«Meus textos, meus versos, minha vida parecem possuídos de um irrealismo
demolidor. Sempre se diz que há que tentar o impossível. E se for
possível mesmo ser descabido, inadaptado, surreal ? Será mesmo possível
realizar o ser, essa autêntica impossibilidade ? Ter o irrealismo como
ideal ? Tanto se fala de realidade que nos parecemos, cada vez mais, com
bichinhos entrando e saindo das tocas, acabrunhados! Real ? O que é
real ? O básico ? O essencial ? O fundamental ? Como se conjuga
tudo isso que não está escrito em nenhum lugar ? Sim, não está escrito. Escreve-se a toda a hora. Precisa de muleta, bengala ou método? Precisa
de ordem e rotina para facilitar essa tarefa ? Não acredito nisso. Não
acredito em fundamento. Quando se fala em razão ou em ter razão, postula-se uma monstruosidade redutora de toda a diferença. Isso, não é
olhar. Isso, não é realizar. Isso, nem é simplificar. É como esconder o
sol por uma peneira. O pó, não é o tapete, para debaixo do qual, muitas
vezes, o atiramos. Certo, estou errado. Não sei mais nada. Parece-me
suficiente.»[noético-11/10/2014]
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