terça-feira, 28 de outubro de 2014

A VITÓRIA DO SUBLIME


Caspar David Friedrich - Moonrise Over the Sea
«Nas variações da vida...Entre o gôzo e o sofrimento, mas, fora dessa corrida, de gente possuída e, que, quando frustrada, se torna ressentida pelo falhanço de cada miragem ou quimera que lhes ensinaram ou que elas aprenderam a erguer... Longe, mesmo. Até parece uma forma de estar a que se poderia chamar, talvez, o realismo dos pobres. Prefiro mil vezes ser pobre que desiludido, ressentido, deserdado. Quem espera sempre alcança, não é verdade. Uns, sim. Outros, não. Mas, no percurso de cada um, avaliar vitórias ou fracassos não pode envolver comparações, pois, cada indivíduo apenas tem que viver a solidão singular da sua vida. As analogias são apenas guias, não orientações. O crú, o genuíno, o autêntico são uma perfeição, não por serem perfeitos, mas por cumprirem a sua ordem na natureza. Claro, que, os pseudo ou autênticos filósofos irão sempre dar azo às suas manias de procura de uma verdade e, provavelmente, discorrer e interrogar em que consiste a natureza. Estou habituado a esses touros que apenas imaginam investir em nome da verdade. Sim, imaginam-se os Hermes da Verdade, quais anjinhos da anunciação, quais paralíticos da sua virtuosidade que parece escapar ao mais comum de todos os comuns mortais. Enfim!...Não liguemos. Não costumo comunicar com pessoas que encontram a sua autenticidade no delírio ficional das suas imaginárias personagens idolatradas. Respeito, mas, não aceito. Pelo contrário, rejeito. Isto, tudo, porque há que encarar o agradável e viver com o quase insuportável que a nossa vida é. Não apenas a nossa. Deixemos de ser igualmente egoístas quanto à pseudo-exclusividade da nossa dor. Não basta ser consciente de que as alegrias são partilháveis. É preciso crescer e partilhar de igual modo - ou mais ou menos de modo similar -, a dor, a chatice, a preocupação, o sofrimento. Dizem, normalmente os que são verdadeiramente cretinos que o sofrimento é improdutivo e que só a alegria e a felicidade, vistas como senhoras da positividade, conseguem ser produtivas. Pois, bem, é pura mentira ou falácia. A História do Homem está repleta de vitórias do sublime humano face ao sofrimento, muito mais do que com a estupidificação massificada da alegria e dos sorrisos amarelos. E, isso, não é, nem feliz, nem infeliz, mas, simplesmente, fruto de uma natureza resiliente. Os sorrisos e os chôros vêm quando tiverem que suceder. Heróis e mártires há muitos e, disso, não vejo qualquer motivo para celebração. Afinal, estão todos mortos ou para morrer em breve como todos os 'outros' que passam por serem os desqualificados de toda uma História em que foram sempre a massa crítica anónima, a matéria prima e/ou até os principais cúmplices. Por, isso, convém ter os corações e os olhos bem mais abertos, embora, quando, estes tiverem que se fixar, dispersar, nada haverá a dizer para os elogiar ou condenar.»[noético-28/10/2014]

Sem comentários:

Enviar um comentário