sábado, 21 de dezembro de 2013

O REGADOR DO AMOR

«O que alimenta o amor não é a vontade que falta muitas vezes. Por questões de interesse ou de vontade mantem-se uma prisão a funcionar muitas vezes. A separação e o divórcio não são dois corvos agoirentos. São duas soluções humanas, muitas vezes meritórias e quase sempre benignas mas que estão fora do alcance de qualquer deus. O amor? Esse...É uma carta fechada. Pode durar apenas, o tempo de se recuperar da surpresa. Se o amor dependesse da vontade estaríamos tramados, como quase sempre o estamos noutros capítulos da nossa vida. A tenacidade pode ser uma virtude como igualmente o nosso pior defeito. Mas isso não é amor. O verdadeiro amor vive mais da compreensão e da abnegação do que do regador de qualquer pseudo-jardineiro de corações. Mas, o amor tem uma coisa boa. Não é eterno, nem é dever, nem é obrigação. É bem querer sem mais rodeios e pode não durar mais que uma madrugada ou prolongar-se, até, uma vida inteira.» [noético-20/12/2013]

ODEIO O MEU ANIVERSÁRIO



«Odeio o meu aniversário. Não por que tenha receio de envelhecer. É claro que qualquer psiquiatra de olho apurado diria, de imediato, se o diz, é por que é importante para si, tanto que o menciona. Mas, deixemos esses especialistas pensarem o que quiserem e atribuírem a importância que os manuais pelos quais aprenderam assim lhes ensinaram. Claro que não tem mal, nem bem, um aniversário. Sou ateu, penso que sobre o bem e o mal não tenho que me pronunciar. Muitos dirão, que grande disparate. Apenas lhes responderei para pensarem o que quiserem. A sua verdade não é a minha, nem tem de ser. Sinto que este é o dia ideal para o passar inebriado, alheio a elogios e gente que se lembra de nós. Os amigos, pretendem, cheios de boas intenções, homenagear-nos. Os indiferentes acham piada por que se lembram da data em que são eles os protagonistas. Odeio, portanto, protagonismos. Odeio simplesmente o disparate de celebrar esta data. Só se nasce uma vez, num dia, o tal, que já foi. Não se nasce em mais nenhum. Acabamos por ter que celebrar o que os outros celebram, diz-se, por respeito, por amor, por amizade, mas, tudo, não passa de um embuste. Mas nós queremos festa, pensarão. E se o aniversariante não o quiser? E ainda chamam eles a isto amor, amizade e outras quejandas coisas, ditas, bonitas. Enfim! Se não celebramos com eles, ou antes, se não lhes damos uma oportunidade de fuga às suas tristes vidas, vendo na nossa uma oportunidade de quebrar a rotina e se entregarem ao deboche amoroso ou amistoso, sentem-se ofendidos e acham-nos as pessoas mais tristes à face do planeta. Pobres coitados. Como foi possível chegarem tão baixo na escala do pensamento e serem tão adestrados nos seus sentimentos? Prefiro quem me chame filho da puta. Estou ciente que a minha mãe nunca o foi, mas penso que só uma pessoa com mente de chulo consegue acusar quem realmente o é. Afinal a vida, não é vida nenhuma. Trata-se de uma representação pautada pelos valores, tradições e fantasias de que nos tornamos escravos. Somos escravos dos nossos pensamentos quando nos entregamos a eles. Não. Não temo dizer isto e muito mais, se necessário. Choque ou não choque. Agrade ou não agrade. É-me absolutamente indiferente. O social é um conceito que deveria ser melhor analisado. Todos o tomam como uma verdade pré-construída, prontinha a ser usada ou então, talvez, como uma confluência de tradições e rituais momentâneos, autênticos produtos do supermercado das vaidades, que se engalanam para fazer festa. Alguns, até, tem medo que a História se desvaneça por que não se seguem as tradições, os rituais. Perdem-se, sem as pistas pelas quais parece sempre mais fácil caminhar. Perdemo-nos, acuso-me! Também eu fui assim ensinado, educado, amestrado, domesticado. Sou um bom rapaz! Ui…Que magnânima satisfação. Que maravilha! Deverei ficar deslumbrado? Não! Maravilha? Quando as encontro, gozo-as como qualquer outro. Quando as encontram por mim, parece que não têm o mesmo gozo. Por que será? Simples. Cada um vive a sua própria vida e só a si deve as derradeiras explicações, se é que as deve alguma vez!? Se notarem bem, toda a tradição cristã subjaz a este texto. O êxtase, o sacrifício, o juízo final, a vida e a morte, etc. A filosofia parece cativa da metafísica e da teologia. Ainda não a largou. É apenas uma jovem à espera de sair da toca. Também não é fácil entrar num mundo que já há muito começou e que se gaba disso mesmo. Que faz jus a uma História, como se realmente existisse algum parentesco com os mortos e uma responsabilidade futura com outros que hão de vir à face do Planeta. Esta lógica da continuidade é aviltante. A moral, sempre o recomendou, sempre dela falou. Os homens seguem-na de mentes fechadas, sem sequer refletirem. Sigamos os trilhos, limitam-se a dizer para consigo próprios. Quando reflectem, fazem-no sempre dentro das suas molduras habituais, costumeiras consumidos pelas teias de aranha do tempo, como se não existissem diferentes tempos, entre os quais, os de cada um, bem mais significativos e bem mais reais que qualquer ciência, metafísica, teologia ou filosofia. Surgem-me espectros de gente viva a toda a hora. Perdoa-se-lhes a outrora inocência, a actual ignorância, mas sobretudo a ausência de coragem de se exporem como são e de se arriscarem a não correr risco nenhum uma vez que é a si que descobrem. E viver com isso, com o que se é, parece tão desconfortável. Não. Não é mesmo nada disso. É muito pior nunca se ter sido do que ter uma filosofia de cartilha prontinha a desbobinar da boca para fora. Mas alguém nunca terá sido ? Têm razão. Existe uma cartilha, um livro, um logos, um centro, uma pauta. E muitos são fieis a ela e assim toleram melhor, dizem, as agruras da vida. Vivem segundo personagens e procurando ser as personagens de um Livro, como se de um ato animista se tratasse. Ah, já agora os psicólogos colocam o animismo no fim da linha, na infância. Caramba! Mas, então, a infância não é sagrada? Parece que se diz dela o que se quer, conforme convém. Ora é boa, ora é cruel, ora é inocente, ora é perversa. As crianças servem para todas estas formas de ambivalência dos pseudo-adultos dos sete costados. Não interessa se a minha razão impera. É apenas uma razão que se rebela contra o império a que chamam da razão. E no entanto, não se consegue fugir ao racional, a parte de nós que ajuiza, analisa, julga, valoriza, critica. Que belo instrumento de cinzelar o sílex da nossa vida. Que maravilha de bisturi simbólico que escarafuncha tudo e tudo remexe como se fosse único, senhor e proprietário. Quem nos terá ensinado esta parvoíce toda? Somos vivos por que usamos instrumentos? Lamento. Estou em profundo desacordo. Também eu sei partir a pedra, contar os números, esse novíssimo modelo da tecnologia mental moderna. Mas sabem uma coisa, essa história parece mal contada. E sabem porquê ? Por que atrás de um número apenas pode existir outro número. Ou seja, a matemática, peca pela circularidade. Ahahah…Não me vou alongar mais. O resto, espero que reste muito a todos. A mim  não resta nada, pois não sou matemático e não costumo usar essa linguagem. Não divido, nem subtraio, não adiciono, nem conto. Divirtam-se, como eu me diverti a escrever este texto de parabéns a ninguém.» [noético-21/12/2013]

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

VIVER

npa@2013
«Sinto este prazer infantil de te admirar. É como se o refluxo do tempo me fizesse retornar a esta mesma praia em que as horas se enfeitiçaram pelos raios de Sol. Sinto este respirar de coisas vivas...Viver é isto...Sente-se como se fosse um espaço tingido por aguarelas que escorrem, como a frescura das imagens, soltando-se dos teus cabelos...Não sei o que é a beleza. Nunca soube o que era belo, e, no entanto, achei sempre a beleza, em cada seixo, em cada folha, em cada nuvem... O meu olhar timidamente respira, respira...Não é fôlego nenhum...O belo não se agarra...É algo que nos cerca, que nos desliga e apaixona...É como o ar passar a ter sabor, como descobrir uma pedra por detrás da transparência da água que brota de uma nascente. E nesse preciso instante, passado e futuro fundem-se num ponto sem referência, unindo-se num plano sem espectador. Traços de amarelo misturam-se com flocos de vermelho sob a orbe azul celeste, e toda esta alva tela se enche de cor...Respira...Sente...Aprecia...Avança e recua. Esta, é a viagem. Vive.»
[noético-03/11/2013]


UM MUNDO DE BICHAROCOS


«Tenho a nítida sensação de que muitos destes tipos não dormem bem. Sou um alien observando do espaço. A artificial luz só se aguenta através de antidepressivos, as «benze» e «dia», «Zé», «pinas», todas. Força nisso, caramelos! Força! Ingiram biliões de sonoríferos para não tomarem em conta o que vos sustém vivos enquanto tratam da vossa vidinha "pessoal". Espero que nunca acordem. Assim, deixarão de temer a noite, as trevas, o vosso outro lado, o poente! Durmam criancinhas, durmam...O Natal está para aí a chegar para mais uma festinha de dervishes...Como é que a Terra possui criaturas tão mesquinhas ?...»
[noético-05/12/2013]



Photo: ESA astronaut Luca Parmitano took this photo of the Mediterranean and the star cluster Pleiades as seen from the International Space Station in this cool space wallpaper. "The Mediterranean, the Pleiades and a storm in the distance," he Tweeted on July 29, 2013. 



15 MINUTOS DE DEVANEIO...

"And as the Wizard watered the beautiful woman she
 grew branches and leaves out of her head."


«Dali, avisou-nos disto tudo. Vivemos numa era em que o excêntrico é o luminoso. Há que dar oportunidade a qualquer aberração. Sem limite...Só há este limite de não se limitar. Vale tudo...A arte de Dali já ironizava com isto tudo, que hoje, surge como exótico, surreal, desarrumado, seja o que for...O Desalinho da loucura/cultura individualista. Dali, já o sentia e exprimia. O génio antecipava-se. Agora só resta transplantar os cornos de um boi para uma galinha e expô-la num órgão de comunicação social...Belo, dirão! Genial, outros, exultarão. Mas, de nada disso se trata. Há muito que a arte se adianta como vanguarda da crítica, do poder e do viver. Há muito que Dali poderia ter sido esquecido se ele não dominasse a vidência da arte do tempo. Eis, pois aqui, Dali surreal e irónico, diria antes, icónico, satirizando a ciclicidade dos pseudo-renascimentos humanos. Ou deveria antes dizer, jocozamente parodiando a histeria das reencarnações ?...E tudo com um toque de moderna jardinagem.»
[noético-05/12/2013]

CALÇO OU DESCALÇO ?




Vincent van Gogh, "Un paio di scarpe"




      

«Tenho a impressão que estas botas me servem. Não temo a miséria, pois, o que é isso da miséria ?...Também não me condôo se um dia descobrir o meu pé descalço. Sonhar com sapatos de veludo não faz parte da minha marcha. A distinção, rico ou pobre tem provocado maior desumanidade do que fraternidade. Van Gogh pintou um objecto comum, assim, como o é, a vida de cada um. Pensar em miséria faz-me avançar até à morte, facto, perante o qual, somos todos miseráveis. Chegaremos todos lá, descalços e desnudos. Claro, que nos podem cobrir de mil e um artifícios, como a arte e manha humanas tão bem sabem fazer, para disfarçar a solenidade do momento... Tenho a impressão de que este é o meu calçado... Mas, tantas vezes prefiro andar descalço que, por vezes, já nem sinto a necessidade dele. Não preciso de botas para dormir. Não faço amor de botas. Não me banho com botas. Até fico sem calçado nas palavras...»
[noético-04/12/2013]

sábado, 30 de novembro de 2013

ESTA DESCRENÇA NO HUMANO JÁ CHATEIA !

Ian Gamache - Going Inside
«O Ateísmo é a descrença em qualquer deus. Mais, é a assunção de que nada tem a ver com qualquer ser superior. Nem deus, nem papa, ayatolah, guru, rabino, etc. Ateísmo é a descrença na existência de seja o que for de sobrenatural, no natural. É por isso que não sou panteísta sequer. Não creio em nada dessas teorias, pregadas por homens-hienas, que proclamam, os escravos na Terra e os salvadores noutro mundo, paradisíaco, ou que, para amarem este mundo e os homens, tem de divinizar outro, ou tudo quanto os rodeia. A questão que lhes coloco é a seguinte; quando é que começam a acreditar no Homem ?... Já chega da vossa descrença ou da necessidade de uma força ou energia protectora, vinda sempre, do invisível presente... Já chega de alucinação. E desenganem-se todos esses tolos que, dizem que sem tudo isso, não se pode desejar o bem. Desenganem-se aqueles que afirmam, que sem se crer em deus, se é mais pobre. Por crer numa fantasia é-se mais rico ? Mas é ser-se rico que se pretende ? Para onde se levará essa riqueza toda ? A falsidade e o despeito falam pela boca de todos esses promotores, desse sempre além fronteiras, desse nada, que adultera toda a condição humana.» [noético-28/11/2013]

A POESIA SEM PALAVRAS

Angel Gherghelas
«E se fosse poético não ter o dom das palavras e possuir na mesma os poemas ? Terá sido a Natureza injusta para com quem não nasceu com essa faculdade ? É que por vezes, parece...Só encontramos poesia em quem tem o dom da palavra e a usa com beleza e mestria, e todas as outras vozes se apagam, ou ficam obscuramente silenciadas, como se, cessassem de existir. Não haverá, também nisto, uma certa cegueira naquilo que apreciamos ? Por vezes, sinto-me tão impotente perante as palavras que me traduzem, que fico em guerra com elas. Se, não me esforçasse por traduzir, o que sinto e penso, em palavras, restaria muito mais tranquilo. Serão as palavras uma forma de desejar transgredir o que pensamos ou sentimos, na medida em que, pretendemos transmitir tudo isso ? Sim! Estou em silêncio, mas aqui falo, escrevo, o que nenhuma palavra é capaz de confessar. É uma espécie de silêncio ruidoso, esta escrita incompleta e talvez infundada, pois, não atinge os seus desígnios. Uma espécie de escrita, ou poema falhado...Falhado ? Não! O meu ser está repleto de poesia, mas...Não há palavras que o expressem. Felizmente, a comunicação humana, não se esgota nas palavras, nem até mesmo a poesia. Poderá existir beleza em transmissões falhadas...Em silêncios...E até nas supostas formas rudes e incompletas da comunicação. Não tens de concordar com o que, agora, te disse... Mas, pelo menos espero que te faça repensar o modo como encaras a beleza, a forma, a expressão...»
[noético-30/11/2013]



DA DISCUSSÃO RARAMENTE NASCE A LUZ

«Existe um mito muito difundido cuja expressão é a seguinte: 'Da discussão nasce a luz'. Pois bem, existem múltiplos casos em que discutir não conduz a nada, nem sequer à eliminação dos argumentos de cada interveniente. E existem tantas, tantas situações, em que se discute até aos limites do absurdo, sem se encontrar qualquer partícula de luz... Diz-se então, cada elemento da discussão, pode pelo menos testar os seus argumentos e compreender que, afinal, não existe contraditório lógico e consistente que os derrube. Foi então, testado, e cresceu em cada um, a sua convicção. E se todos os convictos estiverem profundamente errados ? É o número que valida esses argumentos ? É a qualidade de resolver problemas que decide em última instância ? A vida é apenas uma questão de resolução de problemas ou de testar teses ? Pois eu, penso que não. Nos sentimentos, nas emoções e nos pensamentos, estamos sempre prontos a tomar a parte pelo todo e o todo pela parte. É falacioso. No entanto, é o que impera. Por vezes a urgência liquida qualquer bom argumento, ou solução, fora de tempo. Pois é, existe o tempo. Mas, vejamos antes o lado positivo da questão... Sem discussão não é possível chegar a uma boa solução. Verdade ? Falso! Nem sequer me vou estender a demonstar o quão errado mais esta sentença é. Este não é o lugar...Ah! Também existe o lugar! Pois é...E muito mais haverá a dizer sobre isto. Não irei esgotar, nem sequer o conseguiria, mas, duvido que mesmo todos juntos, o conseguissemos esgotar, apesar, da paridade ou imparidade dos nossos argumentos.» [noético-30/11/2013]


JOY DE VIVRE

Foto: npa@2013 - Sintra - Portugal
«I guess I'll not sit around and take a picture. I'll put aside my camera and simply enjoy the view. All sudden, soon  I'll start to confront those images that become to my eyes with every distinct thought that occurs on my mind even if they are not related anyhow.»
[noético-30/11/2013]












TRANSMIGRAÇÃO

Foto: Porto - [AEP]
«Como posso eu dar-te, o que não sei de mim? Tu, pedes-me, e eu rasgo-me todo, com violência, numa busca sem fim...Que procuro, não sei ?... Se for ao encontro da tua minha imagem, acabarei por reconhecer que me despedaçarei. Por isso, não vou. Não vou, nem encontrarei. Mas, depois, tu bem o saberás, como o lamentarei... Sair de mim, para ti, é a loucura. Não posso estar certo de que estou são, mas sigo as batidas deste meu coração, em alvoroço, possuído pela paixão. Todo o criar é transgressão, e o sofrer é o imenso deserto da decepção. Não sei por onde ir, se por aqui, ou antes, se por ali? Andar nisto uma vida inteira é uma agonia. Nem tu sabes, se bem, eu te faria. Por isso, não ligues. Não te exponhas. Guarda em silêncio a vida que a mim, te traz, e eu guardarei em mim, a vida que a ti, me leva.» [noético-30/11/2013]

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

EM PÉ DE GUERRA

«Estes estupores que nos governam, são giros a valer! Provas para professores contratados (no desemprego, ou até já sem trabalho, casa, subsídio, etc.) pagas pelos próprios, são um verdadeiro convite a alimentar este monstro, que nos devora a cada minuto com manigâncias, esquemas corruptos, taxas, impostos e outras artes de extorquir, arrancando-nos a ferro e fogo qualquer vintém ganho com suor, trabalho ou imaginação árdua. Então por que é que os professores do quadro não prestam provas também ? O princípio da igualdade, consagrado na Constituição ? Não! São igualmente um convite à violência. Sim! Um convite à VIOLÊNCIA!...Perder a calma ? Estado de Direito ? Mas qual Estado de Direito ? Desobediência civil, já!!!...Querem saber ?... Durante anos cidadãos que adquiriram casas junto à orla costeira pagaram tudo o que tinham a pagar de licenças, de taxas, de impostos municipais e por aí fora. Estava e está tudo legal. Até existem cadernetas prediais, registos nas conservatórias, etc. A Lei, diz-se, neste País, governado por MALANDROS, que é ou deve ser universal. Pois é...Isso significa que é igual para todos. Mas será ? Pelos vistos parece que não. Vai entrar em vigor em 2014 uma Lei 54/2005 (notem bem, em 2014) que regula as propriedades localizadas a menos de 50m da orla marítima. O que se exige ? Que os proprietários tenham de provar que as suas propriedades já eram de uso privado antes do ano de 1864. Repito, 1864! Nem ainda a República existia. São as chamadas Leis retroactivas...Mais uns anos e pediam documentos do tempo do terramoto de 1755. Ahahahah. Leis que mudam ao deus dará, 'tendem', como agora está na gíria dizer, pois parece bem, a ser universais...Ahahahah. Desculpem-me, mas isto é, parece-me, uma autêntica brincadeira... Só que a brincadeira tem limites. Pelo menos para mim.  O que pode acontecer, se os proprietários não encontrarem a agulha num palheiro ? Acham que vão demolir as casas de toda a orla costeira portuguesa ? Não. Há marinas projectadas, campos de golfe, etc, e com elas a expectativa da chegada de muitos barcos, de gente com muito dinheiro. Seguir-se-lhes-ão, os empreendimentos de luxo, os condomínios para gente rica e as negociatas chorudas. Pois é! É isso mesmo. Por que os proprietários que não o provarem serão expropriados, perdarão o direito de herança ou passarão a pagar rendas ao Estado/Municípios (ainda não é claro). Chega de anormais a brincar com a vida das pessoas. Depois, querem que permaneçamos tranquilamente em casa a ver desfilar um Estado que nada tem de Direito senão a corrupção e o compadrio. Universal ? O caraças!!! E acham que é assim que vamos a algum lado ? Ainda hoje, se fizeram contas aos ganhos com os cortes de pensões que aí estão para chegar e aos ganhos das maiores fortunas (os únicos empreendedores e exportadores deste país, pelos vistos). O saldo ? Meus amigos...Meus amigos...Nem brinquem. Todos já sabemos sobre quem recaem os sacrifícios e em quem eles os (Governantes) nunca tocam, por que foi o dinheiro das grandes empresas que lhes pagou as campanhas eleitorais. Depois, querem que a gente ainda acredite nesta treta de Constituição, nesta miséria de legislação que os cidadãos durante anos cumpriram e cumprem, para que de um dia para outro, uns labregos sem dignidade (pois não merecem outro nome) revoguem tudo? Isto, não é um desabafo! É uma posição política. E cuidado...É um aviso...Claro que é! Um aviso que as leis não são para respeitar por que são os próprios legisladores a desrespeitarem a Lei, conforme lhes é favorável ou não. Por isso, por que havemos nós de respeitá-la ? Para quê levar com estas coisas ? Incitação à violência ? Não! se quiserem também ficar com a minha casa, garanto que não a encontrarão de pé! Querem gente mansa ? Comigo não contem mais!»
[noético-27/11/2013]

UM FARDO CHEIO DE NADA

«Não te sei dizer...Carregas contigo os teus projectos que parecem mais pesados que o chumbo...Ah!...É a responsabilidade, essa flecha que parece a espada de Dâmocles, sempre pendente sobre a tua virtude ética de procurares a perfeição a máxima eficiência... Compreendo, mas não comungo dessa hóstia (vítima) misteriosa que te presta socorro por trazer-te alento e te deixa penar...Oh, como te leio, nesses magníficos e despertos olhos...Nem imaginas por onde me fazes navegar...E é afinal tudo tão simples. Mas o tempo intromete-se e pede-te que não te esgotes e que não te entregues ao momento...E, transforma-se em solenidade, o adiar... É óbvio que não se vive apenas do momento, senão o que seria dos teus projectos ? Um projecto é um objectivo a cumprir, uma missão, uma entrega a um processo de edificar...Sei de tudo isso. O que me cansa é que se perde a vida nisso tudo...E não existe nenhum depois... Os prémios são tão vãos que por vezes até me apetece implorar-te para parares...A simples palavra prémio arrepia-me, causa-me náuseas! Não se vive para prémios ou vive-se ? Se, se vive, então eu não vivo para o viver do mesmo modo. Houve tempo em que lamentaria tudo isso. Hoje, já quase nada me causa honra ou remorso. Mas, continuo sem te entender, ou faço por isso...Procuro não te entender para não me fascinar por tão radical empreendimento que tu levas avante como se de tudo se tratasse. Há muito que todos os meus sonhos faliram. Não deixei de os ter...Simplesmente deixei de os imaginar...E vejo-te ou rejubilante ou falida a horas diferentes do dia, do mês, da semana, do ano...E queres que te ame como se de uma maré se tratasse ?...Não, não tomo banhos nesse mar.» [noético-26/11/2013]

THE KEY OR NOT THE KEY ?



«If a key opens one door you'll never think that it will open all the doors. If that key opens also a lot of other doors you'll soon reach to a point where you begin to wonder if it won't open any door. Moved by the sudden magical power of that key it is easy to fall in a big mistake. To consider that that key is universal. Induction leads us to these kind of conjectures. Though it's natural and common it may reveal to be a wrong way to take. So easiness or the raisor of Ockham don't result to everything we would like to. Keep it in mind.» [noético-21/11/2013]

FOUR SIDES

«I have at least four sides of me to deal with. The brighter, the bright, the shadow and the shadowest side. Whatever is my present side it isn't more or less true than the others. I suppose you'll have that in mind when you start to judge me...or...perhaps not ?...» [noético-21/11/2013]

A FUGA DA IMAGEM

«Quem eu amo não me ama, parece-se com a minha imagem do espelho que não se revê em mim. É engraçada esta ideia do outro de nós que nos fita sem nos reconhecer. Poderia ser uma catástrofe mas acaba por ser curioso. De um lado há riso, do outro, dor. A meio, as meias faces diluem-se num plano de fuga que se escapa à admiração ou repulsão mútua. Se este espelho se partir não se passará a viver apenas do azar...Amar o que queremos que seja apenas nos torna mais egoístas e alheios à diferença que medra em todos nós.» [noético-27/11/2013]

sábado, 23 de novembro de 2013

SE VIVESSES SÓ DE IMAGENS

«Quando perderes, ou se perderes a visão, as palavras, talvez passem a ter outras dimensões...» [noético-23/11/2013]

A MINHA LISTA DE AGRADECIMENTOS

«Já pensaste no alcance destas palavras?...Muito obrigado! A quem tu agradecerias?...Eu, já fiz esse exercício.»[noético-23/11/2013]

O OLHO QUE CHORA

«A hora de chorar há-de chegar. Comovidos, parecer-nos-emos com anjos convertidos à humana condição que renegamos, embora todos abertamente o confessemos ser. Deve ser por isso que eu chorarei só por um olho. O outro, coitado, há muito que cegou! É também aquele que me preocupo mais em preservar...» [noético-23/11/2013]

O CIENTISTA DESGOVERNADO

«O cientista desgovernado poderia começar por ser um óptimo título de um romance. Na realidade, poucos ou quase nenhum cientista se deixa tomar pelo seu entusiasmo sem tomar em consideração a tábua dos mandamentos da investigação científica. Os cânones são para seguir e respeitar. E, muito bem. Mas, imaginemos que todos seguem esse percurso e que a natureza não funciona segundo esses procedimentos discutidos e sedimentados ao longo dos séculos, e resolve mostrar mais uma diferente forma de ser desconhecida até hoje. Muito gratos ficariam aqueles para quem a imediata resposta seria, a de que se trataria de mais um desígnio de Deus. Infelizmente poder-se-ia ripostar-lhes que, a ser assim de facto, então Deus nunca tinha explicado nada aos homens sapientes e se limitaria a brincar com a curiosidade e vida humanas como se de um brinquedo se tratasse. Um ser muito jocoso para não dizer impiedoso. Na verdade, Deus nunca assistiu ninguém nas suas vidas, explicações ou previsões. Deve temer ser humano, e isso, nos basta. Não precisamos de Deus para nada, nem mesmo, para nos enganarmos em termos de ciência. Deveria constituir para nós todos orgulho que os cientistas se enganem, que caminhem à deriva num Universo, que é desgovernado. A menos que Deus nos ande apenas a pregar partidas. Neste cenário o título do romance teria toda a sua pertinência. O que achas?...» [noético-23/11/2013]

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A VIRTUDE DOS INSENSATOS

«Por momentos, estremeci. Julguei-me senhor da descoberta... Fugitivo da incerteza que procurava habitar-me. Não era o tempo que se escondia nos quadros desertos que pintava. A luz, criava contornos e bonecos que eu recortava como figuras de papel, feliz com o domínio das minhas mãos calejadas pela frenética voracidade de viver que não me abandonava. As palavras atapetavam o caminho, semeadas como relva entre jazidas que a chuva sorvia nas enxurradas. Sonhava com poetas todos os dias. Via na poesia o alcance lacustre das paliçadas erigidas de encontro aos astros. Poemas eram histórias. Lugares habitados nos interstícios dos versos. E compreendia, reflectia e analisava. Sentia e imaginava que com aquelas minúsculas pedras criava. A solidão era estar contigo e só sobrar o silêncio numa guerra surda de almas, que ao embaterem nas folhas secas ecoavam próximas como peúgadas. Ruídos, silêncios, murmúrios de maquinaria numa azáfama fabril produtora de espectros. Oh, como eu morria!...Morria enfastiado da orgia que os sentidos plagiavam da natureza...Vivia suspenso por um verso da tua pena...Vivia com a vida que me abandonava. E a minha alma, essa fantasia diletante que jamais me esmorecia, fazia. Fazia, fazia, fazia suspirando por vitórias e bravatas que despedaçavam os sonhos em utopias e quimeras. Ah... A alma é nada, mas veste-se com as cores das palavras coroando-se com a virtude dos insensatos. Mas...Depois disso, não há mais nada. Ou haverá ?...» [noético-26/10/2013]

NÃO DIZENDO NADA...

«Escarnecemos do silêncio. Achamo-lo vazio, insignificante, inoportuno, quase sempre indesejável. Mas, não poderíamos estar mais equivocados. Pensamos sempre que as palavras é que nos servirão de redenção. Que todos os desertos têm de ser povoados. Mas, encontramo-nos de novo enganados. Não sei o que nos move a tal...Muitas razões valeriam para o abafar. Certo é, que por momentos também o consideramos absolutamente necessário, indispensável. E eu tenho tantos silêncios para te dizer que nunca caberiam em quaisquer palavras...Nenhuma matemática falaria pelo não enunciável. Não sei se me entendes?» [noético-30/10/2013]


AMOR DE ALGODÃO

«Pouco me importa o que pensas ou sentes se dirigidos a mim. Amar-te em nada depende disso. Amar-me também não. Temos ainda a noção errada de que amar é apenas cuidar, fazer crescer, devotar atenção...E já não somos pequeninos embora adoremos representá-lo como verdadeiros palhaços chorões no meio de um circo. Hoje, agora, não tenho, não devo, não tenho que dizer nem não, nem sim, nem sequer o talvez, que não sinto. Tu vês-te assim livre das minhas pedras e areias desérticas e eu das tuas pétalas e espinhos. Plenos da distância dos afectos, espreguiçar-nos-emos ao amanhecer de olhos tingidos pelo algodão dos sonhos.» 
[noético-02/11/2013]


TRANSFIGURAÇÃO

Ramos_The-Transfiguration-of-Galatea
«Tomei a forma do teu lamento e fiz dele o meu tormento. Que acharias se fizesse o contrário?» 
[noético-11/11/2013]

O CERCO DO AMOR

«Não estou arrependido de nenhum Amor. Também não posso sentir remorsos de quando não existiu Amor, por que em verdade, se não chegou a haver Amor, nada há para sentir desse modo. Os arrependimentos só atrapalham. Queremos seguir, caminhar diferente e, caímos nessa cilada. Por que será que temos que nos certificar tantas vezes dos nossos passos ? Por que os temos sempre que classificar, qualificar ou o inverso ? O Amor para muitos é uma invenção quase literária, mas para quase todos é uma representação simbólica do sentir e agir de certo modo, aglutinado num conceito afim de ser comunicável e/ou justificável. Sim. Justificável. Na verdade adoramos relatar os nossos Amores ainda que suprimindo os detalhes. Sentimos que atingidos pela cupidez, entramos ou estamos ou estaremos em estado de graça. O grande Amor é o incontido, o inenarrável, o inexprimível, o irresumível. O grande, nestes casos é o que vivifica e transborda. Alguns preferem dizer que os transcende. Todas as possessões reflectem esta ideia. O que nos possui parece transcender-nos, mas, apenas por que temos todo o nosso ser ocupado com esse sentimento. Incapazes de sair desse estado de fechamento que nos surge como forma de abertura para qualquer lado, todos os nossos caminhos estão cercados!»
[noético-18/11/2013]

BOTH SIDES NOW

«Não me consta que só os prazeres momentâneos causem inconvenientes. E também não me consta que o sofrimento seja um mal ou a amputação do existir ou sequer o causador de incerteza num destino que todos sabemos ser certo. Viver sem sofrer seria o equivalente a estar morto. Relativizar o sofrimento e o prazer, reflectindo, parece ser a proposta do Camilo. Mas será isso exequível ? A temperança é uma dessas formas possíveis de viver de acordo com certas sensibilidades que por não serem as únicas, não se podem arvorar enquanto tal. Viver na «mediana» é uma proposta para a existência. Existem outras que apontam para a «radicalidade» e ainda outras tantas mais. No entanto, parece-me que nenhuma delas leva a melhor quando se trata de adquirir um passaporte para a felicidade.» 
[noético-19/11/2013]


OS VILÕES E OS SENHORES

«As democracias modernas são ainda muito jovens. Os credos são já anciãos mas as evangelizações e as cruzadas prosseguem. Papados, reinados, ducados e condados continuam a proliferar como outrora embora com outros nomes. A plebe continua a ser a plebe, não decide nada quando se joga ao jogo e no tabuleiro dos cavaleiros-guerreiros-religiosos-banqueiros. A separação de poderes é um logro para os que ficam na base da pirâmide a esperar pelo céu e a sonhar com castelos e cavalos a motor...Esta Europa cheira a môfo e os seus cruzados levantam uma poeirada enorme debaixo dos cascos das suas montadas. Abram alas e deixem passar,acontecer... Cada Estado Nação é um burgo. Avé César. E que me perdoem os Romanos... Avé queridos Duques e Condes de Bruxelas. Avé Papado de Roma. Que se conspurque e confunda a plebe. Mande-se os vilões trabalhar pois deles será o reino dos céus... A república é um embuste e todo este estado de coisas a que se chegou parece um romance quixotesco, uma verdadeira novela de cavalaria fotocopiada de um passado ainda não tão distante como alguns querem fazer parecer. O medieval está vivo e bem vivo, por todo o lado.» 
[noético-20/11/2013]

A RANHURA

«Por agora vou-me remeter à vida sem complicações metafísicas ou folclores de máscara. A carne e o osso é que são a estrutura que me tornam bípede. A mente consciente é apenas uma ínfima partícula no cosmos do meu corpo que passa ao lado de quase tudo, um minúsculo postigo por onde se entrevêem apenas contidos rasgos de um horizonte muito mais vasto.» 
                                                                              [noético-20/11/2013]

terça-feira, 22 de outubro de 2013

IDEIAS PEREGRINAS


«Por muitos países e lugares deste mundo uma ideia comum ganha terreno. Trata-se da ideia peregrina de que se é o que se faz. De facto todos nós concordamos que somos um pouco do que fazemos também. Mas por que é que não somos na totalidade ? Já experimentaram perguntar a uma pessoa desempregada o que ela é se não faz nada? Mas é claro que ela faz muitas mais coisas do que a simples profissão que não tem. E mantem na mesma a sua dignidade enquanto pessoa que tem inteligência, emoções, gostos próprios, ideias políticas, crenças, humores, vontade autónoma, interesses e muito mais. Portanto, nem a pessoa é a profissão nem é a profissão que confere dignidade às pessoas, nem as pessoas deixam de ser gente humana e capaz apenas por que não têm trabalho. A propósito...Sabes a partir de quê me surgiram estas ideias? Eu conto-te. Foi quando conheci recentemente um jovem cirurgião alemão de trinta anos e que se sentia oprimido porque acreditava que só era gente enquanto trabalhava. E assim vai a Europa dos idiotas meu caro!»
                                                                                                                               [noético-30/09/2013]

SINTONIA

The Healer - David Ho
«Todos os dias se seguem uns aos outros, uns por arrojo, outros por arrasto, e ainda outros, por desgosto. Sem ti não sou, mas sem ti não seria, o que sou é uma polifonia. Sonhos, desejos, abraços e uma melancólica alegria ao entardecer do dia. Não te espero e tu não vens como se estivessemos em sintonia.» 
                                                                     [noético-14/10/2013]

ATEÍSMO I


Labirinto da Catedral de Chartres
«A universalidade do sentimento religioso no comportamento humano não prova nada sobre a existência de algum deus. Aliás, prova antes, que somos demasiado propensos a crer em vez de pensar e construir razões que justifiquem os factos e demonstrem a sua veracidade. O medo e a ignorância são tanto bons aliados dos políticos como o são das crenças e superstições religiosas. Quando não se conhece algo atribui-se a deus. Quando se conhece, continua-se a atribuir a deus. Deus serve para justificar tudo e para alimentar um séquito de sacerdotes que se arrogam o papel de condutores da massa receosa e esperançosa num devir que nunca vem e, por isso mesmo submissa e controlada, suplicante e bem comportada por que existem prémios muito maravilhosos prometidos para o final, mas que nunca chegarão a todos. Em tempos em que as coisas correm mal recorre-se ainda mais a rezas e mezinhas, a qualquer doutrina exótica que prometa redenção e salvação. E, enquanto se espera por isso, os santuários enchem-se de pequenos homenzinhos e mulherzinhas que se dizem de fé por que acreditam nas promessas de fantasmas, os deuses, tal como acreditam nas promessas de quem os governa. Aliás, como o prémio é ainda maior no outro mundo, na outra vida, até acreditam ainda mais no céu do que nos governantes que são homens. Se o líder erra é ele o responsável pelo rebanho de alminhas de gente infantil que se perde.Critica-se nos jovens a fantasia, o irrealismo e o vício dos jogos mas os pseudo-adultos comportam-se como se jogassem ao destino com o céu, sempre esperando vencer este jogo de Playstation Existencial e obter o bónus final. Religião e ideologia são uma parelha inseparável.»
                                                                                                                               [noético-19/10/2013]

ATEÍSMO II

Exposing the Demon - David Ho
«É sempre o desprezo, a desconfiança e a descrença no que é terreno e humano que as religiões propagam que é preciso combater e afastar, pois, é isso que mais nos aparta de reconhecer o nosso semelhante.» 
                                                                             [noético-19/10/2013]

A TUA INVISIBILIDADE

Web Picnic - Nathan James
«Pára, escuta, olha. Não, não estás a ser filmada, nem observada, nem no centro do universo. Homens passam por ti e não te olham ? Deveriam ? Quando é que deixas de procurar ser o alvo das atenções e depois de te sentires vítima de não-olhado, mau-olhado e, outras vezes de assédio desmesurado? Nunca estarás bem como estás? Sabes que isso envelhece e faz adoecer. Não, não são os outros que são vesgos, míopes ou daltónicos quando tu não te sentes vista ou perscrutada. Não. Há até esses momentos deliciosos em que ninguém vê ninguém. Em que ninguém procura ninguém. E, ainda bem. Creio que vais ter que aprender a não desejar antes de tempo ou fora de tempo. Acho que ainda te falta esse pequeníssimo enorme passo.» 
                                                              [noético-21/10/2013]

CHANGE

«Change by itself is not good or bad, desirable or undesirable, needed or unneeded. It was easy to say that happiness would come if we simply adjust our inner clocks to the outside world rythms, but that would be a fake answer. Some times adaptation involves non adjustments to the environment. To be aware of this is very important because if you find yourself in a counter cycle you may well release your pain and still live well adapted. If you can not release your pain it is fine the same way. Pain as pleasure makes part of the nature we live things. I'm glad and pleased to feel both each one at its own time and turn.»
[noético-21/10/2013]








sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O JARDIM

«Amar um jardim não é pisar as suas flores nem colhê-las a todas por que se tem de caminhar através delas para as poder regar. No amor não existem flores eleitas. É por isso que a poetisa dizia que o amor não é de ninguém. E é também por isso que é tão dificil amar verdadeiramente.Ahahah...Hoje deu-me uma de jardinagem.» 

[noético-16/10/2013]

A MÁSCARA

«Não percebo. Não percebo por que te mascaras a todo o tempo. Depois ainda dizes que o tempo te foge... Não percebo. Não percebo. Existirão nas sombras algum medo que te persegue? Por que almejas por um mar distante e permaneces refugiada como uma pérola na sua concha perdida num tão vasto oceano? Não escutas tu das musas o pranto, essa melodiosa harmonia que atrai marinheiros de todo o canto? Não percebo o teu não querer querendo, o teu sorrir gemendo, essa liberdade que se escapa à voz e que te sustem prisioneira nesse desencanto. Não percebo. No entanto...»
                                                                                    [noético - 16/10/2013]