quinta-feira, 27 de junho de 2024

Inocência Perdida

Uma naja aspira as ínfimas particulas do teu odor, serpenteando a sua língua bifida, fitando-te, olhos nos olhos, antes de te dar a última mordidela, enquanto tu, jazes, inválido, de pernas partidas, debaixo de uma enorme laje de betão. É a tua última cena enquanto alma viva. É o terror! A tua consciência não te deixa sair de cena. Estás preso às tuas percepções, ao vício de um real construído, do qual não consegues escapar. Ah, malditos sentidos. Ah, incontrolávell cérebro. O terror, não é a morte, é antes, a última cena, ceia dos nefastos sentidos, cerebralmente reconstruídos, sem que, voluntariamente, consigas escapar à cena animada e colorida e, à escuridão do medo. Para que te serve uma consciência, um cérebro, os sentidos quando morres ? De que te serviram os alertas ? Inocência perdida,  consciência terrífica. É o preço da vida. Não controlamos o nosso cérebro.

A chuva cai

Chove, finalmente, e bem! Sem cântaros como diriam os antigos. Preocupamo-nos. É como escutar a chuva que cai ruidosa, chamando-nos a atenção. Atentos, defendemo-nos e pretendemos controlar o mundo que percepcionamos. No final, não levaremos nada connosco. Tanta noite mal dormida, tanto atropelo, tanta angústia para, afinal, nada. De que valeu termos sido este bichinho ? De que valeu, tudo em que acreditámos, ciência, conhecimento, deus, etc ? Como não conseguimos parar este monstro chamada consciência que nos põe a pensar como se a vida fosse apenas isso ? Que querem os meus átomos saber dos meus troféus ? O que eles acrescentam aos meus átomos ? Por que se têm de mover ? Por que não conseguimos deter o pensamento ?

Há caminho

Quem manda nesse lugar que desconheço, chamado céu, não sei. Sei que os que partem da vida, com ou sem barqueiro, nunca mais regressam. Se valeu ou não valeu, cabe aos vivos reflectir. Os que partiram, já nada reflectem. Na verdade, pouco importa, até mesmo, as nossas crenças. Vivêmos acordados ? Adormecidos? Anestesiados ? Não saberemos nunca dar a resposta. E fomos livres ? Quem sabe o que isso é ? E se não o fomos, o que isso alterou ? Caímos de uma relação sexual, aos trambolhões, fomos incubados num útero de quem nem sabíamos quem era, acabámos lançados num mundo semi-preparado, dizer feito, seria o maior disparate, onde, como pequenas sementes nos desenvolvemos ou atrofiámos. A vida, é esta embrulhada total, sem controle algum, ou, talvez, numa ínfima parte, a que nos permitirá sempre dizer, que foi o nosso percurso, a nossa presença, a nossa estadia, a nossa e apenas nossa vida. O que ganhámos por ela ser nossa ? A vida não é um negócio. É erro ver nessa perspectiva. Não viémos para ganhar ou perder, viémos para ter ambos. Felizmente, o humano consegue emular-se acima da mera fera, do mero interesse, da mera circunstância. Estar-se vivo é muito mais do que alguma razão possa descrever ou definir, uma fé possa apostar e, sobretudo, permanecer, temporariamente, num jogo do qual, nem nós fomos os criadores das regras, nem os totais fabricantes das jogadas, previstas, segundo os cálculos para esse jogo. Portanto, também, não fomos teleguiados e, muitos acidentes, nos revelaram, a nossa verdadeira essencialidade! Não digo, que esse, seja o caminho. Há caminho e, não há caminho! Não, não é um paradoxo! Há caminho por fazer, não caminho já feito. Simples, não é ? Riso, raso, delirante, profícuo. Há, caminho e é bastante!

Sem um quê do quê

Não tolero, tolerar. E daí ? Respeito é necessário. Respeito, parece implicar um conhecimento daquilo ou de quem se respeita ou se dá ao respeito. Tolerar, parece ser, simplesmente, assentir em algo de que não se tem conhecimento suficiente. De qualquer modo, cabe questionar, se alguma vez teremos conhecimento suficiente ? Sem nos radicarmos na ignorância, diremos que, tolerar é vaidade. Não se tolera, aceita-se ou não. Tolerar, parece até, sugerir uma qualquer forma de aceitação contrariada, a custo, com dificuldade, sem vontade ou disposição favoráveis, mas, no entanto, aceitar, cheio de reservas mentais. A realidade não é a preto e branco. Tolerar o intolerável ? Não! Alinhar com carrascos ou vítimas, sem conhecer os contornos da sua legitimidade, parece obtuso, abstruso. Conviver, coexistir, cohabitar, sem perder a face, ou será antes o ego ? Eco e reflexo, identitários. Ser idêntico, compacto, inquebrável...Assim, se celebra o vácuo! Um infinito labirinto sem forma. A poesia é que nos doma, a poesia é que nos transforma.

A narrativa é o narrador

Não se amam os mortos mas, sim, simulacros, fantasmas, conceptos que entram em loop, voltados sobre si próprios, moldados pelo vazio, essa espécie de buraco negro que leva a uma dobragem circular. Amar é sentimento, apenas, dos vivos. Para aquele que sabe que a razão não é tudo, não conhece tudo, não domina tudo e, ainda assim, permanece-lhe fiel,  nada há, para além dela, apesar da sua exíguidade. Outros, haverão, para quem há muito mais do que a razão. Foi a esperança que esgravatou o ouro. Mas haverá algum tesouro escondido na morte, para além de um mero conto de fadas ? Por tanto se luta, na vida, para obter e manter e, afinal, nada se leva para a morte. A amputação moral dos que partem faz parte da vida. Os mortos foram inteirinhos ou às partes para o outro mundo, aquele do ponto final. Crer ou não crer nunca será a questão. Cada qual escolhe o percurso da sua alienação. Ninguém tem amor, fé ou razão, mas, enquanto vivos, experimentamos algo e construimos histórias sobre isso. A narrativa somos nós, desde o prelúdio até ao terminus.Nem os loucos perdem a sua identidade única. Todos vivemos a nossa própria biografia. Dir-se-ia, que a habitamos e forjamos linguagems para a expressar. Em suma, seja crença ou razão ou, ainda, até, ambas, haverá sempre um relato, um linguarejar sobre os actos, sejam eles cônscios ou não. Cada instante é toldado pelo que chamamos consciente e inconsciente em viagem pelo mundo. O mundo é uma miragem do discurso e,  ao mesmo tempo, uma passagem para o fim do mundo.

O Amor diz-se vivo!

Às vezes

O amor não se vê

Não se sente

Não está próximo

Nem presente

Mas, está vivo, simplesmente,

Recolhido,

Consistente,

Disponível,

Existente,

Em espera

Para se manifestar

Se consumir

De se realizar

Junto, perto, livre

Chegando

Não estando

Estando

Aguardando

Proliferando

Distante, escondido

Sem qualquer aparato

Qualquer exibicionismo

Simples

Comedido

Discreto

Honrado

Doado!

A Análise, o que é? Um detalhe. Seguido da capacidade de falsificar!

Analisar, não é compreender. A compreensão engloba muitas possíveis análises e, é um processo dinâmico em transformação, tal como as análises mas, distinta delas. A compreensão muda com as análises e outros fatores. Às anàlises que se mantêm juntam-se outras novas ou regeneradas, que alteram toda a compreensão ao alterarem significativamente toda a disposição (de dispositivo ou modo) mental. Temos análises, restritas, difusas, abrangentes, exaustivas, figurativas, instantâneas, comparativas,etc. Todas elas, são detalhes, por muito que detalhadas. Como se diz reestrita ? Análise de 3 ou 4 fatores, como exemplo. É curto, precário, demasiado compacto, ínfimo, acrescentaria. Análise difusa, pode ser extensa ou intensa mas, desordenada no seu constructo ou na incoerência dos seus resultados que, podendo ser verdadeiros, apresentarão um aspecto inconclusivo por não se interrelacionarem ou articularem  coerentemente entre si. Análise abrangente ? Qual é a amostra à partida ? Já se conhece a cardinalidade do tópico a estudar ? É um, o tópico mas, podem ser múltiplas as abordagens. Abrangente, pretende ser geral,  maioritário, quase completo, quase exaustivo. Quais são então as capacidades empregues e as limitações ? Qual o critério que define o máximo e o mínimo de factores de análise ? O que indica a exaustão ? Exauriram-se todas as possibilidades, perspectivas, vertentes ou, exauriu-se ou exauriram-se a ou as capacidade(s) do(s) analista(s) ? Em todos os casos, qualquer análise, não passa de um detalhe! Toda a relevância depende da importância desse detalhe, numa compreensão mais vasta de todos os detalhes. Análise comparativa ? A pertinência ou congruência e até mesmo, a incongruência,do que se vai comparar é fundamental. Existem, mais uma vez múltiplas possibilidades. Comparando, quer pela positiva como pela negativa, nunca há lugar a um esgotamento das relações possíveis ou impossíveis de estabelecer. Lembrei, a análise combinatória, que em matemática está demonstrada mas, que, na sua aplicação prática, compromete toda a completude de uma análise da realidade. Podem haver combinações ocultas ou desconhecidas ? Sim. Podemos nem sequer estar a referir-nos às disposições, não enunciáveis mas, a disposições completamente desconhecidas. Óbvio, a suspeita de tais disposições não as torna automaticamente verdadeiras ou sequer existentes, apesar de, equacionáveis. Análises instantâneas ou se prendem com o instante ou, com a superficialidade da análise (se é que é atribuível, alguma superfície a uma análise que não seja geométrica?). Instantânea é fracionária, logarítmica. Em suma, analisar é um instrumento altamente complexo, uma ferramenta com múltiplos algoritmos que, só por si não determinam a dimensão do objecto-problema, a sua disposição, a adequação da conclusão mas, tornam parametrizável a ação e o esforço conduzido,  praticado, executado para extraír informacão pertinente à compreensão humana dedicada ao entendimento de um circunstancial ou determinado objecto. Mais, lembrei, da análise argumentativa.  Argumentos e contra argumentos, disputa e conclusão. Sic et non. Todos sabemos o que é um argumento, uma tese e as premissas, as outras teses que sustentam a tese conclusão. Há argumentos válidos, fortes, sólidos, cogentes. Não irei explicar. A razão, capacidade inteligente humana conhece-os. Cria-se uma teia deles, encadeada, coerente. Pretende-se dar uma explicação com base numa demonstrationem argumenti. O auto explicável e o auto compreensível são assim tão evidentes ?O  que pode constituir de facto e de juris uma análise ? 

sábado, 18 de maio de 2024

O MAR








Se há Deus há Mar

Pois, sem maré não há vida

Não há ir ou voltar

Não há dor nem ferida

Nem histórias para contar.

A alma entretida,

Perdida, embriagada

Sentindo o indefinido

Com rosto estarrecido

Ama

Vive

Realiza

Morre

Permite-se seguir o rumo

Escutar as ondas do fundo

Arribar às fronteiras do mundo

Entre névoas e fumo

Num uníssono prumo

Em harmonia universal.

Deus não é bem nem mal

Apenas silêncio radical

Evidente e ausente

Presente e oculto

Num amplexo paradoxal.

Cheira a Mar. 

Cheira aos filhos da Terra

A uma gesta rudimentar

Sedimento de homens

Apóstrofes de deus.

Andróginas criaturas,

Que nem são Afrodite nem Zeus!

Não há vida sem Lar

Nem vida sem Mar

Não há sopro sem Ar

Nem vida, sem respirar.


Children of the Sun

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Mil anos sem mestria


Há mil anos disse, a ordem é aleatória. Parece uma contradição nos termos mas, temos de ser capazes de nos desvincularmos das nossas crenças. Na verdade, encontraremos ordem em tudo porque, a busca de sentido, a tal nos condiciona. Ter sentido, significa, controlar a lógica, conhecê-la. Se algo não a tiver, cria-se uma, adequada. Funciona, também assim, a ciência. A forja da ordem não pára. Mas, serão ordens sobrepostas, correlacionadas e correlativas ou outras ? Cabe na cabeça de alguém haver uma só lógica ? Admissível não significa a certidão de óbito da falsidade ou a transformação criativa da ordem do imaginário, que permite inventar novos mundos e acrescentá-los ao mundo que, nem em tudo, parece ser tangível na realidade. Deus quer, o homem sonha e ninguém pensa. Eis o que de certo o Poeta diz, não dizendo, apenas referindo, que a obra nasce. Pois é. Não pensa. Nada pensa. Só havendo ordem haverá sentido. E se não houver ordem, continuará havendo sentido ? A Natureza mata. Quem crê num super ser que os acode, desengane-se! Essa é a ordem que se sobrepõe à realidade mas, que, na verdade, se eclipsa de fundamento. Um furacão mata, quer um crente, um descrente, um velho, um bebé, uma mulher, um burro, seja quem for...Foi a mão sábia de deus! Será, essa a ordem ? Ou simplesmente queremos que essa seja a ordem das coisas para justificar a nossa dor e as nossas perdas e, conferir-lhes sentido ? Para mim, a ordem está no que acontece. Tenhamos nós interferência ou não, controlo ou não, haja sentido ou sentido nenhum. Não há uma ordem para além da ordem das coisas, do mundo, mesmo que tal, nos parece obscuro, incompreensível, desconhecido, vazio de sentido. Felizmente, que não vivemos em plenitude e que, a ressurreição é um sonho humano, senão, nunca acordaríamos e, acordar, despertar não significa uma manhã de bonomia. Haja o que houver...Tempestade, dor, tristeza, guerra, melancolia ou bonança, prazer, alegria, paz e sensaboria...
A ordem é do mundo, não da ordem da nossa construção racional. Matar inocentes, não é de fora do mundo. É o mundo e do mundo. Tem sentido ? Ordem tem. Sentido, não sei responder. Nem hoje, nem espero que nunca!

domingo, 21 de abril de 2024

Oratio de um ateu

Será a sabedoria saber, não estar aqui, quando todos os holofotes apontariam para a nossa presença ? Acredito de que ainda há mensagens de Amor de que ainda há quem amar e quem nos ame. Inferno, céu e limbo, são já aqui. As futilidades em que apostámos valeram apenas pelo tempo que não soubemos usar de outro modo. No fim, nada sobra.  A memória apenas permanece nos vivos por mais algum tempo. Nunca fomos ou seremos grandes, excepto, na vaidade e na ignorância. Sim, Amo a minha mulher, os meus filhos e os meus irmãos. Mas, amar é tão difícil! Há quem pense que tudo se resume a oferecer uma rosa no dia mundial dos namorados... É preciso Amar muito para nos desapegarmos. É preciso Amar muito para se ser acompanhante e não deixar ninguém dos que nos são próximos desamparados, embora só nós possamos viver a nossa própria queda, solitários e desamparados. Nas grandes decisões da vida, estamos, completamente sózinhos. Servem estes momentos para nos confrontar com a verdade que trazemos em nós soterrada por desvarios e poeira acumulada dos destroços que provocamos. Deus é talvez o nosso superego que fugiu para o céu...E foi-se embora mesmo. Creio que nunca voltará. Destapámos o tacho e atirámos a tampa sob a forma de disco voador para o espaço. Ficámos, iludidamente, senhores da vida e entregues apenas a nós próprios, como se tivéssemos olhos de ver e ouvidos de ouvir e pior, algo de bom nos nossos corações para ofertar.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Em suspenso

Levamos, levei, muitas vezes, com demasiada leveza, a ideia da morte. Daquele momento, em que, não nos despedimos mas, de vez, partimos.
Lembro ,outros, que já partiram. Quanto ficou para eles dizerem e fazerem? Mas, não houve mais tempo. O que quereriam ou teriam querido comunicar que não lhes foi possível ? Fazer ? Senti de perto a morte aproximar-se e, pensei neles, evocando a solidão que é estar-se nesse momento final. Sim, somos só nós. Nada a demonstrar. Toda a vaidade esvai-se. De que adianta deixar-se mais ou menos lembranças ? Não iremos estar por aqui, para ouvir ou ver, quem falará de nós. Nada do que fizémos,  criámos, vivêmos, terá relevância para nós que cessámos de existir. Claro, é bem melhor ter vivido em tentativa constante de acordo connosco. Afinal, fomos alguém, aquele que nos fomos imaginando mas, agora, até esse pensamento perde força. Toda a vaidade é vã. Tranquilo ou insaciado que importa ? A morte é implacável. Partir com sonhos de outro mundo, daí se dizer partir, viajar para outro lugar, é espúrio. Não há certeza alguma de que o sonho se concretize. Dirão, há a esperança. Sim, haverá mais essa vaidade, essa confiança num futuro, sobre algo, que nunca se passou, nem qualquer garantia que se passará. E se nada disso se realizar, de que serviu ter sonhado essa última vez ? Que vantagem isso trouxe ?  Acaba-se sempre por nunca se concluir. Concluir o quê ? As nossas leis, não funcionam, do outro lado, a partir do primeiro traço do além. Dói deixar aqueles que amamos. Nunca mais nos encontraremos. É um fim duplo da história, para todas as biografias envolvidas. Aquelas biografias que ficam, ganhando uma alínea e, também, para aquelas, para quem já não terá mais linhas. Só um ponto final. Um regresso ao silêncio de onde nunca se partiu. Sim, nascer vem do silêncio. Morrer, é reentrar no silêncio mas, num silêncio absoluto, num movimento em eterna pausa. O universo recicla-se mas, não se regenera. São duas encostas diferentes da vida. Caminha-se para o nulo.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

A tecnologia não civiliza o homem!


A tecnologia é e sempre foi um instrumento precioso no progresso das sociedades. No entanto, a tecnologia, embora possa facilitar algum tipo de aprendizagens, mais focadas na formação profissional, tem falhado redondamente em contribuir para a civilidade, humanismo, respeitosidade e engrandecimento das culturas e sociedades ao longo da História. A mera produção de riqueza material através da evolução tecnológica promoveu maiores desigualdades, disputas por riqueza, desenraizamentos culturais, evanescência das tradições, excentricidades e individualismos, isto, para não contemplar, o exponenciar de lutas fraticidas pelo poder, queimas em fogueiras, guerras mortíferas e quase constantes, etc. 
Faça-se a pergunta, quantos dias de paz teve o planeta desde que há registos históricos ?
Por isso, penso que não estamos mais civilizados e respeitosos, nem no trato com o outro, nem no respeito pela natureza. Daí decorre, também,  a actual,  tremendamente aflita preocupação com o clima e com o respeito por grupos sociais menos representativos das diferentes sociedades e culturas pelos mais diversos quadrantes políticos. Se tudo estivesse melhor, mais civilizado, não haveria esta actual necessidade premente.
A natureza e os factos históricos falam por si. 
Confiar na tecnologia como panaceia da construção de um novo humanismo e de novas formas civilizacionais é uma falácia monumental. 
A tecnologia não civiliza o homem!
Se há algo de positivo que se pode atribuir à tecnologia, tal, deve-se ao Homem que a criou, parcialmente a civilizou e a adaptou e empregou para certos fins eticamente positivos.
Se o Homem não se civilizar a si mesmo, não há nenhuma tecnologia que o faça. O mesmo é dizer-se, se o Homem não se revolucionar interiormente e salvar a si mesmo, nenhuma tecnologia o salvará da sua auto destruição.
Mas, como salvar-se a si mesmo se o Homem não se conhecer a si mesmo ? Não haverá nada para salvar. Também não haverá nenhuma revolução interior a fazer.
Haverá a crença falaciosa e fatídica de que a tecnologia resolverá todos os problemas, tal como, no passado, orar aos deuses servia de panaceia para alienar os espíritos e lhes infundir alguma esperança. Sim, a esperança é fundamental mas, é diferente de ficar à espera. E, como vimos, alienarmo-nos à tecnologia não é caminho algum, mas sim, a tentativa apenas simbólica de regressar ao ventre da mãe, de recolher à concha, de procurar mentalmente uma desculpa que confira proteção contra o peso e crueza da realidade, de negar o que não convém ver, de, em suma, nos demitirmos das nossas responsabilidades como seres adultos adoptando verdadeiros comportamentos infantis. 




Eu gosto

Uma sociedade que, não é capaz de socializar e conviver, pacificamente, sem polícia, não está apta para sobreviver, nem para ser livre.
A desculpa é sempre, são só alguns. Mas, a verdade é, que os muito poucos, perturbam mais do que, o vasto rebanho que os tolera, nas suas irrupções de violência gratuita.
Fala-se mais em futebol do que em educação ou ensinança. Saber estar, saber respeitar, saber interagir com correção, simpatia, empatia e retidão está fora dos interesses gerais da comunidade que, considera tudo isso, como mais um adquirido, portanto, algo não  muito valorizável, uma vez que passa a ser um "dejá vú".
A liberdade resume-se ao "eu gosto"!

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Entre-Rios


Há toda uma vida, de emoções, sentimentos, pensamentos, intenções, considerações que nos escapam a cada segundo que passa, para além ou aquém, sempre, desta vida que, a cada instante, concretiza-se. Só, a música e a poesia, parecem conseguir vislumbrar um pouco desse imenso universo, em movimento, obliterado. É, como se houvesse um negativo de nós, que nos escapa. Não, não é inconsciente. Por vezes, apesar da sua fugacidade, é até bem consciente e permanece, fraccionário, por segundos. Para onde corre esse outro rio de nós ?  E nós, se calhar, não passamos de uma pena de pássaro flutuando sobre as águas ao sabor da corrente... Quiçá ? E é, como se, houvesse realmente, um universo próximo, para onde a nossa posição saltaria, quânticamente, num ápice e, outra biografia, seria então, construída. Uma espécie do universo do não, em que, nunca seremos decisores, nem teremos arbítrio. Universo do não porque se perdeu oués fechou a janela de oportunidade numa fração de segundo. Não, um universo de negatividade. É quase como se fossemos convocados para um salto, mas a estrada já estivesse debaixo dos nossos pés, forçando o caminhante ao caminho. Parecem faíscas determinantes mas, deixam antever um outro mundo, neste. Uma fissura, não determinista, um ponto de fuga. Imagino, que, tal como uma maré, esse fluxo que nos sobrevoa a uma velocidade estonteante, também, reflua, minando a linearidade do continuum vivendum, numa espécie de preenchimento silencioso, a presença da ausência, a pausa na melodia que confere encanto ao desencanto. Ying e Yang!

Ad lacrimam





Pediram-me para chorar

Derramei lágrimas de pó

Nada pude acrescentar

Toda a vida é ser-se só


A solidão, não é sofrimento

Mas, sim, chama ardente

Lembrança do existente

Vivido a sós, por dentro.


A vida é o que é

Movimento misterioso

Ninguém compreende o que é

Mesmo sendo curioso


Acordo com a esperança

Intervalo que não se alcança

Meta que é uma causa

Forma feliz de pausa







In tempore mortis



Quando eu morrer, espero que ninguém chore por mim. É simples, concluí. A vida é curta e efémera e, segundo o que sei, embora ela, mereça e deva ser bem vivida, acaba por não ter significado algum. Também é simples. Se vos perguntarem qual o seu significado, certamente esboçareis uma resposta mas, jamais alguém saberá verdadeiramente responder a essa questão! Tudo termina para o morto. Tudo continua para os vivos. Procurar sentidos onde não os há, vasculhando pelo deserto, ao longo dos tempos, faz-nos ver que somos imensamente resilientes mas,  de modo algum imortais. Num ápice décadas de anos de vida se desvanecem, perdendo qualquer significado. Não há mais forma de ancorar o navio. Os nossos verdadeiros restos mortais são memórias. Temporariamente perpetuam-nos, os que nos lembram. Também eles se finarão e com eles, a memória que guardaram. Lembrem-se, se tiverem saudades do que essa memórias evocam que, também, a esperança findou. Não há regresso, ressurreição, vida eterna. Como sei isso ? Já decorreram milhares de milhões de anos sem qualquer prova de que alguém tenha ressuscitado ou  voltado de qualquer outra forma de vida para o poder contar. Não há, pois, qualquer evidência factual que justifique essa crença. Dito isto, antes de ter morrido, ficarei feliz se, após a minha morte, apagarem-me das vossas mentes o mais rápido possível. Enterrem-me, também, nas vossas memórias, sigam em frente. Não tereis nenhum ganho em relembrar-me. Continuarei a ter múltiplas faces, favoráveis e desfavoráveis. Tanto faz. Por mais homenagens ou pragas que me rogueis, não regressarei. Parti de vez. Se assim, não fosse, para que existiria a palavra fim ?




Non aeternum


[Nemo nostrum tam magni momenti est ut memoria in aeternum mereamur.]
"Nenhum de nós é tão importante a ponto de ser lembrado para sempre."
[noético in "Omnia et nihil" - 6/11/2023]



Por que não nos devemos cingir apenas aos factos


Existe a falácia de que não devemos ajuizar, quando de facto, proferimos juízos de facto e de valor a toda a hora, sendo ambos estruturais da natureza humana. Mas, ater-mo-nos aos factos, apenas, também, nem sempre funciona. Exemplo: alguém roubou alguma coisa em miúdo ou até em adulto - um pouco mais grave -, segundo os factos essa pessoa roubou, poderemos enquadrá-la no conceito de ladrão ? Se não, a partir de quantos roubos poderemos enquadrá-lo nessa categoria ? Faz lembrar o paradoxo do careca, que diz, a partir de quando poderemos considerar alguém careca? Nenhum cabelo, um  só cabelo, uma dúzia, uma centena de cabelos ? Porém, também, não podemos apenas obstar ao julgamento de valor que nos leva a ser prudentes com essa pessoa após esse seu primeiro acto. É de elementar sensatez.  Então, como ficamos ? Só pelos julgamentos de facto ? Não.  Mas, também, é abusivo e insensato, usar indiscriminadamente  juízos de valor sem considerar e respeitar os factos. Embora, ninguém saiba onde está ou fica o meio, excepto no fiel de uma balança, é nele que habita a excelência, o equilíbrio.





Não quero mais ser professor



Faz já algum tempo que deixei de exercer actividades lectivas. Ainda, hoje, conservo o bichinho de ensinar, actividade para a qual estou perfeitamente qualificado. Sucede que, perante um futuro de exigência mas, repleto de instabilidade optei por outros caminhos profissionais. Exerci, com alma e coração e, foi bom enquanto durou. Depois, a percepção do carreirismo de alguns professores, os currículos de ensino quase imutáveis, a falta de compromisso dos pais com a aprendizagem dos filhos/alunos, o desinteresse dos sucessivos governos pela educação, a imbecilidade da representação sindical, únicamente preocupada com a sua agenda política, o descentramento geral, social e colectivo quanto aos interesses dos alunos, libertaram-me da mestria. Não quero mais ensinar. Não acredito no futuro dos alunos, numa sociedade perdida e caduca em declínio. Facilita-se tudo. Alunos no 10° e 11° ano que sabem recitar discursos sem perceber patavina do que leram, entre muitas outras situações. As estatísticas melhoram com a diminuição da exigência quer na habilitação dos professores, quer na habilitação dos alunos e, os governantes, apenas pretendem resultados para exibir a sua vaidade encobrindo os verdadeiros intuitos políticos que se pudessem reduziriam as massas a ignorantes para poder manter o poder ou, degradando a escola democrática, a pretendem apenas qualificada para a elite.  Na realidade, como um dia disse aos meus alunos, não sou eu, professor, quem mais importa. Não é o currículo, são eles, os alunos, o centro de toda a educação. No entanto, pelos discursos que vemos de políticos, pais, sindicalistas e até de alguns professores, nem se fala deles, os alunos! 
Por isso desisti de pregar a bestas quadradas sobre os benefícios de uma verdadeira aposta na educação e ensino, tendo como alvo e objectivo único, servir os alunos e aumentar-lhes o máximo dos conhecimentos e perícias, adquirindo-o e utilizando-o com critério, mantendo sempre uma atitude de probidade e humildade intelectual. Salvé o Ensino! Sem ele, descenderemos às cavernas. Já falta pouco. As multidões vociferantes de nada se apercebem, apenas dizem mal, numa espécie de fátua crítica atirada para o ar, sem alvo definido, à toa. 
Não, não professo mais, não ensino mais ninguém. Quem quiser aprender recorra às máquinas, à IA, aos professores fáceis, aos políticos e políticas circunstanciais, aos currículos promovidos pelo marketing e sobretudo, dedique-se a ensinar-se a si mesmo. Não contem mais comigo. Sejam adultos! Tomem  conta do vosso Destino já que se acham tão capazes, defendendo este actual estado de coisas.
Não, não voltarei a ensinar! Remeto-me ao silêncio da minha ignorância para deixar brilhar a vossa!


sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Gratias Plenas

Estou pronto para levar mais uma sova. Dito, deste modo, até, parece, masoquismo. Mas se for a sova da vida, continuará a ser masoquismo ou bravura, ou até, maluquice ? Ahahah... Maluquice pela certa. Estar pronto, queria-se dizer. Pronto para quê ? Para a vida nos voltar a derrubar pois, realisticamente, é isso que sempre sucede e que continuará a suceder, a intervalos, absolutamente imprevisíveis. Fartei-me do previsível, do contínuo, do estável (embora deseje ter uma noite tranquila),etc. Não podemos radical-izar. Esta separação da palavra foi propositada. É isso mesmo. Sonhar, mas deixar espaço para o concreto, o real, construto psicossocial. Criamos! Que bom. Inventamos, estipulamos, organizamos arbitráriamente o arbitrário mundo, ao nosso ver, adaptado. Realisticamente, falando do irreal, não vivemos sem o conceber. Daí até à in-diz-extinção é um ápice. Conceptualizamos o caos e a ordem. Estabelecemos-lhes as leis, as nossas. Vê-mo-los como qualquer tipo de cobertura de um gelado. É a nosso gosto, seleção, decisão, imposição, categorial! A indeterminação é tanto exógena como endógena. O Télos segue o seu caminho, seja ele qual for, até pode mudar ao longo do percurso. Agora inventaram a Nutella e eu, invento o Notellus, ou seja, o não Télos.Invento ou improviso ou imagino ou penso ? No ar desdobram-se seres metafísicos. Pode não ser um não Télos, pode ser um Télos clone assimétrico. Estilo, acomodação nas estruturas cognitivas definidas por Piaget. Tanto tempo seguros no lógos, razão ou palavra, e afinal, escutam-se  apenas ondas e frequências. Cada um segue o seu "pace" o seu ritmo. É desenfreado, incontrolável, saudável, livre e louco! Sim, controverso e contraditório. Sim, unificável mas, não Uno. 
Já se sentem massajados ?

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Sem Margens




No mundo imaginário dos valores tudo é perfeito. A realidade é como é, fruto de muitas conjunções e disjunções de forças. Por isso, é difícil, se não impossível, querer traçar uma linha divisória diferenciadora ou delimitadora, como se, se tratasse de uma linha de circunscrição atida a cada contexto próprio.

Trata-se, afinal, de um puzzle onde raras são as peças que se encaixam e que, portanto, raramente deixa antever um sentido, uma direção, um ponto de fuga de compreensão de cada sua forma futura, retirando-lhe quase toda a previsibilidade. Uma espécie de amontoado de peças não emparelháveis. 

Como então estabelecer a ordem ? A lei ? Só no reino do arbitrário, por mais que o nosso ansioso desejo exija a sujeição às nossas virtuais linhas de controlo. É claro, que neste sentido, o caótico sobressai como espelho, não acrescentando, no entanto, a imagem reflectida, alguma outra margem de compreensão. Neste domínio as perspectivas disparam até a um número quase infinito. Por outras palavras, embora qualquer caótico se possa assemelhar a qualquer outro caótico não existirá aqui, nenhum esboço ou sinal de simetria.

Então, como delinear ou conjugar os valores com o real  de forma justa e balanceada ?

Um referente que se referência a si mesmo constitui uma obtusidade.




segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Eter-N-idade


Podemos visualizar, extasiados e em silêncio, a eternidade, mas, jamais conseguiremos tocar-lhe! Não se trata de nenhum Deus, mas sim, da Natureza à qual pertencemos.








Restos mortais


Somos um saco de batatas de desejos. No final, só resta a serapilheira. Para que valeu tanta batata ?









segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A arenosa felicidade


Acontece muitas vezes. O porquê não é conhecido mas, que é visível para outros, é inegável. Seres que buscam a felicidade, que procuram ser felizes mas, que mesmo tendo-a ao seu alcance, a deixam escapar, tal como areia esvaindo-se da palma de uma mão (metáfora pictórica, muito bonita, do filme Out of Africa).
Os seres complicam, focam-se no não essencial, deixam-se atrair pelo sonante, vibrante, brilhante e, nisso enredados, afastam-se da felicidade por que tanto anseiam. Quem está de fora percebe, quem vive a sua existência está, muitas vezes, cego a essa possibilidade.
Como alguém detecta esse divórcio?
Querer demais não resulta. A felicidade não é só questão de querer muito, sobretudo quando, ela é incontrolável pela vontade.
Desejar demais, também não resulta. Satisfazer todos os desejos, não só é impossível, como insustentável e, existe ainda o perigo de desejar se tornar uma adição. Cuidado com aquilo que se deseja, diz um antigo ditado popular.



quarta-feira, 27 de setembro de 2023

the non law


Estes homens não se sabem governar com leis, nem sem elas. A lei acima de tudo e de todos não convoca a unanimidade e, muito menos, quanto à interpretação subjectiva de certos princípios. Para mim qualquer ser humano está acima da lei, o problema é que a lei não quer em nada saber do ser humano, embora seja, o ser humano quem a lei pretende tutelar, sem que, no entanto,  o consiga compreender. Pensa-se,  a lei está acima. A lei é eterna, indiscutível. A única excepção; se a vontade de uma maioria, normalmente, muito mal informada, a quiser modificar. Dirão que nas democracias a lei é discutida em assembleias ou parlamentos.  Após a sua génese quase todos os projectos de leis são discutidos e aprovados por maiorias, nem sempre as mais qualificadas. O que tem mais faltado ao parlamentarismo é qualidade. Por vezes, mas raras vezes, são alteradas e, são-no para tentar adaptá-las às novas vontades de outras maiorias ou eventualmente, a novas realidades mas, quase sempre sem mexer na sua matriz anterior. No entanto, a matriz de que, não se pode viver sem lei, nunca prescreve. Há até leis que são um verdadeiro hino à injustiça.



terça-feira, 5 de setembro de 2023

A queda metafísica do eu

A vida é, a queda metafísica de um anjo desasado, que se extingue ao atingir o fundo do abismo em que penetrou.

O eu é essa ilusão autobiográfica que "mudando, permanece" sendo a candeia que ilumina cada novo espaço percorrido na grande noite sem sentido. 

Sem o navegaríamos, à deriva, sem nenhuma linha de horizonte, completamente perdidos. 

Sem essa bóia naufragaríamos de imediato no extenso oceano. Ao contrário, com o seu excesso asfixiaríamos pelo seu insuflar intemperado.

sábado, 26 de agosto de 2023

Without listenning to this "Human" isn't your true name

Músicos de Portinari
                         

Besides I'm absolutely an atheist I would advise who never heard this 18 masterpieces of music in it's entire life that should do it immediately to start being a Human Being and before it's too late. 

Mozart - Ave Verum - Mozart Ave Verum
Ewa Malas Godlewska  - Handel - Lacia Ch'io Pianga
Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva - Pergolesi - Stabat Mater Dolorosa
Anja Harteros - Mozart - Laudate Dominum
Bach - St. Matthew Passion - The complete master piece (No adjectives)
Vivaldi - Nisi Dominus Cum Dederit - Andreas Scholl
Handel - Sarabande
Giovanni Battista Lulli - Marche par la cérémonie des turcs

DESAPAIXONADAMENTE ?

http://criticanarede.com/sabedoriasem.html
«Desapaixonadamente, porque não te entregas às minhas mãos, em vez de, às minhas palavras ?... Certo! Eu, deveria dizer-te o contrário. Afinal, sei lidar, bem melhor, com palavras. Sabes, tenho uma tremenda falta de jeito para usar as mãos. Nasci, assim. Penso, que morrerei, ainda, desse modo. Mas, então, porque te peço isso ?... É que se me queres amar é melhor começares por aceitar aquilo em que não nasci dotado, em de vez de te deixares deslumbrar pelo fugaz vigor de algum talento que possa ter herdado. Desapaixonadamente, procuramos, quase sempre, encontrar fórmulas que resultem, para a vida, para o amor, etc. Porém, com o tempo descobrimos que tudo isso, é, perfeitamente, aleatório. Bem, existe sempre uma vida escrava da admiração dos outros, em que tudo se faz para ficar bem visto, iludindo-nos com isso, porque, uma coisa é estar na ribalta e outra, ser-se verdadeiramente amado. E tanta diferença existe entre as côres e o brilho! Desapaixonadamente, como solução imaginada, imaculada, ou seja, sem sofrer a torrente de emoções e desejos que a paixão provoca, vendo, nesse modo diferente de abordagem, uma forma mais estruturada para enfrentar coisas que, não se controlam, embora, nos sintamos mais aconchegados por esse pretenso desprendimento. Engano. Mero engano. Como se pode viver desapaixonadamente uma paixão ? Então, não é, certamente, uma paixão. O amor não é um livro de perguntas à espera de respostas exactas.»[noético-24/10/2014]





Afinal, nada temos.



Não há muito a dizer sobre o mundo. Os vivos não sabem. Os mortos não falam. O corpo não morre. A alma perece. Estranhas as mentiras em que  cremos quando somos vivos. Depois de mortos, nem crença, nem opinião, nem sabedoria, nem eu! O que mais nos atormenta é o eu que se tem em alta consideração e que teme se desvanecer. Mas, o medo, neste caso é inútil. Nada pode. É impotente! Não controla nada. E, enquanto vivo, só controla a ilusão de controlar que está vivo. Coisa irrelevante. Dói ? A muitos dói. Isso, reforça a ilusão de controle e a vontade de controlar. É preciso combater a dor, ser feliz. É mesmo ? Não, não é! Mais um combate por controle, o "temos", o imperativo! Quando, afinal, nada temos!




sábado, 12 de agosto de 2023

O que significa não haver futuro sem história



Não haver futuro sem história significa negar um começo, que nada pode ter surgido do nada e, também, afirmar que,  a história é a sua própria maternidade. O certo é que, antes da vida não há nada ?  É preciso uma sucessão de diversos eventos e uma sucessão de contextos diferenciados e favoráveis. Um homem que encontra uma mulher. Um momento de cópula. Um espermatozóide que fecunda um óvulo. Uma porção de meses de gravidez de uma mulher. Contudo, esta sucessão ou processão de eventos,  não é a vida. Embora, seja a matéria viva a gerar nova matéria viva sob uma das suas formas possíveis. Não há, então,  um começo ou indício de começo e podem até haver milhões de indícios de começos sem os haver de facto, tal como, os milhões de espermatozóides em ação não encontrarem sequer um óvulo para fertilizar. Então, em que ficamos ? Tem de haver vida para haver uma nova vida e antes de uma vida à sempre vida sob outras formas. Dir-se-ia que é da energia que é gerada a vida. E que aquilo que classificamos como matéria inanimada o fazemos de modo errado pois, tudo que existe está animado de movimento e, os ditos seres vivos, são apenas gerados a partir da energia existente sob outras formas, entre as quais os átomos e moléculas químicas componentes da matéria que dizemos não estarem vivas mas que, na realidade o estão, existindo, interagindo, transformando-se e combinando-se sob diferentes formas todas elas em movimento. Nesta perspectiva, também não existe morte, sendo esta, apenas uma cortina que cai momentaneamente sobre uma forma, para no acto seguinte se erguer de novo, dando origem a outras formas de energia que entrarão de novo em cena ocupando de novo o palco.



terça-feira, 25 de julho de 2023

A mente é que é mortal



Tantos séculos de cultura, a afirmar sempre, no mesmo sentido, de que o corpo é perecível e a alma imortal, quase que me convenceram. Porém, face à minha experiência, de quase morte, da qual regressei, pelos meios da moderna ciência da medicina, alterei essa minha antiga crença e perspectiva. O que morre é a mente e não o corpo. Convém explicitar. Corpo aqui designa matéria, energia, composto físico-químico natural, com alguma forma, dentro de uma panóplia de plasticidades. A forma pode mudar, mas a energia não se esgota, não termina,  transforma-se e transmuta-se noutras formas. A forma é metamórfica, camaleónica. Dos átomos e partículas ainda que mais elementares podemos dizer que sempre se transformam. Podemos dizer que um cadáver se decompõe e se transforma em múltiplos elementos físico-químicos que entrarão em outros elos que compõem outras formas corpóreas naturais. O que não poderemos dizer é que a mente não morre. É precisamente essa parte que não é conservável corpóreamente, quando o corpo se desintegra integrando-se no grande ciclo maior ecológico universal. É pois, a mente, a única parte de nós que realmente desaparece, sem transmigrar para lado algum da natureza. Nem quanta algum de energia dela sobra. É a mente que morre, afinal. E fruto da mente, não se perde no total, por que são as formas vivas das gerações seguintes que fixam, como cultura, humana, o rastro das mentes que as precederam. De resto, não há qualquer outro arquivo dessa presença. Contudo, precisemos, é a mente, a individual, que morre. Apenas o arquivo colectivo e virtual das mentes subsiste sob forma cultural.






Verdade


A situação mais perigosa do mundo é aquela em que o conceito/palavra "verdade" cai nas malhas da crença e da superstição. Na realidade, o perigo, não está nunca na palavra/conceito mas, sim, na incapacidade receptiva do auditório e/ou no seu uso como bandeira/dogma. Repetir muitas vezes que uma mentira é verdade, não torna a mentira verdadeira. No entanto, para muitos, assim sucede.
Compreende-se, assim, que, embora todos falem na "verdade" a grande maioria, na realidade, dela afasta-se, mantendo, no entanto, o subtil disfarce de ser seu discípulo.
Para esclarecer: a verdade é algo que se alcança pelo conhecimento através da lógica e do rigoroso ater-se aos factos e, nunca,  jamais, fruto de uma crença ou de um qualquer apelo de seita.
Depois de tantos séculos de luta pela razão, pelo esclarecimento e pela ciência com sacrifícios e fogueiras à mistura, eis que, chegados ao século XXI muitos, voltam a defender a crença de que a Terra é plana, de que não existe gravidade e de que tais convicções (eu chamar-lhes-ia crenças e superstições quasi fanáticas) se baseiam na verdadeira ciência. Essa, é a mesma gente que anda com telemóvel na mão, que usa GPS e as últimas tecnologias fruto de uma ciência que não se baseia nas suas crenças absurdas e até as desmente por completo. Não adianta apresentar-lhes factos pois eles, só acreditam na sua versão única adulterada da realidade mas, que, a eles de algum modo convém. A ciência, a verdadeira é pública, admite as suas falhas e tenta corrigi-las. Não se apresenta como verdade única irredutível, nem se sustenta em crenças injustificadas e não corroboradas por factos mas, isso de nada adianta ou convence quem por conveniência, ressentimento, fidelidade a um certo grupo nega tudo isso. Daí, chamar-lhe superstição, algo que é quase impossível de combater, enquanto que numa crença, ainda se consegue encontrar alguma abertura para ela vir eventualmente a tornar-se esclarecida.



Na cama do hospital


Na cama do hospital, sentimo-nos ínfimos, esmagados mas, ajustados à nossa real condição de seres interdependentes. Na cama do hospital apenas conseguimos imaginar, sem factualidade, como vivem os outros do lado de fora, enquanto eles, quase por completo, ignoram a nossa vida numa cama de hospital. Estando próximos permanecemos tão distantes, à distância de uma parede e de um tecto. À distância da condição de estar numa cama de hospital.
Na cama do hospital e diante  da perspectiva próxima da dor e da morte quase todos se compadecem, se entreajudam, estabelecendo os mais simples laços de humanidade. Na cama de hospital a dor é suportada quer pelo instinto de sobrevivência, quer pela medicação, quer pela empatia dos que, heroicamente, batalham  para nos curar.
Na cama de hospital o mais apto oferece-se aos outros não para se exibir mas para os aliviar. Na cama do hospital o mais antigo ensina aos neófitos tudo o que lhe pode facilitar a sua vida, presumivel, temporária e/ou definitivamente afectada.




Coménio e outros



Abra-se e leia-se a Didática Magna. Pense-se nos séculos que se passaram. Agora, pense-se nos Linkedinns, TikToks, Facebooks e/ou Instagrams...É a revolução, a digitalização, na realidade, uma horda que progride semeando a absoluta ignorância dos factos e da História gerando a quase universal estupidificação. A Terra voltou a ser plana, as vacinas têm chips de controlo das pessoas, os negros foram reis e raínhas da Inglaterra há séculos atrás. Nada é impossível, o etíope pode até, muito bem, mudar a cor da pele. A multidão lidera, incauta e irracional, libertina, imatura, inconsistente mas, empoderada pela quantidade e número de likes, num frenesim psitacista desenfreado. Quem não estiver na onda é melhor deixar a avalanche eclodir e desvanecer-se sem nunca sequer ousar atravessar-se à sua frente.
E eu a pensar que se morreu na fogueira para defender a verdade, para depois se chegar a isto?!...



Os Tuga Libres


Diogo Ribeiro

Os portugueses ficam muito contentes quando os elogiam ou quando algum indivíduo ou grupo de entre eles sobressai no âmbito internacional, embora, para tal, não tenham contribuído com qualquer esforço da sua parte. Quanto ao que se passa entre quatro paredes, já os portugueses criticam, consideram negativo, desonesto, despropositado, desmesurado, infiável, inábil e inadequado sem, contudo, evidenciarem possuir quaisquer padrões de exigência elevados.
Apropriam-se assim de muitas das glórias de outros assim como se demarcam com grande ligeireza dos insucessos comuns próprios, normalmente, responsabilizando terceiros pelos factos.
É uma atitude muito refinada de viver livres e contentes ou presos e amparados ao fado como uma bengalinha mágica.



sábado, 8 de julho de 2023

Do outro lado



Não há ninguém
À minha espera
Do outro lado
Nada, ninguém
Não veio ninguém
Estender-me a mão
Para salvar-me
Nada, ninguém
Nem virgens, nem anjos
Para cumprimentarem-me
Do outro lado
Apenas, nada e, ninguém.



quarta-feira, 21 de junho de 2023

O singular plural

Georgy Kurasov

No final é quase tudo igual ao começo quanto à estranheza e espanto do conhecimento. Afinal, tudo parecia estar destinado a desafinar, cada ser estruturado em torno da sua genética e adaptação, com os seus muitos e diversos episódios, semelhante, mas desigual.
Impossível, quase, viver uma vida inteira sem doença. Um teste à nossa resiliência e ciência, de desfecho imprevisível.
Todos somos mortais mas, vivemos, ignorando esse facto, pensamos que somos imortais. Viver é, alienação pura. Só o teatro nos permite sobreviver, enquadrando-nos entre o real e a máscara a ponto que, ambos se fundem e confundem numa completa unidade, muitas vezes.
Cremos nas continuidades, mesmo que elas possam nem sequer existir. É esse fechamento que nos aliena e nos afasta da esquizofrenia do conhecimento, pois, conhecer seria certamente algo similar. A luz não só cega como, vista no seu total espectro representa uma multiplicidade inequacionável. Só sabemos gerir multiplicidades através de unidades. Cada número é um infinito, estilo mônada. De outra forma não haveria ciência e/ou conhecimento. Conhecemos por que adaptamos o mundo aos nossos conceitos que são agregados unitários e entre eles estabelecemos relações, capturando e agregando essas multiplicidades em direcionamentos, vetores de coligação entre conceitos. O eu, o único, são estruturas nossas. São as raízes múltiplas basilares sobre as quais assenta todo o nosso conhecimento. Agregar é o método, a base, o solo fértil de onde emerge qualquer noção ou termo. No fundo, tal como os humanos, a espécie. Daí falarmos nas estranhezas, inicial e final. Estranhamos por compreender essa magia subjacente ao nosso mundo. A objectividade é também uma agregação do sujeito. O sujeito é um agregado. Faz parte da mesma Natureza de múltiplos onde o raro, é muitíssimo raro mas nunca chega a ser único. Argumentarão, aquele Sol extinguiu-se. Aquele é já parte de alguma agregação.  Se pensarmos bem, o uso da estatística como preditor é a prova disso. A realidade é plural, toda ela.




segunda-feira, 19 de junho de 2023

Não há perfeição

https://zlatkomusicart.wordpress.com/2014/10/31/beauty-lies-in-imperfection/
Zlatko Music

Se os energúmenos, crentes no seu Deus, sejam de que credo forem, na prática, renegam por completo o objecto da sua fé, podemos então, fácilmente descrer na sua fervorosa fé e, ainda pior, suspeitar da sua real falta de humanidade ao quererem segurar tibiamente adesões a falsos absolutos. Para quê, tanta falsidade ? Para quê, tanta máscara de fé, autêntica? Todos os mentirosos patológicos enredam-se e acreditam piamente nas sua mentiras como se do consolo da sua imaginação extraissem verdades. Infelizmente, dada a abundância destes seres,  esta sua fragilidade torna o mundo um lugar tão virtual quanto desvirtuado.
Por isso, afirmo que, o lugar da não crença, o lugar mais desabitado é, o lugar certo, onde, não se será contaminado por esse veneno modal e irresponsável.



segunda-feira, 29 de maio de 2023

Agir

Picasso - Ma Jolie (1911)

Age sempre como se nunca recusasses um último desejo de um condenado, excepto se, esse derradeiro desejo consistisse em, tu morreres e o condenado se salvar ou se, nesse caso, o condenado fosse um  teu filho ou alguém que tu amasses.



quarta-feira, 17 de maio de 2023

Um beijo


Gostaria de poder
Receber um beijo
Apenas e tão só 
Um beijo
Doado e desinteressado
Um beijo
Que me viesse confortar
Desta loucura
Que me parece rodear
Um beijo
Que realmente
Revelasse amar-me



sábado, 13 de maio de 2023

Política não há



Crise climática. Repetidamente níveis bons ou razoáveis de água no Norte, falta da mesma no Sul. Em Espanha já se faz transvaso dos rios de Norte para Sul e dessanilização. Não resolve, mas atenua. Em Portugal, continuamos sem estratégia, ou seja, sem política e sobretudo sem ação. Onde está o Ministério do Ambiente, o da Agricultura e o das Infraestruturas ? 
50 anos para decidir onde será o novo aeroporto é revelador dos políticos que temos e do grau de exigência do povo.
Os jornalistas focam-se no futebol e na realeza inglesa, no diz que disse entre o PR e o PM e, compreende-se a mediocridade e a pobreza jornalística.
A falácia do conforto verde dos carrinhos eléctricos e a utopia do imediato fim dos combustíveis fósseis é também reveladora.
Triste é mesmo o batalhão de viciados na Net e nas redes sociais que, em pleno século XXI, acredita que o homem nunca foi à Lua, que a Terra é definitivamente plana, que as vacinas são um embuste e que as alterações climáticas, acelerados pelo homem são um mito. Razão tinha Umberto Eco, que alguns ainda ousaram chamá-lo arrogante.
Em suma temos um cocktail explosivo que não augura nada de bom para o futuro.
Política? Acções com estratégia para resolver problemas? Não há!





quarta-feira, 10 de maio de 2023

NUFF SAID

 

Quimera

Não sei de onde surgiu tudo isto ? Tem de haver uma origem, uma causa primeira, uma causa produtora, uma causa geratriz. Tem ? Realmente ? Confundir a tentativa de uma resposta, temporária e provisória,  a racionalmente possível com uma resposta absoluta e definitiva é forçado de mais. Então, talvez, não tenha! A questão pode estar mal colocada ou não ser sequer a adequada. A necessidade de uma simples explicação, não garante, nem justifica, qualquer certeza numa resposta.

Como garantir que, o que não sei é Deus ? Deus é explicação racional suficiente ? Não! É insuficiente e nada prova quanto à sua existência. Como ente virtual, modelar,  Deus existe, de facto, com o mesmo tipo de realidade de um unicórnio. Isto é, inegável e factual. É como o número 1. Existe como ente virtual e operativo, mas de facto, não existe enquanto ser extenso, substância extensa. Um copo é, este copo, com extensão que posso ver e pegar, mas não é o número que define o copo ou que é o copo, portanto, este um, é apenas uma enumeração operativa e referencial, não uma entidade extensa.

De acordo com o anterior, existem pelo menos dois modos de existência: extensa e virtual, algo muito em linha com a ideia de Espinosa de extensão e pensamento ou de Aristóteles de material e imaterial. Isto é discutível, mas não o irei fazer aqui. A ideia é que Deus não é extenso, no sentido material e portanto, existente, ou presente,  apenas e parcialmente, numa das dimensões da realidade/mundo. Eu, pelo menos não creio que caminhe sobre Deus ao deslocar-me através da crosta terrestre ou ao atravessar uma superfície aquosa como um rio ou o mar, etc. Para os que acham que o Universo foi criado, talvez, tal, seja admissível. Não vou aqui discutir questões como imanência ou transcendência de carácter eminementemente teológico. Foquemo-nos no criador e na criação.

Deus é a perfeição. Mas se lhe falta a extensão como pode ser perfeito ? Se não lhe falta, então, sempre caminho sobre Deus e os meus pés estão sempre a pisá-lo. Segundo o pensamento de Espinosa, Deus ou a Natureza, essa seria uma realidade tão factual como o facto de todos nós urinarmos e defecarmos sobre ele ou sermos capazes de corromper a sua extensibilidade, designadamente se matarmos outros seres - o que significaria destruir partes da extensão de Deus -. No primeiro caso, a imperfeição não lhe assenta bem. No segundo caso, a materialidade pode revelar-se nojenta e cruel. 

Agora estamos presos a este dilema. Tanto uma versão como a outra nos parecem imperfeitas. Então, poderemos concluir, eventuamente, ou nós, não fazemos a menor ideia do que seja a perfeição ou a concepção de perfeição que temos é completamente imperfeita. Nesse caso, também não poderemos atribuir essa qualidade de "perfeição" a Deus. Talvez estejamos somente a inventar e a inventá-lo.

Agora, sobre a criação. Se fomos criados por Deus, e Deus é perfeito, por que razão nos terá ele criado imperfeitos ? Agumas crenças afirmam que o Criador nos criou à sua imagem e semelhança. Mas é suspeito e duvidoso. Se somos feitos à sua semelhantes somos tão perfeitos ou tão imperfeitos como ele. Não ? Não. Os religiosos trataram de mascarar tudo isto. Nós somos eidolon e não eidos, cópias imperfeitas do(s) arquétipos (das ideias perfeitas). Mas por que razão Deus iria criar algo menor, menos perfeito ? Para não concorrer como ele ? Problema de poder ? Os gregos atribuiam todas as características humanas aos seus Deuses. Aliás sempre, a Humanidade, a meu ver, falou sempre sózinha, fosse com totens ou estrelas, quimeras ou outras monstruosidades,  etc. De qualquer das maneiras, não se entende por que as religiões que se apropriaram dos Deuses (criados em meu entender pela imaginação dos homens) condenam os seres a tapar o corpo ou os cabelos, como se fosse algo  vergonhoso ? Temos que esconder o sexo e a alma, pregando-se em contrapartida a doutrina da verdade, numa ambivalência obtusa e desconcertante. O corpo, os sentidos, a matéria são imperfeições a esconder, como se de algo vergonhoso se tratasse pois, suscitam ou podem suscitar desejo, incorrendo-se nesse caso em pecado. Admitir isto, significa corroborar que somos uma criação defeituosa de Deus. Fazem então sentido as nossas questões iniciais.



Spirit of the Water

I emerge

 

Sunset in a tower

Sunset in a tower

 

The fisherman

 

Watch in silence

Como diria Umberto Eco



"As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal à coletividade. Diziam-lhes imediatamente para calar a boca, enquanto hoje eles têm o mesmo direito à palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis." 

"O drama da internet (corrigiria para redes sociais) é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade."


sexta-feira, 5 de maio de 2023

Who are you ?


Yes you are a rare inteligence. Nevertheless you are not necessary according to current and ancient theories. So, in fact, you might be dismissable and in fact you're not. Of course you're the center of politycal consern. Are you ? Of course you're not. First, it's money the big elector. First money, then the rest. So it is. The only concern is you. What do you think about it ?And what about if it rains?
About that I'm really not sure.