«Não existem super-herois (SH) embora passemos a vida a sonhar com eles
imaginando-os os modelos em que nos pretendemos tornar. Também, as
nossas respostas resultam não só da reflexão sobre as condições actuais,
as nossas anteriores experiências, de todo o nosso conhecimento
acumulado, assim como, do conselho ou testemunho de alguém em quem
depositamos a nossa confiança. Tudo isto é questionável. Mas não vamos
por aí. (SH) podem ser santos, figurinhas de banda desenhada, personagens
de romance, etc, qualquer pessoa que tomamos como exemplo. A psicologia
do exemplo, está, no entanto, parece-me, mal estudada. Em que sentido ?
Quanto às formas nada há a dizer. Quanto ao seu resultado, aí, é que
reside a questão. Saber que o homem aprende pela mímica, pela imitação é
corriqueiro, vulgar. Mas, não se aprende apenas imitando ou só por que
se imita. Talvez, aí, resida outra questão. Será que também se aprende e
muito com a criação ? Na verdade, a falha ou erro estão sempre
presentes, quer seja na cópia falsificada (mesmo sem propósito de
falsificar) quer na criação falhada ou frustrada. Em verdade, algo que
debaixo de certas circunstâncias e num certo tempo não resultou não
significa que segundo outras circunstâncias e noutro tempo não se venha a
verificar. O que não existem é milagres, incluindo nisso, a
possibilidade antecipada e definitiva de decretar a sua total
impossibilidade. Se uma ligeira alteração na gravidade terrestre se
produzisse, até, talvez, os homens pudessem voar sem avião. A lei da
gravidade pode ser universal, mas a gravidade também tem diferentes
medidas e pode sofrer alterações reais e locais. A indução não justifica
o futuro, apenas lhe pode conferir um certo grau de confiança baseada
na probabilidade de tal e tal voltar a acontecer. Mas, essa futurologia é
trivial. O que virá a acontecer pode contrariar totalmente até as leis
da física actual. O desconhecido não é enquadrável, antes, é,
positivamente imprevisível. Factores e condições estudadas são fruto de
trabalho árduo e honesto que nos proporciona um certo grau de
tranquilidade, estabilidade, segurança, confiança. Não está certo ou
errado. É apenas fruto do estudo e do trabalho erigido de forma
inteligente e inteligível do humano. Mas, todos sabemos que aquilo em
que confiamos pode desvanecer-se em pó. Assim, como, também sabemos que
aquilo em que afinal não confiávamos pode acabar por se revelar - sempre
no tempo - digno ou merecedor da nossa confiança. Contudo, assentar
arraiais naquilo que se confia ou, simplesmente, desconfiar de tudo, não
faz qualquer sentido. Ao contrário de muitos filósofos que atormentados
com suas dúvidas concluiram que a vida era absurda eu, contraponho, que
não. A vida só acaba por se tornar um absurdo quando é tomada por esses
extremos e depois vivida, absurdamente numa espécie de perpétua cópia
de algum momento ou coisa tida como imaculada.[noético-18/10/2014]

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