«Nas variações da vida...Entre o gôzo e o sofrimento, mas, fora dessa
corrida, de gente possuída e, que, quando frustrada, se torna ressentida
pelo falhanço de cada miragem ou quimera que lhes ensinaram ou que elas
aprenderam a erguer... Longe, mesmo. Até parece uma forma de estar a
que se poderia chamar, talvez, o realismo dos pobres. Prefiro mil vezes
ser pobre que desiludido, ressentido, deserdado. Quem espera sempre
alcança, não é verdade. Uns, sim. Outros, não. Mas, no percurso
de cada um, avaliar vitórias ou fracassos não pode envolver
comparações, pois, cada indivíduo apenas tem que viver a solidão
singular da sua vida. As analogias são apenas guias, não orientações. O
crú, o genuíno, o autêntico são uma perfeição, não por serem perfeitos,
mas por cumprirem a sua ordem na natureza. Claro, que, os pseudo ou
autênticos filósofos irão sempre dar azo às suas manias de procura de
uma verdade e, provavelmente, discorrer e interrogar em que consiste a
natureza. Estou habituado a esses touros que apenas imaginam investir em
nome da verdade. Sim, imaginam-se os Hermes da Verdade, quais anjinhos
da anunciação, quais paralíticos da sua virtuosidade que parece escapar
ao mais comum de todos os comuns mortais. Enfim!...Não liguemos. Não
costumo comunicar com pessoas que encontram a sua autenticidade no
delírio ficional das suas imaginárias personagens idolatradas. Respeito,
mas, não aceito. Pelo contrário, rejeito. Isto, tudo, porque há que
encarar o agradável e viver com o quase insuportável que a nossa vida é.
Não apenas a nossa. Deixemos de ser igualmente egoístas quanto à
pseudo-exclusividade da nossa dor. Não basta ser consciente de que as
alegrias são partilháveis. É preciso crescer e partilhar de igual modo -
ou mais ou menos de modo similar -, a dor, a chatice, a preocupação, o
sofrimento. Dizem, normalmente os que são verdadeiramente cretinos que o
sofrimento é improdutivo e que só a alegria e a felicidade, vistas como
senhoras da positividade, conseguem ser produtivas. Pois, bem, é pura
mentira ou falácia. A História do Homem está repleta de vitórias do
sublime humano face ao sofrimento, muito mais do que com a estupidificação
massificada da alegria e dos sorrisos amarelos. E, isso, não é, nem feliz,
nem infeliz, mas, simplesmente, fruto de uma natureza resiliente. Os
sorrisos e os chôros vêm quando tiverem que suceder. Heróis e mártires
há muitos e, disso, não vejo qualquer motivo para celebração. Afinal,
estão todos mortos ou para morrer em breve como todos os 'outros' que
passam por serem os desqualificados de toda uma História em que foram
sempre a massa crítica anónima, a matéria prima e/ou até os principais
cúmplices. Por, isso, convém ter os corações e os olhos bem mais
abertos, embora, quando, estes tiverem que se fixar, dispersar, nada
haverá a dizer para os elogiar ou condenar.»[noético-28/10/2014]
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