quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A INSUBSTITUÍVEL INGENUIDADE

Drawn into the darkness, blinded by the light
«Um dia perguntei-me de que tens medo ? Como resposta, obtive a ideia errada, mas a que parecia mais certa... Do que mais tinha medo era de enlouquecer. E porquê ? Por que simplesmente me tinham ensinado que a «a loucura» era mau, só causava problemas. Problemas ? A quem ? É que para quem coloca problemas existem pelo menos dois lados. O lado da procura da resposta e o lado de quem continua duvidando. Claro que existe um lado e muitos outros, passando por aquele que nem sabe o que pergunta, ao outro, aquele que simplesmente pergunta só para não permanecer parado, bastando isso para se sentir vivo. É interessante acima de tudo a dúvida. Nunca ninguém duvidou dela! Estranho, não é ? Não adianta quem tem razão ou quem está do lado da razão, excepto, para evitar os corvos empenhados em levar a doutrina de Hobbes de reeencontro à escolástica. O homem é o lobo do homem, mas desde quando ? Surgiu, depois, do rasgo da amizade e do amor romântico, o vazio. Nem a amizade contou, nem o amor triunfou. E afinal, com que linhas nos cozemos ? Claro, que «nós» é um abuso. Mas, por que será que a amizade falha tanto, como o dito amor ? Já se perguntaram isso ? Alguns de vós, certamente. Claro que sim. E justificarão o fim das amizades, claramente, com menos ódio do que aqueles que confiavam no amor e se sentiram atraiçoados. Mas em que consiste uma traição, afinal ? A menos que seja cometida, pois também as há, propositadamente, a traição acaba por se revelar apenas mais uma prova de ingenuidade. Ingenuidade daqueles que acreditam demais, ingenuidade daqueles que nem sabem por que estão a trair. Por isso, julgar, o conteúdo pela rama, resulta quase sempre num exercício fátuo. Mas, voltando ao princípio, ao medo de enlouquecer. Por que teria eu pensado que tinha medo em enlouquecer ? Mais uma vez duvidei, de quase tudo, segui Descartes, mas, isso, não interessa sequer a um verme. Não me parece bem é ter receio disso... Por que terei que temer, achar-me louco, ou deixar-me simplesmente enlouquecer se esse for o meu caminho ? Haverá algum comprimido que o detenha ? Alguma palavra que o faça parar ? E, se no final, do enlouquecimento, apenas se tivesse vivido a vida de verdade ? Não estariam todos errados os terapeutas ? E eu tivesse apenas feito o meu caminho. Não o fez Napoleão ?...» [noético-19/02/2014]

ATRAÇÃO DOS CORPÚSCULOS ?

Dali Museum - Petersburg, Florida
«Gostaria de questionar os cientistas, se a atração do amor, da simpatia, da amizade, apesar de se poder medir hormonalmente em oxitocinas, justifica que, o amor é como as partículas, os átomos, as moléculas atraindo-se, ou se, o não é, realmente e então, se não será muito mais do que esse universo de brinquedo com que costumam tanto brincar ? Que me expliquem então porque, quando praticamos juntos alguns actos menos propositados, isso, nos dá anormalmente, um gôzo enorme ? Identificação ? Que giro, nenhum de nós se revê na própria cara, nas suas próprias palavras, nem sequer nos seus próprios sentimentos ou níveis hormonais...Interessante, pegar pela pequena ou quase nenhuma transgressão, que a Lei, só por si, ao ser criada, previa...Só me apetece rir... Juro francamente!» [noético-19/02/2014]

VERDADE ?

From 1,000,000 Artists
«Verdade?... Real?... Viver, é o lugar só, de um invulgar e singular passageiro, temporariamente habitado por tantos outros, na mesma condição.»[noético-19/02/2014]

TODAS AS PRAIAS

Ian Gamache - Crowing at Dawn
«Mas sabes, ninguém é férreo e, se o fôr, acaba por dobrar. Mesmo na geologia sabes que as montanhas acabam por aplainar, ainda que tenham períodos de elevação. Praias é o que não falta por aí por explicar?...»[noético-19/02/2014]

O QUE NUNCA ESCUTASTE...

Camile Seaman
«Não. Não vale a pena leres-me. As palavras apenas acrescentam mais ao teu desengano. É que 'A' como todo o resto do abecedário, tem para mim, sempre, diferentes significados, mesmo sem te incluir a ti, ou ao 'A' que queremos traduzir, em conjunto. Como poderias tu, criatura, que te julgas criada, poder adivinhar ? Nasceste sem ciências e criaste várias. Nasceste sem cultura e criaste muitas. Pareceu-te em algum lado ter ouvido ou escutado as respostas a esta pergunta ? Pois, eu, nunca as consegui ouvir!» [noético-19/02/2014]

WHY YES OR NO ?

«You don't need to be with me...You don't need to be nothing to me. I know that the feeling is strange to you, and even sometimes to me. You, are you, and I am just I, not me. I is oneself. Oneself doesn't carries anyone with him. The power of comunication just swallows the meaning crowning it. You...I prefer to think of yourself more beautiful for just being what you are, not the queen of my deck. I hate worships! But, what I like or not shouldn't make any differen
ce. So why did I say this ?» [noético-19/02/2014]

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DE VOLTA A AL BERTO

Terra - Guy Garnier
«Nada me consola, nada me desperta curiosidade, nem as mãos que inventaste para me revelares escondidos lugares me tocam. Sou o último habitante da espessa noite do desejo, morada do imenso cansaço onde as alucinações perturbam e maravilham. A voragem dos amargos dias de espera, a prolongada espera, o tempo que abre medonhas gretas na memória. sombras azuladas de corpos movendo-se na paisagem.Dantes, tremia ao ver-te, podia confundir-te às mais estranhas paisagens. Hoje, apenas as percorro, já não faço parte delas. Pouso as mãos no fundo do rio, reconheço as aves estelares que pernoitam a meu lado e assustado continuo a sobreviver. Das ruas sobe um cheiro a enxofre, e da cal soltam-se rumores e palavras que não conheço. O corpo arruinado caminha de vislumbre em vislumbre, à procura dalguma repousante eternidade. Mas, por vezes, alguém murmura ao ouvido enquanto durmo. São palavras confusas que me percorrem, finjo continuar a dormir. Suavemente procuro com o suor das mãos o rosto, e no escuro encontro o que se parece com a ausência desse rosto. Nunca o meu ou o teu rosto. Depois, um corpo sem dimensão nem peso cola-se-me à pele, não ouso abrir os olhos, se o fizesse descobriria o segredo disto e todo o seu medonho esplendor. Não devemos perturbar os mortos quando humildemente se estendem sobre nós, e amam.» Al Berto, O Medo ,Liv. V, 4ª ed., p.231, ed. Assírio & Alvim


INSTANTES DE POESIA

Sieste à Rio - Guy Garnier
«...Desculpa/o que te queria dizer talvez não fosse isto/a solidão turva-se-me de lágrimas/ e nas pálpebras tremem visões do meu delírio/olho as fotografias de antigos desertos/corpos coerentes que fomos/bocas de papel amarelecido/onde a sede nunca encontrou a sua água/e às vezes ainda tenho sede de ti...» Al Berto, "Três cartas da memória das Índias" in O Medo, Liv. VIII,p. 389, ed.: Assírio & Alvim





CHESTERTON POR BORGES

Ecriture - Guy Garnier
[Esperança e utopias à parte, se calhar a coisa mais lúcida que sobre a linguagem se escreveu terão sido estas palavras de Chesterton: «O homem sabe que há na alma matizes mais desconcertantes, mais inumeráveis e mais anónimos do que as cores de uma selva outonal. No entanto, julga que esses matizes, em todas as suas fusões e transformações, são representáveis com precisão por um mecanismo arbitrário de grunhidos e de guinchos. Julga que de dentro de uma bolsa saem realmente ruídos que significam todos os mistérios da memória e todas as agonias do desejo» (G.F.Watts, p. 88, 1904).] - Jorge Luis Borges, "O idioma analítico de John Wilkins" in Obras Completas, Vol.II, p.84, ed.: Teorema


sábado, 15 de fevereiro de 2014

JÁ O DIZIA CAMÕES...

«Love changes everything even itself.» [noético-14/02/2014]











SOBRESCRITA

«Ao ver um programa sobre Vieira, questionei-me sobre quais seriam as suas reais motivações, para continuar a escrever até ao fim da sua vida? O que levaria as pessoas do seu tempo a escrever e a persistir na escrita? Certamente que não era o comércio de livros ou seria? Na época seria ainda possível viver da escrita? Hoje, há quem o consiga e até seja milionário, mas, não é, certamente, a grande maioria dos escritores, os quais, da escrita não chegam a poder fazer vida. E a questão mantém-se. Se era pela escrita que viviam, ainda que tendo algum mecenas por detrás, então, está quase tudo explicado. Mas, se não o era, terá sido uma forte necessidade de expressão ou a coragem que lhes terá permitido tal ousadia. O que está aqui em causa é, acima de tudo, como é que esses escritores olhavam para a escrita? Provavelmente, de uma forma bem diferente daquela com que todos nós a olhamos hoje, e talvez, também, com muito mais vigor intelectual e seriedade do que a que encontramos em muitos dos mais famosos escritores actuais.»[noético-13/02/2014]


A OSSIFICAÇÃO DA MEMÓRIA

«Já não creio em espaços ocultos cuja substância o pensamento quereria povoar. O feito deixa todo o por fazer por realizar. Um gato poderá seguir esse novelo e até aprender a tricotar a lã que lhe ensinaram. Vultos movendo-se como sombras neste firme firmamento, neste lamento quotidiano da realidade, agitando-se como fantasmas sem qualquer recurso, sem qualquer cenário, limitando-se a expressar. A conta gotas flui a água humedecendo cada recanto sentimental. Queixumes, nervosismos, alívios, gritinhos ténues em expiral. Anoitece. O silêncio entra pelos poros da melodia que se meneia ao ritmo da dança do tempo. Não há inferno, exclama-se, acompanhado pela eloquência dessa feliz sentença. E os dedos adormecem na memória de qualquer superfície reconstruída a detalhe como a cinza vulcânica erguendo poeira de qualquer cratera ao compasso de cada passo.Não...Não é sonho nem evidência. É fissura arquitectónica que a timidez faz corar de cimento e pedra reduzida a areia do mar. Era aqui nesta terra que costumávamos namorar os nossos planos de dimensões estrelares. Agora é apenas espectro de lembrança, rebuçado que nos deixava divertidos de lábios lambuzados. E sorríamos jovens afogueados pela importância do nosso acreditar. Hoje, somos um nó deslaçado, fragmentos de intensidades. Amigos, amantes, desmaterializados. Hoje, tal como ontem e amanhã, seremos. O ser se cumprirá ainda que sem missão ou finalidade nestes nossos invólucros ossificados.»[noético-14/02/2014]


POR QUE SOU ÁRVORE

«Tu vives incrustada na minha memória por onde corres como seiva petrificada pelo tempo. Tu moras nesse aroma a terra molhada que se me entranha como perfume pelas minhas raízes. Tu és a luz que cintila por entre os meus braços estendidos por entre a folhagem dos meus anos. Tu és o musgo suave que se aninha por entre as rugas do meu caule áspero e lenhoso. Tu és a razão porque só sei ser árvore.»[noético-15/02/2014]








I HAVE A LOT OF DIFFERENT SIDES NOT JUST THE DARK ONE

«Muitos me acusam de ser quase transparente. Gostaria de lhes conseguir demonstrar que nunca se fica nú, mas deixo essa encomenda ao tempo, que se encarregará de lhes ensinar. Outros me acusam de sofrer do baralho, ou seja, de não ser ...Sabe-se lá o que isso quer dizer, de se «ser igual» ?... A única coisa que tenho a dizer-lhes, é que sou assim e assado, tal e qual como vou sendo. Não existe nenhum arrivismo ou arrogância em sê-lo. Nenhum «Eu» é um lugar simpático. A convivência por vezes não é nada simpática, nada agradável, nada favorável. Mas, isso, depende apenas de nós ? Bem...Esta questão já trás água no bico. Depende, supõe que podemos controlar. Resta saber o que controlamos...E controlamos tão pouco de nós mesmos, por mais audazes, heróicos, que nos armemos aos cucos!... Ser como se é, tem uma enorme responsabilidade...Ou talvez não ?!...O autêntico tem algo que surpreende é um facto. Surpreende por que abala a confiança nas crenças que possuímos sobre como os outros são. Isto, é um facto. Se surpreende não estamos nunca à espera e pensamos logo indutivamente que a partir de agora teremos que contar com esta nova faceta. Engano! Por vezes existem actos isolados e ou não sequênciais na nossa vida. Ah...Deixem-me interromper... Escrever, isto é genuíno! Não estava escrito, nem dito, antes de aqui ficar expresso. Nem sequer estava arquitectado! Bem...Prosseguindo... Falava de surpresas. Há quem goste e quem nunca as aprecie. Mas como é que se pode gostar de alguém baseado apenas na confiança ou apenas na surpresa ? Não haverá que contar com ambos ? Penso que sim, que há que contar com ambos. Uma coisa é certa, ser nada tem a ver com amar. Somos, não por amor de nada ou por amor a alguma coisa. Ser é inevitável, tal como deixar de ser! Ser é algo que não controlamos, mas que, sim, julgamos até certo ponto comandar, dirigir, amplificar. Não acredito nessas teorias! Nem sequer lamento. Nada existe a lamentar em cada vida, por mais antipática, dissemelhante, anacrónica, chocante que ela seja. Um assassino não deixa de ser humano. Não deixa de ser uma vida. Não deixa de ser «um dos nossos», da nossa espécie. Claro que a maioria de nós não aprecia os seus actos, condena-os. Não estou aqui a dizer se faz bem ou mal. Gostos e apreciações não se discutem. Ou será que se discutem ? Claro que se discutem. Não quer dizer que todos os que condenam um assassino - e dizemos isto de alguém que já foi capaz de matar outro indíviduo da mesma espécie, raramente aos que matam os de outras espécies e, no entanto, todos vivemos de matar organismos vivos, seja no açougue ou através do antibiótico...Acho que não preciso de acrescentar mais... - estejam errados, ou que inversamente, os que aprovam estejam certos. Descartes prega a muita gente, grandes partidas. O preto e o branco, o claro e o distinto, são apenas categorias a que não podemos nos fidelizar com tamanha facilidade. Bem...O texto ainda vai no princípio para alguns e extenso demais para outros, por isso, fico-me por aqui.» [noético-15/02/2014]

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

EVOCAÇÃO

NPA - Evocação
«A diferença que separa a recordação da evocação é que a recordação não tem alma.»
Vergílio Ferreira, Pensar, 328, p. 225, ed.:Bertrand

PENSAR

NPA - Rebento
«Pensar. E se pensar fosse uma doença, mesmo que dela resulte uma pérola ?» Vergílio Ferreira, Pensar, 187, p. 145, ed.:Bertrand

LUGARES SEM ESTARES...

White Room - Natalia Molchanova
«O coração, se pudesse pensar, pararia.»

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego,p.39 ed.: Assírio & Alvim

PARALELISMOS

Souza Neto - Linhas Paralelas
«O paralelo tem tanto de romântico como de ambíguo. Se duas linhas se prolongam e não se discute o destino de cada uma delas, mas apenas se imagina entre elas uma infinita, porque inultrapassável, e finita, porque plenamente mensurável, distância, também são um convite à fantasia da fusão, precisamente no infinito imensurável. A ideia de paralelismo, evoca também uma dimensão de sincronia, em que todos os pontos, componentes das linhas ou dos planos se alinham permanentemente, como um substar, um permanecer inalterável e inalienável. A distância entre linhas é uma espécie de composição libidinosa de carácter platónico, os pontos que se vêm mutuamente mas não se tocam. A geometria impera. O modelo ofusca. O divino pode ser paralizante ou não, dependendo dessa mesma crença. A ilusão do passado e do futuro conjugam-se, nessa conjunta separação, que nada diz sobre o presente, mas que se projecta no futuro, no seguimento, no encadeamento dos pontos equidistantes. Não se sabe o que percorre cada linha. Diz-se então uma narrativa, declara-se como tal. A narrativa aparenta movimento ao contrário da forma que parece imóvel. Mas no paralelismo, tudo parece síncrono e, no entanto, se cada linha ou plano é um movimento, uma narrativa, pode não haver uma história, mas pelo menos duas, entre muitas outras possíveis. E, na aparente sincronia da forma, prefigura-se o assíncrono. Duas linhas e duas narrativas. Quatro ou mais e é preciso igualar. Mas, na realidade, é indecidível se qualquer paralelismo existe, apesar da permanência da sua forma geométrica. O que a  arte tem de belo é esse poder sobre o misterioso silêncio, do saber dizer sem saber como o dizer.» [noético-11/02/2014]

A SUSPEITA

«Toda a contestação social é vista com suspeita e de mau agrado. facto inegável das nossas «pseudo-democracias». Os detentores do poder começaram sempre por criar modelos de sociedade ideais, por exemplo, na idade média o que todos queriam é ser cavaleiros ou clérigos. Sucede que manter uma população a correr atrás de uma «cenoura» ou «lebre» como se de coelhos ou de galgos se tratasse, acaba por entreter mantendo distraídas durante alguns breves instantes as populações, mas não há remédios, nem salvações para sempre. O poder tende sempre a perpetuar-se, assim como quem não o tem o deseja ter, e, se o tivesse, passaria também a preocupar-se em mantê-lo. É humano. Mas não deixa de ser contraditório para com outros ideais, tais como, a igualdade, a fraternidade, a solidariedade. É pena que muitos, sejam incapazes de desmontar este ciclo vicioso, pois a paixão pela luta, não é em verdade, nenhuma verdadeira luta. Todos procuram ideais comuns, aqueles que os gúrus desta sociedade assíncrona e desigual, pretendem que todos professem, a bem, do conjunto, do colectivo, do universal. Até por vezes faz jeito ter uns tantos «indíviduos jurássicos» a protestar nas ruas. Dá até quase a sensação que isto é realmente uma democracia. Até se apluadem os opositores. Enfim! Quem se deixa levar pelo protesto acaba sempre do mesmo lado ou a desejá-lo, daquele que acaba por os receber. E no meio disto tudo, apenas o teatro permanece. A falsidade das pretensões, a ignorância do que seja justo ou seja justiça, etc. Tudo numa lógica, comum, demasiado comum, demasiado humana, de que todos pretendemos o poder que dá acesso à riqueza ou vice-versa. Bem, este é mesmo o discurso ou contra-discurso da História. O tal que aposta tanto na permanência da situação actual, quando favorável, como na revolução que salvaria ou obstaria a todos os males. A lógica é a mesma. Lógica ? Sim! Entranhamente ou talvez não. O que está aqui em causa não é o direito ao protesto, aliás, já existia protesto antes mesmo do Direito. Mas enfim, para a maioria da rapaziada isso é quase como provar a existência de Deus ou a sua inexistência. A malta, pensa que sabe, julga que tem direitos. Rapidamente os desinteressados nessa visão acusam-nos de que não querem deveres e que só pensam em direitos. E o carrossel prossegue nesta lentíssima e pleníssima estupidez, massificada por gentinha ignorante e que caminha de olhinhos mais fechados do que abertos, julgando até estar a ver o Sol. Para mim já chega de ver este carnaval de idiotas desfilar como se estivessem numa festa, quando nem sequer sabem o que é de facto festejar, celebrar, etc. Chega ? Não. Temos que aprender a viver com isto e a resistir-lhe sob a pena de deixar mesmo de existirem vozes realmente discordantes. O problema é que se «carnavalizou», outros dirão, banalizou, toda a constestação social, por falta de critério e de gente que pense. Mas, gente que pense, querem eles, os poderosos, o mais rapidamente, acabar, pois isso, não os favorece. Veja-se o que andam a fazer com a educação e com a cultura...Enquanto isso, vão podendo fazer o que querem nas costas das populações, pois os ignorantes só muito tardiamente lhes descobrirão as «carecas». Por isso, cada vez existirão mais contestações e actos imbecis dos poderosos igualmente cretinos nas suas respostas. Convém que tudo pareça estar na mesma base, dá um certo sentido mais democrático à coisa. Fá-la valer mais. Confere-lhe um certo prestígio, o de se jogar com as mesmas armas. Uma aparência de igualdade que subjuga muito mais do que as autênticas e verídicas desigualdades que existem por todo o lado e que, aqui, não preconizo de forma alguma acabar. Apaziguar é diferente de resolver. E o que hoje se faz ? Apazigua-se! Acalmam-se as populações, àvidas de segurança, de proteção e há milhares de anos, com o apoio das Santas Madres Igrejas, sejam de que confissão forem, sempre a apoiar. A malta vê nos contrastes, opostos, quando eles nem existem, mas é assim que as mentezinhas pensam, comummente! Haverá alguém que discorde realmente ? Que faça frente a tudo isso ? Será a educação que se dá nas Escolas e fora delas ? Não me parece. Os funcionários do «status quo» andam por todos os lados. Estão, aliás, todos instalados nas suas catedrais de saber, de poder, de bem-estar. Ordenam, estipulam, decidem para si e por todos. Retirem-lhes os privilégios e como seria ? Ah! Já sei! A Anarquia. E Anarquia é realmente o que mais temem, tremendo por todos os lados. Mas a Anarquia não é nada do que «esses habituais mentirosos dizem, senão ainda chegaríamos a acreditar neles, facto que muito facilmente acontece». Seria a extinção, não da sua raça, mas da sua presença como peste, enquanto gente. A extinção do seu posto, do seu estatuto, dos seus privilégios, da cordeirada a trabalhar para os seus próprios fins, enfim...O fim da sua comodidade que parte de uma base de confiança desvirtuada de contar sempre com os outros para se levantarem e se erguerem acima e por cima dos outros. Uma corja, autêntica. E esta atitude não existe apenas nos que nos governam...O que realmente governa «as massas» ou a«populações» como costumo dizer é mesmo a vontade de «reinar». Salve-se no meio disto tudo o idiota que sou eu. Mas ainda assim, prefiro sê-lo a fingir que me pauto pelas hipocrisias desta «palhaçada», sem desprimor quanto aos palhaços!»[noético-11/02/2014]

PRECISO DE GENTE COMO TU

«Nem te passa sequer pela imaginação...O que ele ou ela é, o que ele ou ela passam, a cada instante. Mas porque te reclamas tão próximo, tantas vezes ? Talvez por não saberes...Glorioso!...Haja gente como tu...Haja gente que sai, para sair, que diz para além do que é dito e fica subentendido...Haja gente como tu que sem bússola, sem matemática, sem planos, sem um suspiro sequer, acompanha! Oxalá houvesse tanta gente como tu!» [noético-12/02/2014]

PARÓDIA

From facebook: Neurons want food
«E achas tu que descobriste a «C» vitamina ? Mas sobre que ângulo ?... Já viste este comprimido de arte ? Esta pastilha cósmica sem Deus nem Belzebu?...Babe...É isso mesmo! Mas por favor não me escrevas na testa esse vocabulário!» [noético-12/02/2014]

NÓS...

«Queria esquecer o teu cinzento, encobri-lo de luz ou descobri-lo na escuridão, mas não há modo de me desfazer da cor. E suspiramos…Maldito o dia para que fomos feitos. E, no entanto, por aqui restamos, caminhando…Doi, faz sol e chuva, e tudo se vai arrastando…Tudo parece plácido, impávido, irreal…Nós, quem quer saber disso ?...Nós, essa palavra morta no dia de anteontem e que persiste para além do tempo…Amargo, doce, indiferente! Para nós todo o futuro se abre…Não há nuvem que assombre, luz que se apague, riso que se afogue em lágrimas, mas…Isso não é tudo tão fora de tempo ?...Sim, nós estamos fora estando dentro, sempre agarrados pelas palavras que se colam à nossa saliva como se fosse o firmamento. Sim, meu amor…E ambos odiamos o termo que a nada põe fim. Sim e não. Tudo isso que não é nada do que foi escrito e que vai ainda nascer, num advento que nenhum rasgo de visão consegue vislumbrar…Poesia é isto. Poesia poderia ser aquilo, aquele copo, aquele resto, aquele pedaço…Amo-te, meu amor…E nem eu nem ninguém sabe quem tu és ou nós somos.» [noético-12/02/2014]


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A QUESTION OF PANTIES

«Dear you...It is not allowed to enter in temples wearing those clothes...You know i like it but the gods don't approve it. So if you enjoy to wear panties, please, be my guest...I'm not the owner of such a house. I am also a visitor that wishes to see God's panties too, juts to prove to my brother humans that he is also human. Dear you, babes...Your bodies are just a mountain of promises, clouds that take down my desire into beds at night, sunny heavens that bring me joy but that soon will fall down to the horizon. Let me taste the stones beside you. They also perish but last longer. Ahahahah...I was just joking about something I saw...» [noético-28/01/2014]

 



WHATEVER YOU THINK...


«The truly beauty of others becomes from their consent of letting me live my madness, although many times, their liberality finds its own cause on a big misunderstanding.»[noético-28/01/2014]

WHAT REALY MATTERS...

«The matter of joy is not only about how you can smile. You can be joyful without smiling all the time. It is about what brings you back to life and how you feel it in your veins. That is the most important part of all. But you don't need to believe me. Just follow your own path.» [noético-28/01/2014]

WHAT IS THE POINT OF ?...


«A coisa mais estúpida pela qual as palavras não são responsáveis, é quando alguém corre atrás delas!» [noético-28/01/2014]






NOT AFRAID !!!

«I'm not sorry of saying it...Not afraid of keeping going on with my life though it has nothing to do with almost anybody or any other project of life till now shown to me...» [noético-28/01/2014]








O RITO E A PALAVRA

«Perguntaram a uma criança o que ela mais queria. A resposta foi, simples e breve, quero uma Playstation 5! Quando lhe falaram de felicidade, ela não conseguia perceber o que lhe diziam... Ela só via milagres na tecnologia. Os seus pais viviam atrás dos milagres e agarrados à tecnologia. Como é que a criança poderia sonhar outro universo ?» [noético-28/01/2014]


THE NEED OF JUDGEMENT

«Se alguém te disser para não fazeres julgamentos está a pedir-te três coisas de uma só vez. Primeiro, que deixes de pensar sobre as coisas e desistas do teu sentido crítico. Segundo, está a pedir-te que consigas num instante apagar toda uma tradição moral que desde que nasceste te foi transmitida. Terceiro, está também a pedir-te permissão para não assumir de forma responsável as consequências dos seus actos que te podem ou não afectar a ti, directa ou indirectamente. Como vês, é um pedido descabido. Como é que alguém consegue viver sem fazer juízos de valor sobre o mundo? Até mesmo sobre os alimentos todos emitem apreciações e depreciações. Claro, que tu estás grato por os ter, em vez, de os não ter mas, isso, não obsta a que prescindas do teu gosto pessoal. Toma cuidado sempre com a forma insidiosa com que outros te tentam dizer o que deves ou não deves, ainda que seja sob a forma de um pedido para não fazeres julgamentos. No entanto, lembra-te sempre de que emitir juízos não é o mesmo que ser juiz dos outros.»[noético-27/01/2014]

THE WHISPER

«If you allow me i will have time to explain a few things. I'm alive and thankfully i have no causes to fight for or die for, except to live and let live. The sense of belonging does not come from anything else except from nature. It is not society that defines the meaning though common codes of language and behavior are useful to create a pretense common sense of purpose. Lost without a fixed program humans live to try. So be it! But it is also not true that creativity is everything. Each one of us try hard to be creative to solve regular problems while wishing to see them end. Most of the times the immediate solution is creation. Once fixed the problem, temporarily, we breathe of relief. The solution is many times circunstancial. The way the problem was solved creates a sense of peace but sooner it may reveal itself worthless or even harmful though for a while it may create jobs, economy, money among other things. The same we can apply to our loves, to our lives. No one is born with a final solution to anything. Keep trying is just one way of life. It can not be confused as the only road to take. Often reality overcomes imagination as science, measure or calculus. I will not even speak about religion because i will call it a lie that suites many hypothetical souls in distress and dispair. Religion it is also another way to live, not the only one, neither the right one, though the power that religious people have gained over time in history is considerably too much. No one is saved from living. So we also should not conceive exclusively life as a joyful journey without sufferance. I think that we should settle our common living with other beings differently from just accepting the usual paths that leads until now. Probably to do it we need something more than just these three words, «yes», «no» and «perhaps». Of course they are meaningful but they are not enough.That is why words are often badly understood, what generates unwanted conflicts and misinterpretations perfectly expendable. We live many times leaded by imitation. That's a powerful way to learn, but not the only or exclusive one. Breaking our habits of love, of  speech, of feeling, of thought may lead us to a better understanding of life and to regain some direction when nothing seems to have it, though life is full of it.»[noético-27/01/2014]

BEING AND LOOKING LIKE

«You don't need a ego, a purpose, a fight to live and to feel alive. We just need those rubbish things because we can not go out without a mental tie or suit. Humans don't understand their own species that is why they engage rather well with pets. Is this just because we hate the sense of surprise in humans ? Must we live all under a order of something or somebody ? Who teached us like this ? Who teach us to be slaves may surely expect rebellion because each one of us is different and we all don't fit in the pattern. With what purpose were we teached like this? It is worthy to think about it!» [noético-27/01/2014]


I JUST REMEMBER OF BEING ME

«Por vezes é óptimo ter quem nos lembre, outras, é tão bom dispensar essas vozes que nos repetem permanentemente qual o caminho. É por isso que o Tao me ensinou a não desejar ser incompleto, nem completo, mas, a ser imprecisamente o que precisamente sou.» [noético-27/01/2014]


THE WAYS OF LOVE

«Nos subúrbios da minha memória uma onda se move...Estou aqui...Perplexo, diante da grande encruzilhada...Amar é tão bom e tão ruim por vezes...Quando nos apaixonamos todo o universo, toda a distância parecem minimos...Mas de súbito tanta proximidade quase parece acorrentar-nos a um pequeno canto do mundo...Amores...Quase nunca escolhemos...Somos verdadeiramente vencidos pelos acontecimentos. Ultrapassados nas nossas reticências e logo embarcamos nesse mar de paixão que nunca se sonha terminar. Pois é...Quanto de vago tem o amor, essa onda que nos transporta por oceanos desconhecidos e maravilhosos até aportarmos ou sermos exilados dele como destroços arrastados pela maré de encontro a qualquer rochedo deixando-nos mortos ou esvaídos numa praia?...Mas a vida é mesmo assim. Vale por cada viagem, como qualquer forma que pode tomar o Amor.» [noético-28/01/2014]



sábado, 25 de janeiro de 2014

A CASA

«This is not new. Home is where your heart is, and mine is with you.»
[noético-24/01/2013]


AO PASSAR UM NAVIO...

«Tu sabes que não rezo. Sou a-Teu. Vás para onde vás, aqui, em mim terás pouso. Não. Isto não é nenhuma promoção, nem mais uma campanha publicitária. Eu amo-te. Tu sabe-lo, ponto. Não há como explicar, nem a parvoeira de justificar. É assim e pronto. Estou acostumado a que doa e vai doer da alegria de te esperar.Mas destas dores, a gente nem sequer dá pelo passar do tempo.»[noético-24/01/2014]



A IMORTALIDADE DO INDIZÍVEL

«Os poetas ainda que mortos nunca morrem!»
[noético - 24/01/2014]










A VERDADE E O ESQUECIMENTO

«Tu, não acreditas mas é verdade. A verdade nem eu preciso de te dizer. Tanto pode passar-te ao lado como levar-te a nunca mais a esquecer.»
[noético-24/01/2014]

LÁ VOU EU ATRÁS

«Você sabe como corro o risco de enlouquecer se não enlouquecer por vezes...A minha alegria é cada vez mais uma afirmação incondicional da vida...De ti e para ti, toda a minha humilde compreensão...No fundo, sómente, crer na doação...É este mau tempero do ser que se acha insustentável flutuando sobre o mais firme alcatrão...O amor escapa-se-me como o vento...Quando o sinto é já apenas o perfume da sua passagem...Chego-lhe, sempre atrasado, fora de horas... Sempre na dimensão do descabimento.»
[noético-24/01/2014]

O MILAGRE QUE NÃO ÉS !

«Qualquer dia dizem-te que és tu o milagre, e tu, cego de narcisismo irás acreditar. Não passas de um triste e nem sequer lamento dizer-te. Sabes qual é a diferença essencial entre os patetas como eu e os crentes como tu? Não te explico. Descobre por ti. Eu, de pateta já não passo e não me venhas com a canção do bandido da evolução. Fazes-me rir e quase chorar. Mas só choraria se fosse de facto assim tão importante. Mas não o é!»[noético-24/01/2014]

O BEIJO

«O melhor beijo é aquele em que me torno folha de uma árvore.» 
[noético-25/01/2014]












quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

I WILL NOT LIGHT A CANDLE...

«I will not light any candle. I know you'd like it but that would just be like saying a hello equal to all everyday's life hello's. A sound that only would make you feel like you're not alone. You don't need that noise to break the silence. There's a lot of people around your life. There is a quest for luxury in words. A luxury that we find in meaning. Soon we'll be full of it and empty of all other things while we use and abuse of words. Tell me...Why do you need me to call you?»[noético-08/01/2014|

O BELO E O PURO

«Tento não pensar para não percorrer do pensamento sempre as mesmas enseadas. Uma duna onde uma flôr vermelha sobressai dum monte de ervas contorcido pelo vento arrasta-me para outra praia. Imagens que se compoem sem nexo aparente com histórias que é preciso contar. Flores de um sentimento poderoso e imparável que cobre de areia todas as palavras corroídas pelo sal. Já não se vive de encanto. Já nem as lágrimas ou os sorrisos o soltam das suas amarras de beleza estilizada. Acabou-se com a pureza e substituiu-se pela assepsia mercantilizada de paraísos mecanizados e virtualizados. Tudo postiço, tudo polido, tudo reificado. Há progressos que a cada novo passo ocultam o puro, o descarnado, o simples, o não premeditado. Até os discursos se tornaram diálogos psicologizados. Mais do que na renovação da Terra há que continuar a acreditar na sua regeneração.»[noético-09/01/2014]

A VERDADE

«A verdade é o pilar onde todas as outras construções humanas assentam. Sem esse pilar nada seria dizível ou credível. Mas a verdade também é que nunca ninguém a encontrou.» [noético-09/01/2014]

A VERGONHA DA ESMOLA

«A vergonha da esmola. Sim, a vergonha da esmola! Dá-se uma esmola e alivia-se a pia baptismal da consciência como se as suas águas ungidas purificassem a mente. Lava-se as mãos à Pôncio Pilatos e expressa-se, não me diz mais respeito. E assim, nesta indiferença, tudo parece correr para uma sociedade dos irmãos, solidários, voluntários. Tudo para bem do outro neste perfeito marketing global. Mas quem é o outro ? Aquele que nos apunhala nas costas ? O que nos entrega o seu coração e que assim que o pode nos trai ? Que irmãos são estes ? Já te interrogaste ? Passa por cima, limpa com um pano branco, lava de novo a consciência. Finge que o conceito continua imaculado, intocado. Faz de conta! E continua a oferecer umas esmolas e a fazer voluntariado. Pelo menos, causarás menos ondas políticas e ficarás ocupado. Sairás ileso do julgamento final, esse, que muitos acreditam que existirá. Sim. Dispensarás da oral. Terás sido um irmão. Um próximo de um santo. Os outros, aqueles que te prejudicaram ou prejudicaram os outros ou que simplesmente nada fizeram pelos outros, serão atirados para o eterno fogo dos infernos de onde só tu sairás vitorioso. Vergonha ? Só da esmola! Ainda acreditas em juízes no outro mundo ? Haverá algum tribunal nos céus ? Já pensaste no ridículo de tudo isto ? Nesta converseta da treta que te impingem como verdade ? Por que digo que é vergonhosa a esmola ? Por que há no mundo meios para conferir dignidade a cada ser da nossa própria espécie. Não é preciso esmola alguma, banco alimentar, operação sorriso ou qualquer outra treta. Não! Não seria necessário se todos tratassemos os nossos irmãos como tal. Há riqueza suficiente para distribuir. Já pensaste que com 4,90 euros na conta bancária poderias ter direito a mais duas ou três refeições para ti e para os teus filhos ? Mas se fores a muitas superficies comerciais com o que te deparas ? Não podes pagar com multibanco essa despesa. Custa caro um estabelecimento ter um aparelho de pagamentos automáticos. E tu, que só tens 4,90 euros no banco é que tens que te aguentar. Sim! Em alguns estabelecimentos, como aqueles dos tais empresários de sucesso, terás pelo menos que consumir 20 euros para poderes utilizar um pagamento automático. Chamam estes «hipócritas» empresários de sucesso a isso, uma necessidade. Claro que para eles é uma necessidade. Para ti, com 4,90 euros, não podem existir necessidades de alimentar as bocas famintas que tens em casa. Depois divertem-se com campanhas de solidariedade para português ver. Apoiam o banco alimentar, a operação sorriso e tantas outras, mas sempre, sempre, sem sequer baixarem os preços dos cabazes alimentares. É giro não é ? É uma grande esmolinha para o pobrezinho, não é ? Pois é! E se fossem bugiar não seria bem mais apropriado ? É mentira ?... Confirmem por vocês mesmos. Depois venham-me cá com essa treta da esmola, da solidariedade ou da preocupação pelos mais probres. Nem sequer digo o palavrão que me apetece chamar aos tipos responsáveis por tudo isto... Enfim...E depois, ainda levas com o discurso, ama o teu próximo como a ti mesmo. Xiça, que não há pachorra! Dispensem-nos da porcaria da vossa esmolinha!» [noético-09/01/2014]


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

THE CYCLE OF JOY

Nuno Trindade - Suave Alentejo
To ascend, to flourish and to return. All the cycle of life takes place in the silence of time. All life is beautiful though beauty may also bring us pain. So we may also see the sun while it rains. No mystery is to be found. Let us enjoy the energy of the wind blowing. We don't need to know where it flows. Our heart can grow in a desert land and even so be completely delighted by the sole appeal of the earth.
[noético-03/01/2014]

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O ESPÍRITO DOS DIAS

«Há um tempo em que o sangue gela. Paro, escuto e ponho-me a sentir... Desejar mais ? Querer o que tenho diante dos olhos ? Mas é possuir que me torna mais feliz ? Acumular tem realmente algum significado se nem a vida levamos da nossa própria vida ? Não, isto não são pensamentos negativos, contaminados por qualquer moral que coloca tudo em termos de preto ou branco, de bem ou mal, de positivo ou negativo, bem ao jeitinho do maniqueísmo platónico subtilmente cristianizado. As raízes disso, deixo para explicar em outra ocasião. Por agora, concentro-me no conceito de vazio e relembro-me do TAO. No vaso que se enche e vaza e que nunca está verdadeiramente cheio nem derradeiramente vazio. A verdade e a autenticidade ganham nas pretensões, mas perdem nos actos. Vence, quem melhor se souber vender e promover. Fama e sucesso são fogo fátuo, embora possam perdurar muito tempo. Mas será o tempo que ditará isso ? O esforço, o querer, o lutar ? O que significa triunfar, afinal ? Existe algum triunfo, de facto, nas nossas vidas? E se existir, será que é repetível, reprodutível, mensurável, conservável ? Ah!...Guardar memórias...E lá voltamos nós novamente ao acumular. Dizemos que sem sedimentos não existe experiência perdurável, que sem recordar, tentar perpetuar, perderíamos o Norte. Isto, parece-me muito mais um vício que adquirimos do que uma verdadeira proposta de viver. Habituar-nos a este tipo de vícios torna tudo muito mais fácil, cómodo, implica muito menos trabalho. E é então que surgem os gurus da economia salvadora, tentando a todo o custo libertar-nos da dor que é quase sinónimo de infelicidade. Pois é, toda uma economia se constroi com base nas nossas crenças, valores e prospera à base de receitas que mais parecem a banha da cobra vendida em qualquer feira de vaidades. Há um tempo em que o sangue gela, de facto. Em que, parar, não significa ganhar nem perder tempo. Tudo isso, é produto de calendários bem diferenciados dos nossos. Não faço contabilidades. Contabilizar é já o fruto de uma acumulação, de um vício de ponderar sobre as trocas. Mas como reaprender para além deste uni-verso (único universo) que se baseia no número e na força dos números ? Que dizer deste uni-verso que se centra nos rebanhos, porque a eles se lhes prometem cobras e lagartos travestidos de céus exuberantes e repletos de delícias jamais conquistadas ? Parece tão bom seguir sem saber por onde ir... Pois é!
Alguns ainda acreditam que a lei dinamiza, cria dinâmicas. Só conheço dois lados em qualquer lei. O permitido e o proscrito ou condenado. Que uma lei crie alguma dinâmica, não estou a vê-lo em nenhum lado. Que a lei, cria vícios e prisões, parece-me muito mais real. Estar vínculado a uma lei é ter a ordem geral do seu lado. A coisa mais bonita que conheço depois da criação dos rebanhos e pastores é a fundação das leis. Em rebanho, só se funciona em hierarquia e não existe qualquer outra possibilidade, senão dá em turba à solta, insurrecta e desvairada por ter perdido os seus ídolos, para os quais, foi  sempre expressamente treinada. A lei é justa para isso, mas não cria justiça alguma e só um vesgo não o conceberia. Ahahaha...A única coisa que sempre me resta é a fabulosa ironia e essa, não se acumula, vive-se dia-a-dia.» [noético-02/01/2014]

ESTOU FARTO DE OUVIR E LER DISPARATES

«Estou saturado de ouvir e ler disparates, venham eles de pessoas de cultura ou não. Os sentimentos não devem ser simplificados e reduzidos a dois extremos opostos, como serem considerados apenas como negativos ou positivos. Em certa medida ter sentimentos considerados negativos pode revelar-se positivo em determinadas circunstâncias e vice-versa. A literatura está recheada de autores que pensam dessa forma simplista e redutora. Nem sequer a sugestão de que se deve abdicar de certos sentimentos é digna de mérito. Uma vida de menor desgaste pode nada ter a ver com o abdicar de certos sentimentos. Talvez uma vida mais simples e despojada de bugigangas materiais compense mais do que simplesmente pensar em excluir sentimentos naturais em qualquer ser humano. Pessoas que normalmente apenas toleram os ditos sentimentos positivos dos outros revelam-se extremamente egoistas nessa atitude de rejeição de tudo o que possa interferir com elas. São normalmente pessoas com muito fraca autoestima.» [noético-01/01/2014]

EM BUSCA DO SENTIDO PERDIDO OU A PERDIÇÃO DO SENTIDO ?

«O desespero dá nisto. Uma desenfreada procura de algo por que viver que chega a parecer confrangedor, paranóico, histérico e senil. Por que não aceitar antes a vida ainda que não se lhe descubra qualquer sentido? Certamente os homens infernizar-se-iam mutuamente talvez muito menos e não provocariam as calamidades humanas de que todos somos simultaneamente espectadores e responsáveis! Frenesim para isto? Não, obrigado! Também não precisamos que mistério algum nos alimente. A não compreensão ou invisibilidade de algo não tem nada de misterioso. O mistério apenas alimenta a credulice e a superstição.» [noético-01/01/2014]

EM BUSCA DO SENTIDO POLÍTICO...

«Fala-se muito de politiquice por aqui e por ali. Fala-se também muito da 'causa pública' e do amor que se lhe deve dedicar a ela. Mas, quando milhões estão mais bem informados e interessados num programa de televisão, do género que Orwell antevia, do que propriamente na luta pelo interesse comum, pergunto-me várias questões: Existirão causas verdadeiramente públicas? Existe algum colectivo que se possa chamar cidade, país ou nação? Se não me revejo em nenhuma dessas inúmeras forças sociais, culturais, políticas e económicas, será sensato abraçar uma abstração como 'a coisa pública', 'a causa pública' ou 'o colectivo/os'?  Francamente, penso e sinto que não, pois, não me revejo em meras conjecturas teóricas desprovidas de qualquer realidade.» [noético-02/01/2014]