Jeroen van Aeken, (Hieronymus Bosch) - Nau dos Insensatos
«Todos ? Mas que raio!...Tenho que ir nessa Barca ? Todos ? Mas quem é
que pode falar por todos ? Quieto, amigo! Fala por ti. Cala essa matraca
(boca) e fala apenas por ti. O Sol nasce para todos, dizes...A verdade
é, que não nasce para todos, pelo menos ao mesmo tempo. Num lado do
Planeta é dia, no outro, noite. Percebes ó deslumbrado ?! A
gravidade...Sim, a gravidade. Universal. Sim, universal, segundo as leis
racionais que somos capazes de conceber. Agora imagina um mundo em
que no mesmo planeta tens dois ou mais diferentes tipos de gravidade,
incluindo a sua ausência...Consegues imaginar ? Universal ? Sim.
Aplica-se a mesma fórmula. E quando não há gravidade também se aplica a
gravidade ?...Hum! Percebo. A ausência de gravidade faz parte da lei da
gravidade. Faz ? Que estranho!?... Não deveria antes ser a lei da
anti-gravidade ou da não-gravidade, que até são coisas distintas ? Faz
sentido universalizar ? E se o Universo for um Pluri-verso ou Anti-Verso
?...Haverá sempre o Verso, não é ? Ou será que não ? Padrões e
estabilidade. Lei. Reunião é o leitmotiv. Reunidos debaixo de uma única
razão, de um padrão que nada tem de único, pois uns pensam em astros e
outros em libelinhas e, eu, penso em fósforos e velas. Entendes ? Claro
que sim. Pensamos, todos. E então o vício torna-se mote, de uma ciência.
Que interessante...Todos ?...Um raio! Não tens vida nem razão nem
inteligência que te permitam essa transgressão abusiva para elucidar,
garantir, profanar. É tudo, por agora!...Ou, seja, falta muito mais para
ser tudo.»[noético-27/10/2014]
Sem comentários:
Enviar um comentário