions or feelings. This is just one way of marginal
understanding.»[noético-03/10/2014]
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
HÁ ESCOLAS QUE SÃO GAIOLAS E HÁ ESCOLAS QUE SÃO ASAS
![]() |
| Artist: Ben Hall |
Escolas
que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo.
Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono
pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono.
Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são
pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar.
Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro
dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Rubem Alves
O ESPECISTA SEM ESPÉCIE
«Uma simples conversa põe-me a bradar contra todos os filósofos. Estes,
primeiro que tudo, são semelhantes mas, não iguais, a todos os
outros homens, ao ponto de, para eles, não existirem sequer outros
homens. Estranho ? Porquê? Por que os «outros» não podem ser colocados,
indiferenciadamente, no mesmo saco, diga-se, ilustradamente,
conceito. Ahahah...Mas...O tema, não era outro ? Não! Não existe nada
disso a que se chama indiferenciadamente recipiente, designadamente, um
outro. Opá!...Assim, com o que é que me
comparo para satisfazer o meu culto de me diferenciar ? Na vida, deparas
com toda a espécie...Claro, eu, sou um especista. No entanto, o eu, não
tem sequer espécie. Isso, seria, por analogia, colocar a espécie
dentro da mesma marmelada em que se coloca todo o indefinido. Afinal, se
quisermos factos, só nos sobram sombras e, a definição, não é mais que o
desespero que qualquer impostura procura impor ao tempo.»[noético-01/10/2014]
O VÍCIO DO QUADRADO
«Estamos
tão viciados que até parece que todo o pensamento se resume a um
quadrado. Pensar bem ou mal. Pensar verdadeiro ou falso. Eis as ruínas
dos nossos frágeis pilares...Em breve, falarei sobre os existenciais e
universais operadores do discurso que também se baseiam num quadrado,
não o mesmo, mas apelidado o único. Tu acreditas que é o único
?»[noético-01/10/2014]
«We are so vicious that we think that all
thinking resumes itself to a square. To think well or wrong. To think
truthfully or badly. Here are the ruins of our own thought.Soon I'll
talk about the Universal and Existencial operators in discourse that
also are based in a square, not the same, but called the one. Do you
believe it is the one ?»
LAUGH TO UNDERSTAND
«Do you know what is to laugh ? Yes, we all laugh for a million reasons. But laughter is present in all those moments. Why ? Because when we laugh we are near to understand. Understand what, we may ask ? That answer I leave it up to you.»[noético-01/10/2014]
JUST LIVE
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| Artist: Lídia Vives |
«The only synonym that i've found for ridiculous is to not live life. Life it's too precious. It doesn't need no other adjectives, inclusive the well known, kitsch and dangerous saying, we need to know how to live.»[noético-01/10/2014]
UM JARDIM POR PLANTAR
![]() |
| Pieter Bruegel - Torre de Babel |
«A minha cultura não é dos livros nem é dos contra-livros, é a que é.
Duma coisa, ninguém me faz abdicar, pensar por mim! Nem sequer lamento
isso. Nada tem a ver com o valor ou não do que penso ou digo. Mas fica
expressa para sempre, pelo menos entre os meus familiares e amigos que
não presto mais contas a ninguém, sobre isso. Ser criticável, até parece bonito,
feliz, para quem conhece outros caminhos que implicariam um verdadeiro
revisionismo de mim próprio. A elasticidade, tal como a plasticidade e,
não me refiro apenas à herança genética de que sou portador, tem os seus limites. Prefiro viver
limitado mas com horizontes do que viver alucinado ou assombrado por
luzes para além da minha própria visão.» [noético-01/10/2014]
ERRAR É TAMBÉM APRENDER
![]() |
| From: Metamorfose Digital - Fotos surrealistas |
«Eu estou aqui mas, não estou em lado algum. Aliás, eu, é apenas o
mote para que me dirijas a palavra. Se nem sequer isso me fizesses,
que importância teria ser mais um eu ? E que importância terias tu, para
mim, também ? Toda a nossa posição em relação é discutível. Adoro,
alucinações de continuidade. Faz-me pensar no mundo que é, dizem, sempre
histórico, sujeito à visão que os períodos de dominação estudiosa nos
fazem compreender. Sim, não percepcionamos pelos sentidos. Fazê-mo-lo sobretudo através dos conceitos que nos permitimos veicular. Não podemos
experimentar tudo, nem estar abertos a tudo, embora efabulemos muito quanto a isso.
Se me disseres o contrário, saberei que estás a mentir ou a inventar o que
ainda não criaste. Mas, descansa, enquanto não te desenganares, continuarás ainda assim a
aprender. O desengano, afinal, também faz parte da aprendizagem. E por
agora fico-me só por aqui...Não! Não foste tu que me fizeste parar. Nem
(eu) enquanto vivo pararei, nem tu, o impedirás.»[noético-01/10/2014]
DESVARIO
![]() |
| Artist: Mike Harrison |
«Bem tenho que descompensar...Termo psicológico que significa, ele vai
desaguar a outros lados, não previstos...Excepto na sua previsibilidade,
dirão. Ahahahahah...Mas, bem contadas as coisas, nenhum desvario é
similar a outro, eis o erro do conceito!
Aprendam...»[noético-01/10/2014]
O NAUFRÁGIO DO DOGMA
«Foi-te dito que alguém seria teu porto de abrigo. E tu cresceste com o sentido
que terias que agradecer a cada marinheiro que te salvasse de um
naufrágio. Enganaram-te! És órfã da verdade, por que os factos, nunca são
como os homens os contam, antes, simplesmente, o que aconteceu, embora,
até isto, possa ser mera efabulação. Alguns factos, raros, são
indesmemtiveis, pois dizer que são indiscutíveis tem um significado
diferente. Um facto é sempre um facto, indesmentível mas, muitas vezes,
altamente discutível. Por isso percebo a polémica quanto aos factos mas,
rejeito, liminarmente, a discussão sobre a sua factualidade. O dogma, não
é, neste caso, um dogma mas, sim, o produto de uma vivência real e de
uma ou várias convicções que nada têm a ver com qualquer crença ou
superstição inventada ou melhor, propositada, ainda que possa, no caso
humano, ter existido um propósito para que tal facto se tenha realizado.
Mas, há, por isso, talvez que distrinçar entre factos, acontecimentos,
eventos e artefactos. É que, muito daquilo que chamamos factos são na
realidade artefactos. Porquê artefactos ? Por haver arte neles?
Talvez...Mas, sobretudo, existe neles, muita artimanha. São realidades
que acontecem mas, são reditas sem correspondência real entre o que
sucede e a palavra. Não existe assim qualquer desígnio ou designador que
não seja o homem. Não existe sequer qualquer corrector, embora, isso
faça também parte do ridículo das nossas personagens. Sim, é verdade.
Mas o que é a verdade ? Certamente que não é o meu ponto de vista, nem o
teu, tão pouco. Mas, também é escusado pensar que ela pertence aos
estudiosos, santos ou eruditos. Fazer as coisas resultarem ainda que se
conheça um só modo de as fazer resultar, não torna essa via uma verdade
absoluta, nem a única via para o fazer, embora, possamos com a nossa natural tendência para seguir rumos fáceis, aproveitar esse modo inventado, para o realizar. Por isso,
mais vale esquecer o dogma.»[noético-01/10/2014]
WHAT IS A LIFE ?
«Everyone knows very well what is his life but when asked about it, truthfully he won't have probably a word that can define it.»[noético-02/10/2014]
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
BOOKS OF WAR
«Não aprecio ler romances ou capítulos de livros que falem
sobre a guerra. Não consigo entender, como se consegue constituir qualquer
forma de interesse a partir desse tipo de relato baseado, unicamente, na
exposição do horror de seres acossados, despojos cadavéricos e miseráveis, como
se tudo isso constituísse a consumação do apelo à bravura e heroísmo humano!?
Nem sequer, a resistência e a luta contra a morte ou, simplesmente, pela vida,
denotam qualquer pormenor que possa ser adjectivado como glorioso ou corajoso.
Contudo, muitos autores insistem nessa temática. A resiliência humana face à
morte e ao sofrimento causados pela selvajaria humana. Nem mesmo, o interesse
histórico pelos factos praticados pelos homens, nessas circunstâncias, me
consegue fascinar. Não existe nada a relatar e se o há, revela uma espécie de
sadismo do escritor face ao leitor que, desprevenido, cai na armadilha
masoquista do autor que apenas se deleita em remexer em feridas. A guerra, não
tem nada para embelezar ou enaltecer, não passando de mais um projecto humano falhado.
Tirar vidas, que engraçado! Que medíocre manifestação de poder, que humilhante
forma de exercer a humanidade!»[noético-01/10/2014]
TO LEARN OR NOT ?...
AUTENTICIDADE
«Ser-se autêntico só é possível quando se é genuíno ao longo do percurso
de uma vida. A mentira, nada pode fazer contra isso, ainda que, todos
nós, por vezes ou tantas vezes, nos tenhamos socorrido dela. Quando
conhecemos uma pessoa real tudo isso transparece. A honestidade, não
consiste em nunca se ter mentido mas, sim, na fidelidade que ao longo de
uma extensa vivência, se manteve consigo próprio. E, de súbito, esse
real que experimentamos no contacto com uma pessoa manifesta a espessura
de um tempo. Um tempo de mudanças e decisões, cuja aparente dissonância
faz, apenas, parte da partitura de uma única e singular totalidade de
pessoa. É então que essa pessoa ganha, para nós, contornos de beleza que
nos maravilham.»[noético-30/09/2013]
O COMBOIO
«É sempre a expressão desta inquietude que grita como o apito sonoro de
uma locomotiva partindo de uma estação. Em redor tudo inspira, numa
sofreguidão de paisagens que deixa, aos sulcos, pisando esses carris,
transparecer o meu pouco à vontade em cada nova viagem. Vapores
escaldantes exalam das caldeiras da alma como frémitos de um tempo que
se vai arrastando em marcha lenta, sedimentada.»[noético-30/09/2014|
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